O candidato do PL à Presidência da República, Flávio Bolsonaro, usou o palco em Chapecó, no Oeste de Santa Catarina, neste sábado (19) para responder ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que horas antes tinha discursado em Florianópolis. Diante de apoiadores, Flávio afirmou que Lula “não tem mais condições psiquiátricas de continuar presidindo esse Brasil” e disse que o petista deixou de ser uma ameaça para virar um perigo.
“Mais do que uma ameaça, o Lula hoje se tornou um perigo para o Brasil. Virou uma pessoa muito perigosa para o Brasil”, disse o candidato, em trecho registrado em vídeo pelo perfil De Chapecó (@dechapeco). Logo depois, parte do público puxou o coro “Lula, ladrão, seu lugar é na prisão”, repetido pela plateia.
O ato aconteceu no Centro de Cultura e Eventos Plínio Arlindo de Nes, segunda parada de Flávio no estado. Pela manhã, ele esteve na Expoville, em Joinville, onde a deputada federal Carol de Toni (PL) pediu o impeachment do ministro Alexandre de Moraes do palco. A agenda catarinense do candidato foi montada ao lado do governador licenciado Jorginho Mello (PL), que tenta a reeleição.
Em Chapecó, Flávio disse que Lula “dá demonstrações não apenas de um completo desespero, quando as pesquisas dele já nos colocam na frente no primeiro turno”. Ele não detalhou a quais levantamentos se referia. “Bateu nele um completo desequilíbrio”, completou.
O candidato comparou o presidente ao sindicalista dos anos 1990, com “ideias velhas, ideias atrasadas”, e afirmou que Lula está com a fixação de implantar no Brasil “um regime comunista”.
O ponto mais direto da resposta foi o agronegócio. Flávio disse que Lula passou o dia em Santa Catarina “ameaçando quem produz, que é o nosso agro”, e dizendo que o setor deveria se ajoelhar aos pés dele.
A referência é ao comício de Lula na Praça Tancredo Neves, em frente à Alesc, na manhã deste sábado. Ali, o presidente afirmou que o agro é bolsonarista e que, se dependesse do dinheiro que o governo destinou ao setor, os produtores deveriam “não só votar, mas se ajoelhar” pra ele. Lula listou 118 mercados de exportação que diz ter aberto para as carnes catarinenses, sugeriu que a rejeição do agro ao PT pode ser “uma questão de pele” e, no mesmo discurso, disse querer vencer a eleição “pra manter” Jair Bolsonaro na cadeia.
Flávio também retomou um episódio de junho. “Isso uma pessoa que já havia dito que Santa Catarina é composta por nazistas”, afirmou. Em 26 de junho, durante visita ao estaleiro Detroit Brasil, em Itajaí, Lula disse que os catarinenses não podiam “permitir que prevaleça em Santa Catarina o racismo” e citou Adolf Hitler: “Hitler tentou fazer isso e acabou do jeito que acabou”. O Governo de Santa Catarina anunciou representação na Procuradoria-Geral da República contra o presidente, e o PL acionou o Tribunal Superior Eleitoral, alegando que a fala associou a população do estado ao racismo e ao nazismo. Na época, aliados de Lula, como o candidato do PT ao Senado Décio Lima, negaram que o presidente tenha ofendido os catarinenses.
“É um cara que perdeu completamente a noção do que ele está falando”, disse Flávio, antes de repetir que Lula não tem condições de seguir no cargo.
No mesmo discurso, o candidato do PL criticou o Supremo Tribunal Federal (STF) e defendeu mudanças na atuação do Senado nos processos de impeachment de ministros da Corte. Também prometeu pena mínima de oito anos para roubo de celular, redução da maioridade penal para crimes graves e monitoramento de homens alvo de medidas protetivas.
A passagem dos dois presidenciáveis pelo estado no mesmo dia acontece a 15 dias do primeiro turno, marcado para 4 de outubro. Santa Catarina tem 5,7 milhões de eleitores e foi o quarto estado que, proporcionalmente, mais votou em Jair Bolsonaro em 2022, com 62% no primeiro turno e 69% no segundo. A campanha petista tenta chegar a 35% no estado; há quatro anos, Lula fez 29%. Até a publicação desta reportagem, a campanha do presidente não havia comentado as declarações de Flávio em Chapecó.
























