Quatro anos depois de criticar Jair Bolsonaro pela concessão de benefícios sociais durante a campanha eleitoral de 2022, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou um reajuste de 15,04% no Bolsa Família a 17 dias do primeiro turno das eleições de 2026.
O novo valor passa a valer na folha de outubro. O piso do programa sobe de R$ 600 para R$ 691, enquanto o benefício médio estimado passa de R$ 675 para R$ 777. Segundo o governo federal, a correção acompanha a inflação medida pelo INPC entre março de 2023 e agosto de 2026.
O calendário chama atenção pelo histórico do próprio presidente. Em 2022, quando Bolsonaro disputava a reeleição e o Auxílio Brasil foi elevado de R$ 400 para R$ 600, Lula fez duras críticas à concessão de benefícios perto das urnas.
O Jornal Razão recuperou em arquivos um vídeo daquele período no qual Lula, durante um encontro com representantes do setor empresarial, classificou a situação como “muito grave”.
“Não se tem conhecimento, não se tem precedente na história do Brasil de alguém que, faltando 57 dias para as eleições, resolveu fazer uma distribuição de 50 e poucos bilhões de reais em benefícios que só duram até dezembro”, afirmou Lula.
Na mesma fala, o então candidato disse que a população estava recebendo aqueles benefícios “por conta das eleições” e afirmou que a sociedade brasileira deveria ficar atenta.
A discussão não ficou apenas no discurso. Depois das eleições, a Coligação Brasil da Esperança, que elegeu Lula, acionou o Tribunal Superior Eleitoral contra Bolsonaro e Walter Braga Netto e pediu a inelegibilidade da chapa por suposto abuso de poder político e econômico. Entre os fatos questionados estavam medidas sociais adotadas no período eleitoral.
Os episódios, porém, têm diferenças. Em 2022, o aumento do Auxílio Brasil era temporário e integrava um pacote mais amplo de benefícios. No reajuste anunciado agora, o governo Lula afirma que não houve aumento real, mas recomposição de 15,04% pela inflação acumulada desde 2023. O decreto estabelece os novos valores a partir de outubro.
A Advocacia-Geral da União sustenta que a medida não encontra vedação na legislação eleitoral, argumentando que não houve ampliação do número de beneficiários nem aumento real do benefício.
Quatro anos depois, portanto, benefícios sociais e calendário eleitoral voltam a dividir espaço no debate político, agora com Lula no Palácio do Planalto e buscando permanecer no cargo.























