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Eleições 2026

Com o pai preso pelo STF, Jair Renan Bolsonaro justifica faltas na Câmara de BC: “dias de visita”

Vereador diz que falta às quartas-feiras para visitar Bolsonaro, preso em Brasília, em datas marcadas pelo Judiciário; Câmara rejeitou justificativa por 10 a 5 e colega admitiu ter partido para cima dele após a sessão

Com o pai preso pelo STF, Jair Renan Bolsonaro justifica faltas na Câmara de BC: “dias de visita”
Foto: Reprodução
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O vereador Jair Renan Bolsonaro (PL), de Balneário Camboriú (SC), teve as faltas dos dias 16 e 18 de setembro levadas a votação no plenário da Câmara nesta terça-feira (22) e viu o requerimento ser rejeitado por 10 votos a 5, com uma abstenção. Na tribuna, ele explicou o motivo central das ausências: as quartas-feiras são os dias em que visita o pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, preso em Brasília por ordem do Supremo Tribunal Federal.

“Quase toda quarta-feira eu devo faltar, por conta que eu tenho que visitar meu pai, hoje preso político, perseguido por todas as instâncias, pelo STF, pelo atual governo”, disse o vereador ao usar o tempo de explicações pessoais, depois da votação. “Eu falto nas minhas quartas-feiras pra justamente visitar o meu pai, pra dar alguma força pra ele, porque o que ele está sofrendo hoje, na mão desse desgoverno, essa suprema perseguição, ninguém merece. Essa é a minha justificativa, tá ok?”

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A visita não é marcada por ele. Os encontros dos filhos com Bolsonaro dependem de autorização do STF, e o ofício assinado por Jair Renan nesta terça registra que a visita do dia 16 “ocorreu na referida data em razão de agendamento junto ao Poder Judiciário, circunstância que impossibilitou meu comparecimento à sessão”. A ausência na sessão extraordinária do dia 18, uma sexta-feira, foi atribuída a “motivos de ordem pessoal, que demandaram minha presença e atenção”.

Jair Renan Bolsonaro explica as faltas na tribuna da Câmara de Balneário Camboriú. Vídeo: Câmara de Vereadores de Balneário Camboriú/Reprodução

O gabinete do vereador afirma que ele não pediu abono das faltas, apenas apresentou a justificativa para registro. O documento, endereçado ao diretor de gabinete da presidência da Câmara, diz que tem “caráter meramente informativo e administrativo” e que não se trata “de matéria sujeita à deliberação, apreciação ou votação pelo Plenário”. Faltas não justificadas geram desconto proporcional no salário, e Jair Renan já passou por isso sem recorrer: em julho, teve cerca de R$ 4,5 mil abatidos dos R$ 18.218,84 brutos do cargo por faltar nos dias 14 e 15.

Mesmo assim, o vereador Marcelo Achutti (MDB) subiu à tribuna antes da votação para atacar o colega, que disputa uma vaga de deputado federal por Santa Catarina. “Respeito, sou vereador, também defendo as bandeiras de direita, agora está em campanha eleitoral, recebeu 3 milhões de fundo eleitoral e ainda quer que nós abonemos? Vão criar vergonha na cara, os senhores vereadores”, disse. Achutti afirmou que, quando foi candidato, se licenciou do cargo e abriu vaga ao suplente, e cobrou o mesmo de Jair Renan.

O fundo eleitoral não tem relação com a pauta. É verba de campanha, distribuída pelo partido e fiscalizada pela Justiça Eleitoral, e não passa pela Câmara de Balneário Camboriú. Foi o que Jair Renan respondeu. “Eu não entendo o que tem a ver com o meu fundo eleitoral, ô vereador. Eu não pego fundo eleitoral para fazer bagunça. Eu pego para fazer minha campanha e o que sobrar eu devolvo. Não sei se o senhor faz alguma bagunça quando você recebe.”

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Cinco vereadores ficaram ao lado dele na votação: Kaká Fernandes (PL), Anderson Santos (PL), Asinil Medeiros (PL), Guilherme Cardoso (Republicanos) e Samir Dawud (Cidadania). A maioria de dez rejeitou a justificativa de um filho que faltou para visitar o pai preso.

O clima só esquentou de verdade depois do encerramento da sessão, e por iniciativa de Achutti. O próprio emedebista contou ao jornal Diarinho o que fez: “A fala dele me rebateu, tranquilo, e saiu meio que me ameaçando. Eu fui pra ele se ele fosse homem e dissesse a minha cara”. Na sequência, passou a acusar Jair Renan de circular na Câmara com quatro seguranças armados e disse que iria ao Ministério Público pedir proteção.

A assessoria de Jair Renan negou a versão. Os homens que acompanham o vereador são voluntários que trabalham com ele e não estavam armados, segundo o gabinete, que acrescentou: se Achutti levar o caso ao Ministério Público, terá de provar que havia arma dentro da Casa.

A própria Câmara de Vereadores tratou o episódio como coisa pequena. A assessoria da Casa informou que não vai tomar providência alguma sobre o bate-boca, porque “não teve nada de grave. Foi uma discussão acalorada após o término da sessão que durou poucos segundos, e faz parte dos debates do legislativo”.

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Jair Renan tem 28 anos, está no primeiro mandato como vereador de Balneário Camboriú e é candidato a deputado federal pelo PL. Desde o início da campanha, em 16 de agosto, faltou a três sessões. Com a rejeição do plenário, as duas faltas de setembro devem ser descontadas do salário, como já aconteceu em julho, e sem que ele tenha pedido o contrário.

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