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Eleições 2026

Lula liga ao vivo para Flávio Dino em Belém; em 2022, disse que ter amigo no STF “não é democrático”

Ligação terminou antes de o ministro do STF falar ao público em Belém; no debate da Band, em 2022, Lula disse ser contra "colocar amigo" na Suprema Corte

Lula liga ao vivo para Flávio Dino em Belém; em 2022, disse que ter amigo no STF "não é democrático"
Foto: Reprodução
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O presidente Lula (PT) ligou para o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Flávio Dino durante uma cerimônia em Belém (PA), na segunda-feira (28), colocou o celular junto ao microfone e avisou: “Eu tô ao vivo aqui”. Em seguida, pediu que Dino desse “um alô pro povo do Pará”. A voz do ministro não chegou a ser ouvida, e a ligação terminou segundos depois.

A cena aconteceu na visita ao Hospital João de Deus, do complexo da Beneficente Portuguesa, onde Lula sancionou o Projeto de Lei 287/2024. Apresentado por Dino quando ele era senador, o texto cria a Estratégia Nacional de Controle e Avaliação da Qualidade da Assistência à Saúde prestada pela iniciativa privada. O ministro levou a proposta adiante depois da morte do filho Marcelo, de 13 anos, que teve uma crise de asma e morreu em 2012 num hospital particular de Brasília. A família denunciou falhas no atendimento.

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“Eu tava tentando falar com o Flávio Dino, pra assinar o projeto dele”, disse Lula ao microfone, logo depois do discurso do ministro da Saúde, Alexandre Padilha. Quando a chamada completou, alguém ao lado avisou: “É o Flávio. Coloca no viva-voz”. O presidente chamou o ministro duas vezes pelo nome e explicou que ia sancionar “a lei da dor de um pai, o projeto de lei que você fez e foi aprovado, por conta da morte do seu filho de treze anos”.

Vídeo: Jornal Razão, com imagens do canal oficial de Lula e da Band

Na sequência, Lula deixou claro que a conversa estava sendo transmitida. “Então eu tô te ligando, eu tô ao vivo aqui, o Stuckert tá filmando aqui”, disse, em referência ao fotógrafo Ricardo Stuckert, que acompanha o petista. “Eu não queria sancionar sem falar com você. Se você puder gritar um pouco aí, e dar um alô pro povo do Pará, e mostrar o significado do teu projeto, acho que o povo vai ouvir”, pediu.

Lula no debate da Band do segundo turno, em 16 de outubro de 2022. Foto: Reprodução/Band

Lula disse “vamos ver” e esperou. Quase quatro segundos depois, insistiu: “Fale”. Logo em seguida, alguém no palco avisou: “Caiu, caiu, caiu”. A plateia riu, e o presidente reagiu com um palavrão: “Também demorou…”. O locutor anunciou a sanção, e Lula assinou a lei ao lado de Padilha e da governadora do Pará, Hana Ghassan (MDB), candidata à reeleição.

Nas redes sociais, o vídeo passou a circular com a versão de que Dino “desligou na cara” do presidente ao perceber que estava sendo gravado. As imagens não mostram isso: a voz do ministro não aparece em nenhum momento da transmissão oficial, e o que se ouve no palco é apenas que a ligação “caiu”. Pelo vídeo, não há como saber se a chamada foi encerrada do outro lado ou se o sinal falhou.

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Horas depois, Lula subiu ao palanque da campanha à reeleição na Praça da República, a seis dias do primeiro turno, marcado para 4 de outubro.

A proximidade entre os dois vem de longe. Dino foi filiado ao PT entre 1987 e 1994 e, aos 21 anos, fez campanha para Lula na primeira disputa do petista à Presidência, em 1989. Em 2021, o próprio Dino publicou nas redes uma foto daquela campanha ao lado de Lula, com a legenda: “Vem de 1989 o #tbt de hoje. Eu tinha 21 anos e fazia a primeira campanha Lula presidente”.

No terceiro mandato, Lula nomeou Dino ministro da Justiça e, em novembro de 2023, o indicou para a vaga de Rosa Weber no STF. Aprovado pelo Senado em dezembro, ele tomou posse em fevereiro de 2024. Meses antes, o presidente já tinha levado ao Supremo Cristiano Zanin, advogado que o defendeu nos processos da Lava Jato.

Na campanha de 2022, o discurso era outro. No debate da Band do segundo turno, em 16 de outubro daquele ano, a jornalista Vera Magalhães perguntou aos candidatos se descartariam propostas para mudar a composição do Supremo. Lula respondeu: “Não é prudente, não é democrático um presidente da República querer ter os ministros da Suprema Corte como amigos. Você não indica o ministro da Suprema Corte pra ele votar favorável a você ou te beneficiar”.

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Na mesma resposta, disse estar “convencido que tentar mexer a Suprema Corte pra colocar amigo, pra colocar companheiro, pra colocar partidário, é um atraso, é um retrocesso”. “E eu sou contra”, completou, defendendo que os ministros fossem escolhidos “por competência, por currículo e não por amizade”. Nas considerações finais, chamou Jair Bolsonaro de “pequeno ditadorzinho, que quer ocupar a Suprema Corte” e afirmou que o adversário queria “colocar os dele” no tribunal. “Eu não”, disse.

Na véspera da ligação, Dino havia derrubado a ordem do TSE que mandava tirar do ar publicações que ligam o senador Flávio Bolsonaro (PL), adversário de Lula na disputa, ao “fim da padroeira”. A decisão foi suspensa pelo ministro Luiz Fux na noite da mesma segunda-feira, a pedido da campanha de Flávio, e o caso vai ao plenário do Supremo.

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