Armado com uma faca e um isqueiro, Adriano Barbosa da Silva se trancou dentro da casa da família, em Joinville, cortou a mangueira do botijão de gás de cozinha e deixou o GLP se espalhar pelo imóvel com todas as portas e janelas fechadas. Enquanto o gás tomava os cômodos, ele gritava que iria acender o isqueiro e explodir a casa com ele dentro.
Quando a primeira guarnição da Polícia Militar chegou ao endereço, acionada pelo COPOM, o cheiro de gás de cozinha já era muito forte na parte externa da residência. Com o suspeito barricado e o ambiente saturado, a ocorrência foi classificada como incêndio doloso, explosão dolosa e ameaça no âmbito da violência doméstica contra a mulher.
Segunda ocorrência no mesmo dia
Não era a primeira vez naquele dia que a polícia ia até aquela casa. Horas antes, na mesma manhã, a mesma guarnição já havia registrado um boletim de ocorrência por ameaça e extorsão contra a mãe do suspeito. Segundo o relato dela à Polícia Militar, o filho, usuário de drogas, teria dito que iria matá-la e teria forçado o casal de idosos a ir até o banco sacar dinheiro para que ele comprasse entorpecentes.
Ainda conforme o relato à polícia, ele teria avisado que “a hora dela iria chegar”, que faria igual a um caso ocorrido no passado, que a tomaria de refém e explodiria a casa consigo dentro, mas que naquele dia iria poupá-la.

Poucas horas depois, ele voltou. Chegou de forma agressiva, portando uma faca, trancou-se no imóvel e partiu para o botijão. Cortada a mangueira, o gás se espalhou pela casa fechada. Do lado de dentro, com o isqueiro na mão, ele repetia a ameaça de explodir tudo.
Diante do risco iminente de explosão, a situação ultrapassou a capacidade técnica e procedimental das guarnições de área. O fato foi repassado ao COPOM e o grupo especializado foi acionado para assumir a ocorrência.
Como o Tático encerrou o cerco
A equipe do Tático do 1º BPR foi acionada via CRE por volta das 11h30 para dar apoio em ocorrência com um homem em surto psicótico por uso contínuo de entorpecente, trancado com arma branca no interior de uma residência. Ao chegar, os policiais confirmaram o cenário mais grave: o botijão aberto, liberando GLP e contaminando todo o ambiente.

A primeira medida foi isolar e conter a área no entorno da casa. O Corpo de Bombeiros Militar foi acionado para permanecer de prontidão em caso de explosão. Em seguida, os policiais tentaram a verbalização com o homem, na tentativa de reduzir o nível de risco da ocorrência sem uso da força. Ele não acatou nenhuma das ordens.
Policiais romperam os vidros das janelas
Sem resposta ao diálogo e com o imóvel cada vez mais saturado, os policiais romperam os vidros das janelas para dispersar o gás e derrubar a concentração de GLP no interior da casa. Foi a manobra que tirou a explosão do horizonte imediato.
Ao mesmo tempo, o ambiente interno foi saturado com agente químico OC, o spray de pimenta, com dois objetivos: reduzir a capacidade combativa do homem e identificar em que ponto da casa ele estava. A reação apontou a posição: a lavanderia.
Homem foi contido
Localizado, os policiais abriram uma brecha na porta dos fundos por meio de força mecânica e efetuaram um disparo com arma elétrica incapacitante. Atingido, o homem foi retirado do imóvel e contido pela guarnição. Na busca pessoal, os policiais encontraram duas facas com ele.
Com a ocorrência estabilizada, a guarda do detido foi transferida para a guarnição de área responsável pelo atendimento, e o Tático encerrou a participação. Cabe agora à guarnição de área a adoção dos procedimentos legais pelos crimes de incêndio doloso, explosão dolosa e ameaça em contexto de violência doméstica.















