Uma câmera de segurança instalada dentro de uma academia em Navegantes, no Litoral Norte de Santa Catarina, registrou o momento em que um homem se aproximou de uma mulher que treinava na área de musculação. As imagens são da unidade da UFit, no bairro São Domingos, e passaram a circular nas redes sociais nesta semana.
No trecho divulgado, o homem aparece parado perto da mulher, olha ao redor do salão e, em seguida, se aproxima dela. O vídeo foi publicado pela própria mulher nos stories do seu perfil no Instagram, acompanhado do relato do que teria acontecido no local.
Segundo o relato dela, o homem verificou se havia outras pessoas por perto antes de voltar e a tocar sem consentimento. “Olha se não tem ninguém. Volta, fala cmg e passa mão na minha bunda, quando fui firme ele sai, e eu na recepção da academia, e nenhuma medida tomada”, escreveu.
ASSISTA AO VÍDEO
Em uma segunda publicação, ela voltou ao assunto e afirmou que a abordagem não teria sido isolada. Escreveu que o homem “olha várias vezes se tem alguém” e que teria continuado a segui-la dentro do estabelecimento. Na mesma postagem, marcou o perfil da academia e pediu que o caso fosse divulgado: “Compartilhem, nenhuma mulher merece isso.”
Além da abordagem em si, a denúncia aponta a resposta da unidade. Ainda conforme o relato, a mulher procurou a recepção da academia logo depois do episódio e nenhuma providência teria sido tomada naquele momento.
O vídeo foi replicado por perfis de notícias da região e a repercussão cresceu ao longo do dia. Nos comentários, outras frequentadoras da mesma unidade relataram situações que classificaram como parecidas e apontaram falha na condução dos casos pela gerência.
“Várias coisinhas acontecem nessa academia e o gerente nada faz. Ele literalmente foge de resolver as coisas”, escreveu uma aluna. Em outra mensagem, ela afirmou que já teria sido ameaçada e difamada na internet após reclamar de um problema interno.
Um advogado que acompanhou a publicação afirmou que a noiva dele teria passado por situação semelhante na mesma academia e que o homem “parece ser o mesmo”. De acordo com o relato, ela foi avisada por outra frequentadora de que estaria sendo fotografada durante o treino.
O mesmo advogado afirmou que a unidade não teria colaborado para identificar o autor. “Infelizmente a academia também não conseguiu ajudar a encontrar o nome dessa pessoa, mesmo possuindo imagem e cadastro dos usuários”, escreveu. Os relatos publicados nas redes sociais não foram confirmados de forma independente.
Situações como a descrita podem se enquadrar no crime de importunação sexual, previsto no artigo 215-A do Código Penal e criado pela Lei 13.718, de 2018. O texto pune quem pratica ato libidinoso contra alguém sem o consentimento da vítima, com pena de reclusão de um a cinco anos quando o ato não configura crime mais grave. O enquadramento independe de violência física e não exige flagrante.
Imagens de circuito interno costumam ser usadas como prova nesse tipo de apuração, ao lado do depoimento da vítima e do cadastro de acesso dos alunos, que registra a entrada de cada frequentador pela catraca. A orientação da Polícia Civil em casos assim é registrar boletim de ocorrência na delegacia mais próxima e pedir formalmente a preservação das gravações, já que a maioria dos sistemas de monitoramento apaga o material automaticamente depois de alguns dias.
Até o momento, o homem que aparece no vídeo não foi identificado publicamente e não há confirmação de registro de ocorrência sobre o caso. A academia não se manifestou publicamente sobre a denúncia nem sobre as reclamações feitas por outras alunas nas redes sociais.















