Três homens foram presos na manhã desta terça-feira (16) suspeitos de participação direta na execução de Alexandre Araújo Brandão, conhecido como “Xuruca do Japiim”, crime que chocou Florianópolis (SC) ao deixar um bebê gravemente ferido após ser baleado no colo do pai.
A ofensiva policial foi resultado da Operação Orion, deflagrada de forma integrada por equipes da Delegacia Especializada em Homicídios e Sequestros do Amazonas e da Polícia Civil de Santa Catarina. As prisões ocorreram após semanas de trabalho de inteligência, cruzamento de informações e deslocamento de investigadores entre estados.
A operação da PCSC contou com a liberação de recursos por parte do Governo do Estado para viabilizar os trabalhos intensificados.
“Essa é uma das nossas diferenças na gestão da PCSC. Pagamos diárias, passagens e damos todo o suporte necessário para que a sociedade tenha uma pronta resposta”, destacou o Delegado-Geral da Polícia Civil de Santa Catarina, Ulisses Gabriel.
Segundo apuração do Jornal Razão, os três presos são naturais de Manaus e teriam vindo a Santa Catarina exclusivamente para executar o crime. As investigações apontam que o homicídio foi planejado com antecedência, com escolha do local, levantamento da rotina da vítima e apoio logístico para a fuga.
O crime aconteceu na noite de 9 de outubro, por volta das 22h, em um condomínio residencial no bairro Campeche, no Sul da Capital. Alexandre foi executado a tiros enquanto segurava a filha de 1 ano e 8 meses no colo. A criança acabou sendo atingida no abdômen, foi socorrida às pressas por vizinhos e familiares e internada em estado gravíssimo na UTI do Hospital Infantil Joana de Gusmão.
Testemunhas relataram ter ouvido mais de dez disparos em sequência. Logo após os tiros, um veículo deixou o local em alta velocidade. Quando a Polícia Militar de Santa Catarina chegou, Alexandre já estava morto, com múltiplas perfurações por arma de fogo.
A investigação avançou rapidamente após a análise de imagens, informações de inteligência e troca de dados entre os estados. Os policiais identificaram que os autores tinham ligação direta com o tráfico de drogas em Manaus e pertenciam ao mesmo universo criminoso da vítima.
Alexandre Araújo Brandão era apontado pelas forças de segurança como um dos líderes do Comando Vermelho no Amazonas, com atuação na região do bairro Japiim, em Manaus. Ele já havia sido preso anteriormente por crimes como tráfico de drogas, lavagem de dinheiro, porte ilegal de armas e homicídios, além de responder a diversos processos na Justiça.
Em julho de 2025, Alexandre havia sobrevivido a uma tentativa de execução em Manaus, quando o veículo em que estava, uma Land Rover, foi atingido por pelo menos 15 disparos. Após o atentado, ele passou a permanecer mais tempo em Santa Catarina, tentando manter uma rotina discreta.
A principal linha de investigação aponta que a execução em Florianópolis foi um acerto de contas ligado à disputa interna e externa do tráfico, possivelmente envolvendo ordens vindas de fora do estado. A Polícia Civil trabalha com a hipótese de que a morte de Alexandre tenha sido encomendada, e que os executores foram enviados de Manaus para cumprir a missão.
Com as prisões realizadas na Operação Orion, os investigadores consideram que a estrutura operacional do crime foi desarticulada, mas as apurações seguem para identificar se há outros envolvidos, como financiadores, intermediários ou apoio logístico em Santa Catarina.
As forças de segurança destacam que a ação conjunta demonstra o endurecimento do combate ao crime organizado interestadual, especialmente diante da tentativa de facções utilizarem Santa Catarina como refúgio ou palco para execuções.
O caso, além de expor a brutalidade da guerra entre facções, deixou uma vítima inocente lutando pela vida.































