Não é Rio de Janeiro. É Itajaí, em Santa Catarina. E foi justamente no Dia do Soldado, nesta terça-feira (25), que a Polícia Militar de Santa Catarina entrou no território que o crime achava que era dele e saiu de lá com dois criminosos apontados como integrantes do PGC, a maior facção do estado, neutralizados.
Conforme apurado pelo Jornal Razão, os mortos são Wellinton Telles, de 24 anos, conhecido no crime como “Pachola”, e Marcos Antônio Wanderherz, de 22 anos. Os dois nasceram e foram criados em Itajaí. As identidades não haviam sido divulgadas oficialmente até a última atualização desta reportagem.
E o número que mais importa nessa história: nenhum policial ficou ferido. A tropa entrou, cumpriu a missão e voltou inteira para casa.
A fuga pelos telhados
A operação começou com uma missão clara: cumprir um mandado de prisão por homicídio. Guarnições do Tático e equipes da ROCAM foram até uma residência na Rua Pedro Teixeira de Melo, no bairro Imaruí, para prender um homem procurado pela Justiça.
Quando as viaturas chegaram, cerca de quatro homens que estavam na casa correram. Dois foram contidos ainda no local. Os outros dois pularam o muro e subiram nos telhados das residências vizinhas, tentando escapar por cima do bairro.
Não escaparam. Como havia duas equipes em campo, cada uma seguiu um dos fugitivos, e a perseguição se desdobrou por pontos diferentes do entorno. Segundo informações preliminares, houve troca de tiros durante a fuga.
Os dois foram baleados e não resistiram aos ferimentos. O Corpo de Bombeiros foi acionado e constatou os óbitos. Um caiu em um ponto, o outro poucas quadras adiante: duas cenas separadas, um único desfecho, dentro da mesma ocorrência.
O nome que já vinha sendo denunciado
Wellinton Telles, o “Pachola”, não era um desconhecido para os moradores. Antes da operação desta terça-feira, o nome dele já constava em denúncia feita à Polícia Militar sobre barricadas montadas no final da Rua Avelino Werner, no bairro Barra do Rio.
Conforme o registro, traficantes da região ergueram os bloqueios para impossibilitar o deslocamento das guarnições policiais. Só que a barricada não parava apenas a polícia: parava também quem morava ali, quem saía para o trabalho de manhã, quem voltava da escola, quem precisava chamar uma ambulância.
Barricada, no vocabulário do tráfico, não é entulho jogado na rua. É demarcação de território. É o recado escrito no asfalto de que ali quem manda é o crime, de que a lei entra na hora que ele deixar. A denúncia apontava ainda que a prefeitura e a polícia já haviam retirado os bloqueios outras vezes, e que eles sempre voltavam.
Por que 25 de agosto é o Dia do Soldado
A data não é coincidência de calendário para quem veste farda. O Dia do Soldado é celebrado em 25 de agosto em homenagem ao nascimento de Luís Alves de Lima e Silva, o Duque de Caxias, nascido nesse dia em 1803 e conhecido na história como “O Pacificador”.
A comemoração foi instituída em 1923 e, em 1962, o governo federal oficializou Caxias como patrono do Exército Brasileiro. A data é celebrada também pelas polícias militares, que pela Constituição são forças auxiliares e reserva do Exército, e o próprio Duque de Caxias comandou, no Império, a corporação que deu origem à Polícia Militar do Rio de Janeiro.
Seis neutralizados em quatro dias
Com o confronto de Itajaí, a Polícia Militar de Santa Catarina chega a seis criminosos neutralizados em quatro dias, em cidades espalhadas de ponta a ponta do estado.
No sábado (22), foram quatro confrontos em menos de 24 horas. Em Lages, na Serra, um homem de 24 anos com mais de 50 passagens policiais avançou de faca contra a guarnição do Tático do 6º BPM e morreu no local. Em Araranguá, no extremo sul, um apontado integrante do PGC, de 27 anos, fugiu por muros e quintais do bairro Coloninha, atirou contra os policiais com um revólver calibre 38 e foi neutralizado pelo Tático do 19º BPM.
Ainda no sábado, em Palhoça, na Grande Florianópolis, Rodrigo Otávio de Oliveira Carvalho, de 19 anos, foi baleado durante o monitoramento de um ponto de tráfico no bairro Caminho Novo e não resistiu aos ferimentos no hospital. Depois daquele confronto, criminosos atearam fogo em pneus e lixeiras e montaram barricadas nas ruas do bairro. No fim da tarde, em Chapecó, no Oeste, Adelar Slotnicki, de 57 anos, conhecido como “Putin de Chapecó”, correu armado para uma área de mata e foi neutralizado pelo Tático do 2º BPM.
Em nenhuma das seis ocorrências houve policial ferido.
O que acontece agora
Equipes da Polícia Militar isolaram as áreas e permaneceram nos locais. A Polícia Científica foi acionada para os trabalhos periciais e a Polícia Civil conduz a investigação. Até o momento não há informação oficial sobre o armamento apreendido ou sobre a situação dos dois homens contidos no início da ação.
Mortes decorrentes de intervenção policial seguem um rito próprio: a cena é periciada pela Polícia Científica, o caso é registrado e apurado pela Polícia Civil e o inquérito é acompanhado pelo Ministério Público, que ao final decide se houve excludente de ilicitude. A corregedoria da Polícia Militar também analisa o emprego da força.
A ocorrência segue em andamento. A equipe de reportagem do Jornal Razão está no local e esta matéria será atualizada.
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