Antônio Carlos Gomes Teixeira, de 4 anos, desapareceu na tarde deste domingo (6) de uma residência que visitava na Rua José Koerich, no bairro Salto Grande, em Ituporanga, no Alto Vale do Itajaí. A casa fica nas proximidades de um rio, e a mobilização que se formou desde então reúne Corpo de Bombeiros Militar, equipes policiais e dezenas de moradores da comunidade, em uma operação que esbarra em um obstáculo que ninguém em campo consegue resolver sozinho: a força da água.
O desaparecimento foi comunicado ao Corpo de Bombeiros Militar por volta das 12h50, e a ocorrência passou a ser trabalhada por volta das 13h. Antônio tem transtorno do espectro autista, informação repassada às equipes logo no primeiro contato e que mudou imediatamente a lógica da busca. Crianças no espectro tendem a não responder ao próprio nome quando chamadas por desconhecidos, o que reduz a eficácia do método mais comum em ocorrências desse tipo, o rastreamento por chamado sonoro.
As primeiras equipes concentraram o trabalho nos arredores da casa onde o menino foi visto pela última vez, avançando em varredura terrestre pelas áreas de vegetação e pelo terreno que desce em direção ao rio. Moradores se organizaram por conta própria e se somaram à operação, ampliando o cerco em pontos que as equipes ainda não tinham alcançado.
Correnteza impede a entrada dos mergulhadores
Uma equipe especializada em mergulho foi acionada para dar suporte à operação. Os mergulhadores, porém, não conseguiram entrar na água. O rio está com nível elevado e forte correnteza, condição que torna a imersão inviável em segurança e que travou a frente de busca aquática justamente no trecho mais crítico, o mais próximo do local onde o menino foi visto pela última vez.
Diante do impasse, os bombeiros e socorristas que atuam no local emitiram um pedido de emergência público: que os funcionários ou responsáveis pela Barragem Sul, em Ituporanga, fechem as comportas imediatamente. A redução da vazão baixaria o nível e a força da água e abriria a janela necessária para que os mergulhadores desçam. O apelo foi feito abertamente porque as equipes em campo enfrentavam dificuldade para estabelecer contato direto com os operadores da barragem.
A coordenação do resgate também pediu que curiosos mantenham distância das equipes de cães de busca. A presença de pessoas e a mistura de odores no terreno comprometem o trabalho dos animais, que dependem de um rastro limpo para seguir a trilha da criança. Em ocorrências com crianças pequenas, o binômio formado por cão e bombeiro costuma ser o recurso mais eficiente nas primeiras horas.
A cheia que atrapalha a busca tem origem recente
Na quarta-feira (3), a Defesa Civil de Santa Catarina iniciou a operação de abertura das comportas das barragens de contenção de cheias de Taió e de Ituporanga, medida tomada depois da redução gradual dos níveis dos rios da região e destinada a escoar com segurança a água que havia sido represada durante o período de chuva intensa. O volume registrado no Vale do Itajaí superou a média do mês e chegou a colocar os rios em nível de emergência.
É essa vazão liberada para o escoamento pós-cheia que sustenta a correnteza encontrada pelos mergulhadores neste domingo. A barragem que fica em Ituporanga foi construída exatamente para segurar água em situação de enchente e devolvê-la ao curso do rio de forma controlada quando o risco passa, e o ciclo de esvaziamento ainda estava em andamento quando o menino desapareceu.
Até a última atualização das equipes, Antônio Carlos Gomes Teixeira não havia sido localizado, e as buscas seguiam na região. Não há, até o momento, informação oficial sobre o efetivo total empenhado nem sobre a resposta ao pedido de fechamento das comportas.
Como ajudar nas buscas
Quem tiver qualquer informação que possa ajudar na localização da criança deve comunicar imediatamente às autoridades ou ligar para (47) 99618-0798. As equipes também orientam que moradores evitem áreas de risco e sigam as determinações dos responsáveis pela operação, para não gerar novas ocorrências no meio da busca.
Não é a primeira vez que Ituporanga vive uma operação assim. Em 30 de junho de 2025, Maitê Ferreira, de 1 ano e 9 meses, desapareceu na localidade de Braço Esquerdo, no bairro Rio Novo, e foi encontrada sem vida dentro de um açude a cerca de 100 metros da casa da família, após cerca de três horas de buscas que mobilizaram 12 bombeiros, cães farejadores e embarcações.















