Assista ao vídeo original no Instagram
O engenheiro Paulo Carelli saiu de Jaraguá do Sul, no norte de Santa Catarina, com uma bandeira do Brasil apoiada no ombro, uma camisa branca pintada à mão e um destino que fica a cerca de 180 quilômetros dali: Florianópolis. Ele decidiu fazer o caminho inteiro a pé, ao lado da esposa, transformando a manifestação política em caminhada de estrada.
A camisa carrega as duas frases que resumem o recado. Na frente, em letras grandes e borradas de tinta, está escrito “Fora Lula”. Nas costas, no mesmo traço improvisado, “Fora Moraes”. É a única faixa que o casal leva.
A decisão foi anunciada pelo próprio Carelli em um vídeo gravado antes da partida, ainda na calçada, com a bandeira na mão.
Eu falei que ia pra rua. Eu vou pra rua. Eu vou sair da minha cidade. Eu vou sair da minha cidade. Vou fazer cento… cento e sessenta quilômetros, cento e setenta quilômetros. E vou pra capital do meu estado a pé. Estou indo agora, porque eu vou pra rua. E você?
A distância que ele estima na fala fica próxima do trajeto real. Entre Jaraguá do Sul e a capital catarinense são cerca de 180 quilômetros pelo percurso rodoviário mais usual, que combina a BR-280 e a BR-101 e atravessa o litoral do estado antes de chegar à Grande Florianópolis.
O formato escolhido é o que Carelli chama de protesto silencioso. Não há carro de som, faixa, comício, discurso nem palavra de ordem. O engenheiro leva apenas a bandeira brasileira e as mensagens estampadas na própria camisa, deixando que o esforço físico e a distância percorrida funcionem como o recado.
A rotina do casal na estrada é simples e repetitiva. Os dois caminham durante todo o dia e param apenas à noite, para descansar e dormir, retomando o trajeto na manhã seguinte. A previsão é que a travessia leve alguns dias até a chegada a Florianópolis.
Carelli não é candidato nem filiado a nenhuma estrutura partidária, e faz questão de marcar esse ponto. Em publicação anterior no próprio perfil, datada de 16 de fevereiro, ele já havia feito a convocação que antecedeu a caminhada: “Vem para a rua, chega de falcatruas, não sou político apenas enjoe de ladrões promessas e mentiras. Chega de demagogia.”
Na mesma publicação aparece a imagem que agora circula junto com o vídeo da partida: ele de pé, sozinho, camisa branca com a pintura ainda fresca, a bandeira erguida numa das mãos e uma segunda bandeira dobrada na cintura, diante de uma cerca viva. Nenhum outro manifestante ao lado, nenhum grupo, nenhuma faixa.
A camisa carrega dois alvos distintos. Um é o presidente da República. O outro é o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, que se tornou nos últimos anos o rosto mais citado nas manifestações da direita brasileira contra decisões judiciais envolvendo inquéritos, redes sociais e a apuração dos atos golpistas.
O gesto individual chama atenção justamente pela desproporção entre o método e o resultado. Enquanto atos de rua reúnem multidões em datas marcadas e se dissolvem no fim da tarde, Carelli optou por uma manifestação que se estende por dias, sem público garantido, medida em quilômetros de asfalto e acostamento.
O corredor rodoviário que liga o norte catarinense à capital é também um dos mais movimentados do Sul do país, com tráfego pesado de caminhões e trechos em obras. Não há indicação de que a caminhada tenha ponto de chegada marcado com ato público, recepção organizada ou apoio de qualquer entidade.
Até a última atualização, o casal seguia na estrada em direção a Florianópolis.




















