Um homem quebrou os dois braços de uma imagem de Jesus crucificado na gruta da Igreja Matriz São Pedro Apóstolo, no Centro de Gaspar, no Vale do Itajaí, na tarde desta quinta-feira (17). Além dos braços, a estátua ficou com parte da cabeça e os joelhos danificados. Câmeras de segurança registraram o suspeito ajoelhado, em posição de oração, logo depois do ataque.
Segundo a paróquia, o estrago foi feito depois das 14h, mas só foi percebido no fim da tarde. Depois de quebrar a imagem, o homem teria dito que “foi Deus que me mandou quebrar tudo”. Conforme a Polícia Civil, ele foi levado à Delegacia de Gaspar, e um inquérito será aberto para apurar o caso.
Por volta das 22h30 da mesma quinta-feira, a cena se repetiu no Cemitério Municipal Santa Terezinha. Uma câmera de monitoramento flagrou um homem quebrando as imagens sacras da capela do cemitério. A imagem de Cristo que ficava lá dentro foi encontrada do lado de fora, outras peças acabaram jogadas dentro do lixeiro e um quadro que estava pendurado na parede foi arrancado.

O estrago foi descoberto na manhã desta sexta-feira (18), quando a equipe chegou para trabalhar. O prejuízo vai além do material: as imagens tinham acabado de passar por restauração. Segundo Éder, diretor do cemitério, a capela ficou muito tempo abandonada, e o trabalho de recuperação envolveu várias pessoas. As peças foram lavadas e pintadas, uma por uma.
“A pessoa pode não acreditar, pode não ter fé, mas não dá o direito dela de vir e fazer esse vandalismo”, disse o diretor, visivelmente abalado. “Tanto tempo que isso estava abandonado e agora a gente chega aqui de manhã do nada, tá essa situação, tudo quebrado. É revoltante.”
De acordo com Éder, as imagens das câmeras do cemitério mostram que foi a ação de uma única pessoa. A Polícia Civil já identificou o homem flagrado no Santa Terezinha. Até a publicação desta reportagem, não havia confirmação oficial de que ele seja o mesmo suspeito do ataque à gruta da Matriz.
A Igreja Matriz São Pedro Apóstolo é o principal cartão-postal de Gaspar. A paróquia existe desde 1887, e o templo atual começou a ser erguido em 1942, com terraplanagem feita à mão por moradores e pelos próprios freis franciscanos, que buscavam pedra e madeira na pedreira e no mato. A igreja recebeu a bênção solene em 1956 e ficou conhecida pela escadaria de 115 degraus. Em 2024, foi reconhecida como patrimônio cultural imaterial do município.
Na área externa fica a gruta de pedra cercada por bancos para oração, que abriga as passagens da Via Sacra doadas por famílias tradicionais da cidade. É ali que fiéis param para rezar ao longo do dia, e foi ali que a imagem de Cristo acabou destruída.
Os dois alvos têm uma ligação antiga. No alto do morro onde hoje está a Matriz havia uma igreja mais antiga, com um cemitério ao lado desde 1867. Quando aquela igreja foi demolida para dar lugar ao templo atual, o cemitério foi transferido para o bairro Santa Terezinha, o mesmo atacado na noite de quinta-feira.
A Polícia Civil vai instaurar inquérito sobre o ataque à gruta, e as imagens das câmeras dos dois locais devem ajudar a esclarecer autoria e motivação. Não há informação sobre restauração ou substituição das imagens danificadas.















