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“Lama terapêutica”: jovens decidem entrar na praia de Tijucas e o inesperado acontece

Apesar da aparência, a explicação é simples e natural. A praia de Tijucas fica exatamente no ponto onde o rio encontra o mar. Os rios trazem sedimentos muito finos do interior, uma espécie de pó de terra.

“Lama terapêutica”: jovens decidem entrar na praia de Tijucas e o inesperado acontece
Foto: Reprodução
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Famílias que vêm evitando várias praias de Santa Catarina por causa de viroses, esgoto e alertas de balneabilidade encontraram um refúgio improvável na Grande Florianópolis. A praia de Tijucas, especialmente no trecho do Pontal Norte, voltou a ser procurada para lazer, descanso e brincadeiras em família. O detalhe que mais chama atenção continua sendo o mesmo de sempre: a lama.

A cena virou rotina. Crianças correndo pela areia, adultos sentados à beira do mar e alguns banhistas que entram na água e saem completamente cobertos de lama, em clima de brincadeira. Não raro, o momento rende risadas, vídeos e comentários bem humorados sobre uma “lama terapêutica” improvisada.

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Apesar da aparência, a explicação é simples e natural. A praia de Tijucas fica exatamente no ponto onde o rio encontra o mar. Os rios trazem sedimentos muito finos do interior, uma espécie de pó de terra. Quando essa água chega ao litoral, encontra um mar calmo, com poucas ondas e pouca energia. Sem força para espalhar esse material, a terra afunda e se deposita no fundo, formando a lama.

Não é sujeira. Não é esgoto. Trata-se de sedimento natural acumulado ao longo dos anos.

A própria geografia da praia contribui para isso. O formato da costa funciona como um quebra ondas natural. O mar não entra com força suficiente para “lavar” o fundo e redistribuir os sedimentos. Por isso, a lama permanece e se acumula lentamente.

Nem sempre, porém, ela aparece da mesma forma. Em determinados dias, dependendo da maré, da direção do vento e da movimentação da água, a praia fica praticamente limpa, sem sinal visível de lama na superfície. Como quase não há ondas fortes, a água costuma ser rasa e tranquila, o que reduz riscos, especialmente para crianças e idosos. Em um verão marcado por avisos em praias vizinhas, esse fator passou a contar ainda mais.

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No meio desse debate entra uma discussão antiga em Tijucas: os projetos de molhes e a dragagem do rio. Tecnicamente, os molhes podem ajudar a mudar esse cenário. Essas estruturas funcionam como braços de contenção que organizam a saída do rio para o mar. Com o fluxo mais direcionado, a corrente ganha força suficiente para carregar parte dos sedimentos para áreas mais profundas do oceano, reduzindo o acúmulo de lama próximo à praia.

A dragagem, por sua vez, remove o excesso de sedimento acumulado no fundo do rio e na foz. Isso melhora o escoamento da água, diminui o assoreamento e reduz a quantidade de material que se deposita na faixa de banho. Em conjunto, molhes e dragagem podem tornar o fundo mais firme, melhorar a aparência da água e favorecer a renovação natural do mar.

Enquanto esses projetos seguem em discussão, estudos e planejamento, a praia de Tijucas vive um momento curioso. Em meio a praias com placas de alerta e água imprópria em várias cidades da região, a lama acabou virando, de forma irônica, um símbolo de tranquilidade. Para muitas famílias, o que parecia um problema virou o detalhe que afastou o esgoto, as viroses e trouxe de volta o simples prazer de ir à praia.

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