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em MPSC

Servidores da Prefeitura de Blumenau aceitavam propina para liberar obras, aponta GAECO

Foto de Por equipe <span style="color:#1877F2; font-weight:700;">Jornal Razão</span>

Por equipe Jornal Razão

Publicado em 06/05/2026 08h49 | Atualizado há 10 dias
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Investigação do Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas aponta que servidores recebiam vantagens indevidas para autorizar construções em Blumenau.

Um esquema que, em tese, atuava há pelo menos cinco anos no direcionamento de licitações e no superfaturamento de obras públicas em Blumenau e em outras 15 cidades de Santa Catarina virou alvo da Operação Ponto Final, deflagrada na manhã desta quarta-feira (06) pelo Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (GAECO) do Ministério Público de Santa Catarina (MPSC).

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Conforme o MPSC, são cumpridos 50 mandados de busca e apreensão em endereços residenciais e empresariais de investigados nas cidades de Blumenau, Florianópolis, São José, Gaspar, Itajaí, Jaraguá do Sul, Joinville, Timbó, Rio dos Cedros, Palhoça, Santo Amaro da Imperatriz, Guaramirim, Ascurra, Pomerode, Benedito Novo e Brusque. Os mandados foram autorizados pela Vara Estadual de Organizações Criminosas, a pedido da 14ª Promotoria de Justiça da Comarca de Blumenau.

Onze investigados receberam medidas cautelares diversas da prisão. Conforme as decisões judiciais, parte deles passa a usar tornozeleira eletrônica e fica proibido de assinar novos contratos com a Administração Pública em todo o território nacional, nas esferas federal, estadual e municipal, inclusive por meio de pessoas físicas ou jurídicas interpostas. A vedação alcança contratos em vigor, mas preserva o cumprimento de obrigações já assumidas.

O que diz o GAECO

Segundo o GAECO, as investigações apontam indícios de formação de um cartel de empresas que combinaria previamente vencedores das licitações, definiria descontos mínimos e dividiria as obras entre si. O resultado, na avaliação do Ministério Público, era o esvaziamento da competitividade dos certames e o prejuízo direto ao interesse público.

A apuração também identificou indícios de exigência e pagamento de vantagens indevidas a agentes públicos. Conforme o GAECO, em troca de propina, esses servidores facilitavam a fiscalização das obras, validavam medições, costuravam aditivos contratuais, liberavam pagamentos e ajudavam a manter os contratos administrativos em mãos do mesmo grupo. Empresas de fachada e estruturas societárias formais teriam sido usadas para esconder a origem dos valores supostamente desviados, o que configura, em tese, lavagem de capitais.

A investigação descreve uma engrenagem dividida em três núcleos. O econômico seria formado por empresários da construção. O público reuniria servidores e agentes públicos, e foi identificado, conforme o MPSC, exclusivamente na Prefeitura de Blumenau. O técnico seria composto por engenheiros e fiscais de obras que, em tese, validavam medições artificiais para inflar o valor final dos contratos.

Os fatos apurados correspondem aos crimes de organização criminosa, corrupção ativa e passiva, formação de cartel, frustração do caráter competitivo de licitação, fraude à execução de contrato e lavagem de capitais, entre outros correlatos.

Nome da Operação

Conforme o GAECO, o nome Ponto Final faz referência ao marco zero das investigações, que partiram de denúncias relacionadas às obras dos terminais urbanos Oeste e Norte de Blumenau. A escolha do nome simboliza, segundo o Ministério Público, o encerramento de um ciclo de supostas irregularidades no setor de obras públicas da região.

A operação conta com o apoio técnico da Polícia Científica de Santa Catarina, responsável pela preservação da cadeia de custódia das evidências. Os dispositivos eletrônicos apreendidos serão encaminhados à perícia para análise técnica e extração de dados, etapa que vai orientar os próximos passos do GAECO na delimitação das condutas e na identificação de eventuais novos envolvidos.

O procedimento tramita sob sigilo. Conforme o MPSC, novas informações poderão ser divulgadas assim que houver publicidade dos autos. Até a última atualização desta reportagem, o caso seguia em investigação.

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