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Filhas encontram pai morto em cerca elétrica de propriedade rural em Joinville

Homem de 45 anos morreu eletrocutado na cerca elétrica de uma propriedade rural na Rodovia do Arroz, no bairro Vila Nova. As filhas, ainda crianças, encontraram o corpo.

Filhas encontram pai morto em cerca elétrica de propriedade rural em Joinville
Foto: Reprodução
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Um homem de 45 anos morreu eletrocutado na cerca elétrica de uma propriedade rural na Rodovia do Arroz, no bairro Vila Nova, zona oeste de Joinville. Quem encontrou o corpo foram as filhas dele, ainda crianças, que chegaram ao local e viram o pai caído no chão, ao lado da cerca energizada.

Elas pediram socorro. Quando o SAMU chegou, não havia mais o que fazer. O óbito foi constatado ali mesmo, na beira do acesso de brita que corta a propriedade, a poucos metros do gado que ficava na área.

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A vítima era natural de Rebouças, no interior do Paraná, e vivia em Joinville. A morte foi registrada como acidental.

As circunstâncias exatas do contato com a cerca ainda não foram esclarecidas. Não há informação oficial sobre o que ele fazia no momento da descarga, se executava algum serviço na estrutura ou se apenas encostou no arame energizado. A resposta deve vir do laudo.

A área foi isolada e a Polícia Científica recolheu o corpo, que passa por necropsia. É o exame que confirma tecnicamente a causa da morte e ajuda a reconstituir a sequência do acidente.

O Vila Nova é justamente a franja rural de Joinville, o bairro que deu nome à Rodovia do Arroz por causa das lavouras que dominam a região. Ali, cerca eletrificada não é item de segurança contra ladrão. É ferramenta de manejo, usada para segurar o gado dentro do piquete e dividir áreas de pastagem.

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E é aí que mora o risco. O eletrificador certificado pelo Inmetro trabalha com pulsos curtos, espaçados, de alta voltagem e corrente baixíssima. Pela norma técnica que rege esses equipamentos, a saída não passa de 10 mil volts, o pulso dura milésimos de segundo, a corrente fica na casa dos poucos miliampères e o intervalo entre um choque e outro é de cerca de 1,2 segundo. O choque dói e afasta o animal, mas não é feito para matar nem gado nem gente.

O que mata é a ligação direta na rede. Quando o arame é jogado direto na energia da propriedade, sem eletrificador, a corrente deixa de ser pulsada e passa a ser contínua. Quem encosta não consegue se soltar, porque a contração muscular trava a mão no fio. É esse tipo de improviso que aparece atrás das mortes por cerca elétrica no interior.

A instalação de cercas elétricas no Brasil é regulada por lei federal, que fixa cuidados obrigatórios tanto em zona urbana quanto rural, e o energizador precisa ser certificado. Usar equipamento sem certificação é infração técnica e agravante de responsabilidade em caso de acidente.

Joinville já registrou casos parecidos em áreas urbanas, com desfecho criminal. Em 2023, no bairro Morro do Meio, um menino de 11 anos morreu ao encostar em uma fiação elétrica instalada no terreno vizinho enquanto brincava. O dono da casa admitiu ter montado a estrutura por conta própria para conter cachorros e disse que costumava ligá-la só à noite, mas esqueceu de desligar naquele dia. Ele foi preso em flagrante e solto após pagar fiança de R$ 1,5 mil, respondendo em liberdade por homicídio culposo. A investigação apontou instalação clandestina, ligada direto na rede e feita sem técnico.

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Em 2020, no bairro Floresta, uma mulher de 34 anos morreu eletrocutada ao tentar pular o muro de um imóvel. A polícia tratou o caso como homicídio culposo e a apuração indicou que a cerca havia sido instalada pelo próprio proprietário, fora das normas técnicas e possivelmente com voltagem acima do permitido.

A diferença do caso da Rodovia do Arroz é que a cerca fica dentro da propriedade onde a própria vítima vivia, o que mantém o registro na faixa do acidente e afasta a responsabilização de terceiro. Mas o ponto cego é o mesmo nos três casos: estrutura energizada montada sem projeto, sem certificação e sem manutenção periódica.

O choque elétrico segue entre as mortes evitáveis mais frequentes do país. Em 2025, o Brasil contabilizou 917 acidentes desse tipo e 646 mortes, segundo o levantamento anual da Abracopel, associação que monitora acidentes de origem elétrica. A letalidade desse tipo de ocorrência no Brasil beira os 70%, uma das mais altas do mundo.

A recomendação vale para qualquer propriedade com cerca elétrica. Eletrificador homologado, aterramento correto, placa de advertência e, principalmente, chave geral desligada antes de qualquer serviço no arame. Manutenção em cerca energizada não se faz no improviso, e no escuro o risco dobra.

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