Foi uma mensagem enviada às escondidas a uma vizinha que rompeu semanas de silêncio. Nela, uma mulher relatava estar sendo mantida em cárcere privado dentro da própria casa, ao lado do filho de 5 anos, por um homem armado que ameaçava os dois de morte. Horas depois, Matheus Juan da Silva, de 25 anos, morreu ao avançar com uma faca contra a Polícia Militar de Santa Catarina (PMSC) dentro da mesma residência, na Rua Amândio da Silva Neves, no bairro São Paulo, em Navegantes, no Litoral catarinense. O confronto aconteceu por volta das 22h40 desta quarta-feira (12), e ele é o terceiro criminoso neutralizado pela corporação em menos de 24 horas em Santa Catarina.
A guarnição do 25º Batalhão de Polícia Militar foi acionada pela Central Regional de Emergência depois que a mensagem chegou à vizinha. Ao entrar no endereço, os policiais foram recebidos pela própria vítima, que relatou que vinha sofrendo ameaças de morte e sendo mantida em cárcere por Matheus. Segundo ela, ele tinha acabado de fugir levando uma arma de fogo, vestindo moletom azul, calça preta e tênis vermelho.
Duas semanas de áudios apagados
Os relatos colhidos pela Polícia Militar mostram que o pedido de socorro vinha sendo construído havia tempo. Familiares contaram que, por cerca de duas semanas, a mulher enviava áudios relatando que estava presa e sob ameaça e, em seguida, apagava as mensagens. Em um dos áudios, conforme os relatos, Matheus teria apontado uma arma de fogo para a cabeça dela e da criança. Em outro, a própria vítima pedia que a Polícia Militar fosse acionada.
No dia anterior, uma denúncia anônima já havia levado a polícia até o mesmo endereço. O denunciante relatava que um homem mantinha uma mulher e uma criança em cativeiro na residência, que ele era visto indo ao portão e voltando com diversas facas presas à cintura e que mãe e filho não eram vistos havia cerca de uma semana. Questionada sobre por que não formalizou a situação naquela ocasião, a vítima declarou que estava com medo de denunciar.
A abordagem e o ataque
Com as características repassadas, a guarnição iniciou rondas nas proximidades e localizou um homem com as mesmas vestes e o mesmo porte físico. Ele se negou a informar a identidade. Diante da fundada suspeita, os policiais realizaram a abordagem e o conduziram até a residência para confirmar formalmente quem ele era e esclarecer os fatos.
Dentro da casa, o comportamento até então calmo mudou de repente. Matheus correu em direção à cozinha, nos fundos do imóvel, apoderou-se de uma faca e voltou avançando contra a guarnição. Conforme a PMSC, ele recebeu ordens claras e reiteradas para largar a arma, não obedeceu e seguiu avançando na direção de um dos policiais.
Para cessar a agressão, o militar efetuou quatro disparos. A guarnição acionou imediatamente o socorro. O Corpo de Bombeiros Militar foi a primeira equipe a chegar e constatou que Matheus já estava sem sinais vitais. Uma equipe do SAMU também esteve no local em apoio.
Antes da chegada da polícia, um homem que esteve na residência relatou ter visto Matheus com o que aparentava ser uma pistola e contou ter retirado a criança do recinto ao perceber que ela corria risco de agressão, inclusive de ser atingida por uma faca. Segundo esse relato, as discussões do casal eram frequentes e Matheus apresentava comportamento agressivo.
A mesma testemunha relatou ainda que Matheus teria participado de um homicídio cometido a facadas no dia 9 de julho, segurando a vítima enquanto outro homem desferia os golpes. O suposto autor dos golpes teria fugido em seguida para o município de Salete. A informação foi repassada às equipes e deve ser apurada pela Polícia Civil.
Matheus Juan da Silva acumulava boletins de ocorrência como autor por furto, fuga ou evasão, fuga do lar, perturbação da tranquilidade, ameaça, posse de drogas, tráfico de drogas, receptação e dano.
Terceiro em menos de 24 horas
O confronto fecha uma sequência de menos de 24 horas em Santa Catarina. Na tarde desta quarta-feira (12), Carlos Eduardo Ferreira, de 20 anos, foi neutralizado por equipes do 30º Batalhão de Polícia Militar em Xanxerê, no Oeste, ao confrontar os policiais armado com um revólver depois de uma denúncia de tráfico. Já Gustavo Tillmann Neto, de 26 anos, morreu em confronto com o 1º Batalhão de Pronta Resposta na região de Joinville, após um assalto violento com reféns registrado em Guaratuba, no Paraná. Em nenhum dos três casos houve policiais feridos, conforme as informações disponíveis até aqui.
Investigação
A Polícia Civil acompanhou as diligências no endereço, e a Polícia Científica realizou a perícia e a remoção do corpo. A vítima, em estado de choque, ainda não prestou depoimento formal detalhado. A conduta policial foi registrada como compatível, em tese, com a hipótese de legítima defesa, sem prejuízo da análise dos fatos pela autoridade competente. O caso segue sob investigação da Polícia Civil.


































