Adivinha de onde é o foragido que a PMSC acabou de prender? Errou se respondeu Rio Grande do Sul, Paraná ou São Paulo. A resposta, na maioria dos casos, está no próprio DDD catarinense.
Informações apuradas com exclusividade pelo Jornal Razão revelam os números fechados da Operação Busca e Captura 2026, a maior já realizada pela Polícia Militar de Santa Catarina no histórico da corporação. Entre 1º e 28 de junho, a PMSC cumpriu 1.445 mandados de prisão em todo o estado, um salto de 109,12% em relação ao mesmo período de 2025, quando 691 mandados haviam sido cumpridos.
O levantamento mostra que Santa Catarina não é apenas refúgio de foragidos de outros estados. Dos 1.271 mandados com origem identificada, 829 eram de pessoas que já estavam dentro do próprio estado, 65% do total.

O número alto de catarinenses entre os presos não é uma surpresa, e é justamente esse o ponto que a transparência dos dados ajuda a esclarecer. A tendência natural é que a pessoa seja presa no estado de onde ela é, porque é ali que ela cometeu o crime, é ali que responde ao processo e é ali que, mais cedo ou mais tarde, a Justiça e a polícia a alcançam. Boa parte desses 829 mandados cumpridos em Santa Catarina é de gente que aprontou no próprio estado e seguiu em liberdade enquanto o processo corria, ou que finalmente teve contra si um mandado de prisão expedido após condenação transitada em julgado. É o trabalho de segurança pública fazendo exatamente o que deveria fazer.
Atrás de Santa Catarina aparecem Paraná, com 156 presos, e Rio Grande do Sul, com 125. São Paulo soma 43 capturas. A operação também rastreou foragidos vindos de praticamente todo o Brasil e de seis países: Alemanha, Espanha, Argentina, Colômbia, Paraguai, Senegal e Venezuela, prova do alcance da cooperação entre as forças de segurança.
O resultado não é só em quantidade. Segundo a PMSC, 180 dos presos tinham condenações definitivas superiores a 10 anos, e 24 respondiam por penas acima de 30 anos, nomes de alta periculosidade que estavam soltos e voltaram a ser retirados de circulação pelo trabalho da Polícia Militar.
Por tipo de crime, o tráfico de drogas lidera as prisões, com 210 casos. Em seguida vêm roubo ou latrocínio, com 133 ocorrências, furto, com 131, e estupro de vulnerável, com 127. A corporação ainda contabilizou 85 prisões por homicídio, 32 por estupro e 27 por organização criminosa, um retrato direto de como a PMSC tem mirado os crimes que mais afetam a segurança do catarinense.
Parte do resultado veio de articulação que extrapolou as fronteiras do estado. Foram 34 prisões decorrentes de operações integradas interestaduais e internacionais, envolvendo dez estados brasileiros e dois países, Alemanha e Espanha, fruto da troca de informações entre as forças de segurança. A mensagem é clara: foragido é caçado independente de onde for.
O comandante-geral da PMSC, coronel Emerson Fernandes, destacou que os números evidenciam a capacidade de integração da corporação e o comprometimento das equipes na localização e captura de indivíduos de elevada periculosidade. Segundo a PMSC, o total de presos já passa de 1.500 em dados consolidados após o fechamento do balanço de 28 de junho.
Por causa do início do período de restrições do calendário eleitoral, este balanço é o último passível de divulgação institucional por enquanto. A PMSC informou que ainda vai divulgar um ranking final da operação até o fim desta semana, e que uma solenidade para homenagear as equipes que mais se destacaram está marcada para o dia 10 de julho, em Florianópolis.























