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R$ 50 por uma noite, R$ 15 por um beijo: professor de boxe é denunciado por supostos abusos a crianças em Itajaí

Relatos de cinco crianças, de 9 a 13 anos, apontam supostas ofertas de dinheiro em troca de beijos e de contato físico; defesa nega as imputações e pede que seja preservada a presunção de inocência

R$ 50 por uma noite, R$ 15 por um beijo: professor de boxe é denunciado por supostos abusos a crianças em Itajaí
Foto: Reprodução
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Um professor de boxe chinês foi denunciado à Polícia Civil de Itajaí por suposto crime de estupro de vulnerável contra alunos. Os relatos que chegaram à polícia são de cinco crianças, de 9 a 13 anos, e descrevem supostas ofertas de dinheiro em troca de beijos e de contato físico. O inquérito foi instaurado e a Justiça já concedeu medidas protetivas de urgência. Até a publicação desta reportagem, o denunciado seguia em liberdade.

O caso teria vindo à tona por um menino de 9 anos. A mãe dele contou ao Jornal Razão que desconfiou e resolveu perguntar diretamente ao filho. “No que eu perguntei, ele já começou a chorar e relatar que a pessoa tinha passado a mão nele”, disse. Segundo ela, o menino afirmou em seguida que aquilo não teria acontecido só com ele e teria citado o nome de outras crianças que frequentavam as aulas.

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A partir daí, essa mãe procurou as famílias das demais. “As outras crianças começaram a relatar todos os ocorridos: que ele tinha passado a mão, que ele tinha oferecido dinheiro pra beijar na boca, que tinha mostrado vídeos”, afirmou. Foi por esse caminho que os relatos teriam chegado ao Conselho Tutelar e, depois, à delegacia.

Mães de crianças que frequentavam as aulas relatam ao Jornal Razão o que os filhos contaram. As entrevistadas não são identificadas para preservar a identidade das crianças.

Relatos apontam dinheiro em troca de beijos e toques

Outra mãe ouvida pela reportagem conta que chegou em casa e encontrou a filha, de 9 anos, já em pânico. “Minha filha já estava desesperada, já estava chorando, e começou a confirmar o que a outra criança estava falando”, relatou. Segundo ela, a menina teria descrito ter recebido R$ 15 do professor por um beijo que seria no rosto e teria acabado na boca. “Mãe, ele beijou minha boca e me deu 15 reais. Pediu um beijo na bochecha e beijou minha boca”, teria dito a criança, conforme o relato da mãe.

A mesma menina teria descrito ainda toques nas partes íntimas durante brincadeiras na piscina, quando o professor a pegaria por baixo antes de jogá-la na água. “Ela falou: ai, mãe, isso doeu”, contou a mãe.

Segundo essa mãe, a filha mais velha, de 13 anos, também teria recebido uma proposta. Ele teria oferecido R$ 50 para que a adolescente passasse a noite com ele e mentisse para a família. “Fala que vai dormir na casa de uma amiga e vem dormir aqui comigo, te dou 50 reais”, teria dito o professor, conforme o relato repassado pela mãe. A adolescente recusou.

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A primeira mãe relata que o filho também teria sido exposto a vídeos pornográficos. Segundo ela, o professor teria mostrado imagens íntimas dele próprio e teria feito uma proposta de cunho sexual ao menino. “Mostrou um vídeo pornô e falou: olha, deixa eu fazer isso aqui em você”, afirmou, dizendo que ele teria usado outras palavras, mais explícitas, ao falar com a criança.

Um ponto se repete nos dois relatos: o denunciado não teria demonstrado receio de ser visto. “Ele fazia na frente uma da outra, não respeitava, não tinha medo”, disse uma das mães.

Crianças têm medo de sair de casa

As consequências aparecem agora na rotina das famílias. O menino de 9 anos está com medo de ir à escola e passou a ser levado e buscado pela mãe. “Ele sonha com ele, fala que sonha já a terceira noite. Hoje ele me acorda falando que sonhou com ele, que tinha uma arma, que ele estava correndo atrás”, contou. Segundo ela, a pergunta que o filho mais repete é o que aconteceria se encontrasse o professor na rua.

A menina de 9 anos pergunta todos os dias se o denunciado já foi preso. A mãe conta que a filha chegou a sugerir que ela mesma resolvesse a situação, e que precisou explicar por que não faria isso. “De revolta, de culpa, de não ter percebido, de não ter feito alguma coisa. Me dói mais ainda saber que ele ainda tá solto”, afirmou. E completou: “Eu não quero vingança, eu quero justiça”.

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O que diz a defesa

Procurada pelo Jornal Razão, a defesa afirmou que o denunciado constituiu defesa técnica e está tomando conhecimento dos elementos da investigação. Disse ainda que, por se tratar de procedimento que corre sob segredo de justiça e envolver menores, não comentaria detalhes protegidos. Segundo a manifestação, ele nega as imputações e exercerá o direito de defesa perante as autoridades competentes, devendo ser preservadas a presunção de inocência, a intimidade dos menores e os direitos à honra e à imagem.

Investigação e posição da Prefeitura

A Polícia Civil representou pela realização dos depoimentos especiais das crianças, procedimento que depende de agendamento em juízo. Parte dos relatos ainda não foi colhida oficialmente. O caso também chegou ao Conselho Tutelar, que prepara relatório para subsidiar a apuração e avalia encaminhamentos para atendimento psicológico.

Em nota, a Prefeitura de Itajaí informou que o professor citado e a academia onde ocorriam as atividades não possuem vínculo, convênio, contrato ou parceria com a gestão pública. Segundo o município, o boxe chinês não integra o programa municipal de iniciação esportiva nem está entre as modalidades conveniadas, que hoje contemplam capoeira, jiu-jitsu e kung-fu.

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