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“To até arrepiado”: moradores soltam vela acesa em rio de SC para tentar achar Enzo, de 6 anos

Objeto foi avistado nesta quarta-feira (19), no terceiro dia de buscas em Santo Amaro da Imperatriz. Moradores associam o gesto a um costume antigo usado para localizar pessoas em rios, e não há confirmação sobre quem lançou o barquinho.

“To até arrepiado”: moradores soltam vela acesa em rio de SC para tentar achar Enzo, de 6 anos
Foto: Reprodução
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Um voluntário que ajudava nas buscas por Enzo, de 6 anos, encontrou uma vela acesa boiando no Rio Cubatão, em Santo Amaro da Imperatriz, na Grande Florianópolis. A chama estava dentro de um pequeno barquinho, ao lado de uma bandeira do Divino Espírito Santo, descendo devagar pela correnteza. Ao perceber o que era, ele se emocionou.

To até arrepiado

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O objeto foi colocado na água por moradores da região. Não se trata de um item das equipes de resgate, e sim de um costume antigo do interior catarinense, passado de geração em geração nas comunidades ribeirinhas: quando alguém desaparece em um rio, acende-se uma vela dentro de uma gamela, cuia ou bacia e solta-se o recipiente na correnteza. Pela crença, o barquinho improvisado para no ponto onde a pessoa estaria.

O que aconteceu com o menino

Enzo desapareceu na manhã de segunda-feira (17), por volta das 11h, nas proximidades do bairro Fabrício, em Santo Amaro da Imperatriz. Segundo o Corpo de Bombeiros Militar de Santa Catarina, o menino de 6 anos estava às margens do Rio Cubatão acompanhado de outra criança, de 12 anos, e os dois davam banho em um cachorro quando ele foi surpreendido pela força da correnteza, caiu na água e submergiu.

O chamado chegou à corporação pelo aplicativo CBMSC Cidadão. Desde então, ele não foi localizado.

A crença que mobilizou a comunidade

Nas redes sociais, dezenas de moradores reconheceram de imediato o que estava boiando na água. Muitos relataram ter visto o costume ser usado por pais e avós, em épocas em que as comunidades da região não contavam com equipes especializadas de busca e salvamento.

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Uma moradora contou que era assim que a família dela localizava desaparecidos no Rio Uruguai. Outra lembrou que, na infância, a prática era a única ferramenta disponível quando alguém se afogava. A vela ganhou nomes populares ao longo das gerações, como “vela dos afogados” e “lanterna dos afogados”.

Não há confirmação sobre quem lançou o barquinho no Rio Cubatão nem sobre o trecho exato em que ele entrou na água. A prática não integra o protocolo do Corpo de Bombeiros, que conduz a operação com equipamentos técnicos, e a corporação não se manifestou sobre o registro.

Terceiro dia de buscas

A operação foi retomada ao amanhecer desta quarta-feira (19). Pela manhã, 15 bombeiros atuavam diretamente nas buscas, com apoio de um cão de busca e resgate, dois drones, duas embarcações e dois caiaques. Equipamentos de sonar seguem sendo usados para varrer o fundo do rio, e viaturas percorrem as margens por terra.

A área de varredura, que começou em torno de cinco quilômetros, já passa de oito quilômetros ao longo do leito e das margens. Desde segunda-feira, mais de 40 bombeiros, entre militares e comunitários, participaram dos trabalhos. Segundo o CBMSC, as condições meteorológicas favoráveis e a redução da maré ampliaram a visibilidade e ajudam a identificar pontos de interesse.

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Dois desaparecidos no mesmo trecho

Ainda na segunda-feira, enquanto as equipes já varriam o rio atrás do menino, familiares comunicaram o desaparecimento de Odir Coelho, de 59 anos, que saiu de casa e não retornou. Imagens de uma câmera de segurança registraram o homem passando por uma ponte próxima ao exato ponto em que a criança havia desaparecido horas antes.

Segundo o Corpo de Bombeiros, os dois casos não têm ligação direta, mas ocorreram praticamente no mesmo trecho do Rio Cubatão. Diante disso, a corporação unificou a logística das equipes e passou a conduzir uma operação única.

A cidade do Divino

A bandeira encontrada na água carrega um peso simbólico específico em Santo Amaro da Imperatriz. A Festa do Divino Espírito Santo é a principal celebração religiosa do município e uma das mais tradicionais da Grande Florianópolis, com bandeiras, corte imperial e cortejo que atravessam gerações de famílias locais.

O Rio Cubatão nasce na área do Parque Estadual da Serra do Tabuleiro e é um dos mananciais que abastecem a Grande Florianópolis. É também o rio que, nesta semana, concentra a atenção da cidade inteira.

A comunidade segue acompanhando e auxiliando os bombeiros nas margens. As buscas pelas duas pessoas desaparecidas continuam ao longo desta quarta-feira.

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