O paratleta Ezequiel da Luz, de Balneário Camboriú, escreveu seu nome na história do esporte ao conquistar o tricampeonato mundial de jiu-jitsu adaptado. A trajetória, no entanto, vai muito além dos títulos: é marcada por superação, fé e uma virada de vida após anos enfrentando dependência química e dificuldades extremas.
“Vivi muito tempo para me libertar das drogas. É algo tão difícil que, se a gente não se apegar com Deus, não tem ser humano que consiga vencer o vício”, relatou o atleta ao relembrar o passado.
A mudança de rumo começou após um episódio que transformou sua vida. Em 2005, Ezequiel foi atingido por um disparo na coluna e ficou paraplégico. Foi a partir desse momento que teve o primeiro contato com o esporte adaptado, após ser levado pelo pai a uma associação. Inicialmente, passou por modalidades como basquete em cadeira de rodas, atletismo, natação e handebol, chegando inclusive a participar de seletivas da seleção brasileira.

Anos depois, em 2021, enfrentou um novo desafio: precisou amputar a perna devido a uma osteomielite crônica. A condição afetou seu desempenho na natação e o obrigou a buscar uma nova modalidade. Foi então que encontrou no jiu-jitsu adaptado uma nova oportunidade, que mudaria sua história.
O início na modalidade foi recente, com o primeiro torneio disputado em 2024, em São José. Desde então, os resultados vieram em sequência: campeão brasileiro em 2024 e 2025, campeão do Grand Slam e bicampeão mundial no World Pro, em Abu Dhabi. Em 2025, conquistou ainda um título importante no circuito paralímpico, em Bangkok, na Tailândia, ampliando sua projeção internacional.

Antes do reconhecimento no esporte, a realidade era bem diferente. Ezequiel conta que chegou a trabalhar em semáforos, vendendo balas, panos de prato e mel para sustentar a família. Hoje, com a carreira consolidada, consegue se dedicar integralmente aos treinos e aos estudos, ele está em formação em Educação Física.

Além do jiu-jitsu, o atleta agora se prepara para um novo desafio: o para surf. No dia 18 de maio, ele embarca para Porto de Galinhas, onde disputará o Campeonato Brasileiro da modalidade, ampliando ainda mais sua atuação no esporte adaptado.
Pai de quatro filhas, Ezequiel afirma que sua maior vitória não está apenas nos títulos. “Eu me sinto vencedor porque venci o vício, venci a depressão e superei as limitações. Não desista dos seus sonhos, porque você já é um vencedor”, concluiu.