A deputada federal Júlia Zanatta (PL) lançou o jingle da campanha à reeleição gravado nas ruas da Vila Germânica, em Blumenau, no Vale do Itajaí. Ela aparece de dirndl verde e coroa de flores, no meio de uma dança de rua com sanfona, lederhosen e chapéu tirolês, cantando sobre a melodia de “Marreca”, o maior clássico das Oktoberfests catarinenses. O refrão original, que manda cuidar bem da marreca, foi trocado pelo mote da campanha: cuidar bem dos catarinenses.
Zanatta não aparece sozinha. Dançam ao lado dela a deputada federal Carol de Toni (PL), candidata ao Senado por Santa Catarina, e o advogado Guilherme Colombo (PL), marido de Júlia e candidato a deputado estadual. Os três abrem e encerram a peça caminhando juntos pela rua coberta da Vila Germânica, sob as fachadas enxaimel.
Não é peça de campanha individual. É a tradução em música do voto casado que o grupo vem costurando desde o começo do ano: Carol de Toni com o 221 para o Senado, Júlia Zanatta com o 2233 para a Câmara dos Deputados e Guilherme Colombo com o 22333 para a Assembleia Legislativa. Os números aparecem em letreiros ao longo do vídeo e formam uma escada quase mnemônica, que é exatamente o efeito procurado, entregar ao eleitor três nomes que se memorizam em bloco.
As cartelas que atravessam o jingle dão o recado político sem meias palavras. “Do Oeste ao Litoral”, “de toda Santa Catarina”, “sempre firme na missão” e “Júlia Zanatta é guerreira” se alternam com menções à cultura, à bravura, a quem trabalha e a quem produz. É o mesmo vocabulário que a parlamentar usa desde 2022 e que virou marca do mandato, agora traduzido para o compasso de banda de chopeira.
O clássico por trás do jingle
A escolha da base musical não é aleatória. “Marreca” foi composta por Marco Antonio Cornetet e gravada em 1999 pelo grupo blumenauense que então se chamava Cavalinho Branco, com Lino Vieira e Michael Lochner nos vocais. O sucesso foi tão grande que, no ano seguinte, a banda encurtou o nome e virou simplesmente Cavalinho. Fundada em 1973 por Rigobert Döring, ela é a única atração que tocou em todas as edições da Oktoberfest de Blumenau desde a primeira, em 1984.
A letra conta, em tom de piada, a história do fazendeiro Olavo, que compra uma marreca em Blumenau para presentear a mulher, Suzete, e passa a canção inteira pedindo que ela cuide bem do bicho. O duplo sentido é parte do charme e ajudou a transformar a música em hino de festa de interior, baile de tiro e pavilhão de outubro. É humor popular, sem verniz, e é nesse terreno que o jingle se instala.
À reportagem do Jornal Razão, Júlia Zanatta explicou a aposta. “Tem que dizer que eu aposto em ritmos regionais”, afirmou a deputada, acrescentando que o jingle é também uma aposta “em orgulho catarinense”. Sobre a reação que espera da peça, ela foi direta: “A esquerda vai ficar louca”.
A fórmula do voto casado
Natural de Criciúma, no Sul do estado, Zanatta tem 41 anos, é graduada em Jornalismo e Direito e chegou à Câmara dos Deputados em 2023. Em 2022 recebeu 111.588 votos, foi a terceira mais votada do PL em Santa Catarina e a sexta mais votada do estado, desempenho que a colocou entre as lideranças mais fortes da direita catarinense. Na Câmara, ocupa a vice-liderança do PL e defende armamento civil e legítima defesa, propriedade privada, agronegócio, valores cristãos e liberdade de expressão.
Carol de Toni entra na peça como o topo da chapa. Natural de Chapecó, no Oeste, advogada e deputada federal em segundo mandato, ela foi a candidata mais votada de Santa Catarina em 2022, com cerca de 227 mil votos, e presidiu a Comissão de Constituição e Justiça da Câmara. A candidatura ao Senado foi oficializada em 1º de agosto, em convenção do PL realizada em Florianópolis, e ela disputa uma das duas vagas catarinenses ao lado de Carlos Bolsonaro, num páreo que reúne 13 candidatos.
Guilherme Colombo completa o trio na disputa estadual. Advogado criciumense, ele deixou o cargo que ocupava no BRDE no início do ano para se dedicar à pré-campanha e diz ter sido incentivado por Eduardo Bolsonaro a representar o campo bolsonarista na Assembleia Legislativa. A dobradinha com a mulher no Sul do estado sempre foi a justificativa aberta da candidatura, já que Júlia não tinha parceiro estadual na região.
A junção dos três resolve o problema mais duro de qualquer campanha proporcional, que é fazer o nome grudar na cabeça do eleitor em poucas semanas. Ao pegar carona numa melodia que o catarinense já sabe cantar de cor, o jingle encurta o caminho da memorização e ainda entrega, de graça, o traço mais valioso da campanha, que é a identificação cultural com o estado.
O cenário reforça a mensagem. A Vila Germânica é o pavilhão que abriga a Oktoberfest de Blumenau todo mês de outubro e funciona como o cartão-postal mais reconhecível da colonização alemã em Santa Catarina. Filmar ali, com traje típico e dança de rua, é assinar embaixo de um pertencimento que dificilmente um adversário consegue contestar com discurso.
O recado territorial também está calculado. Carol de Toni tem base no Oeste, Zanatta e Colombo no Sul, e a gravação em Blumenau planta a bandeira no Vale do Itajaí, eixo que decide eleição proporcional em Santa Catarina. “Do Oeste ao Litoral” não é figura de linguagem no jingle, é o mapa da operação.
O material já foi liberado para divulgação nas redes das três campanhas. A votação acontece em 4 de outubro, em turno único para Senado, Câmara dos Deputados e Assembleia Legislativa.























