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“Bota moeda e sai cachacinha”: bar é alvo de denúncias em Criciúma após instalar “pingômetro”

Denúncia anônima levou a Polícia Militar a um bar do bairro Linha Batista, onde um aparelho na parede externa servia cachaça a quem inserisse uma moeda, mesmo com o estabelecimento fechado.

“Bota moeda e sai cachacinha”: bar é alvo de denúncias em Criciúma após instalar “pingômetro”
Foto: Reprodução
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Um pingômetro preso na parede externa de um bar, virado para a calçada, liberava uma dose de cachaça para quem colocasse uma moeda no aparelho. Funcionava a qualquer hora, inclusive com o estabelecimento fechado e sem ninguém atrás do balcão. O equipamento estava no bairro Linha Batista, em Criciúma, no Sul de Santa Catarina, e virou alvo de denúncia à Polícia Militar.

A denúncia partiu de forma anônima e descrevia exatamente isso: bota moeda, sai cachacinha, sem porteiro, sem atendente, sem ninguém para perguntar idade. O denunciante afirmou ainda que já teria visto menores de idade usando a máquina, e pediu que uma equipe fosse até o local verificar.

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Policiais militares foram ao endereço, na Rua José Kaminski, e confirmaram o que a denúncia dizia. O aparelho, conhecido no comércio como pingômetro de parede, estava instalado na parte externa do bar, com acesso livre para qualquer pessoa que passasse pela rua. Bastava a moeda no compartimento para a bebida ser servida.

Vídeo mostra o pingômetro instalado na parede externa do bar, em Criciúma. Reprodução

Imagens do equipamento mostram uma placa preta fixada na parede, com torneira metálica, moedeiro, um visor pedindo a inserção da moeda, uma pilha de copos descartáveis e uma tabuleta de madeira com a inscrição Cantinho da Cachaça. O reservatório da bebida é improvisado: uma garrafa plástica de ketchup reaproveitada, encaixada na torneira.

A proprietária foi procurada pelos policiais no local e inutilizou o aparelho ali mesmo, sem resistência. Em registro feito depois, o pingômetro aparece com o moedeiro coberto e um bilhete escrito à mão colado no painel: Não disponível.

A história, porém, não parou aí. Segundo o portal Linha Verdade, que esteve no local, o equipamento voltou a funcionar com uma alteração no sistema de pagamento: no lugar da moeda, agora é preciso uma ficha, e a ficha só pode ser adquirida dentro do bar. Na prática, a máquina deixou de ser autoatendimento de calçada e passou a depender de alguém do estabelecimento para liberar o acesso.

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A mudança responde justamente ao ponto que motivou a denúncia. Com moeda, qualquer pessoa que passasse pela rua acionava o equipamento a qualquer hora, com o bar aberto ou fechado. Com ficha, existe um atendente no meio do caminho, que é quem pode ou não entregar a peça a um adolescente.

Na versão mais comum, o pingômetro é só um objeto de decoração: um barril de madeira com torneira, vendido por menos de R$ 100 em lojas de utilidades para enfeitar área gourmet e churrasqueira. O que apareceu em Criciúma é outra coisa. Existe no mercado um modelo eletrônico de porte comercial, com moedeiro para moedas de R$ 1, dose configurável no tamanho e no preço e iluminação em LED. É uma máquina de autoatendimento de destilado.

A conduta de fornecer álcool a menor deixou de ser contravenção e virou crime em 2015. O artigo 243 do Estatuto da Criança e do Adolescente prevê detenção de dois a quatro anos, e multa, para quem vende, fornece, serve, ministra ou entrega bebida alcoólica a criança ou adolescente, ainda que de graça e de qualquer forma. Uma alteração de 2025 acrescentou que a pena sobe de um terço até a metade se o menor efetivamente consumir o produto. O trecho de qualquer forma é o que pesa aqui: máquina também é forma.

Por ora, o caso ficou no campo da averiguação. Para registrar o fato como ocorrência criminal seria preciso identificar uma criança ou adolescente que tenha usado o aparelho, e isso não ocorreu até o momento.

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Máquinas assim não são novidade no país. Em 2023, a Polícia Civil de São Paulo apreendeu na zona leste da capital um equipamento apelidado de vício express. O aparelho vendia cachaça, cigarro e papel de seda por R$ 1, sem qualquer restrição de acesso a crianças e adolescentes, e foi localizado depois de denúncias de moradores de que menores estariam comprando ali.

A Rua José Kaminski fica no bairro Linha Batista, área de Criciúma marcada pela colonização polonesa e com ruas majoritariamente residenciais. É um bairro de casas, não de vida noturna, o que ajuda a entender por que um dispensador de cachaça funcionando sozinho na calçada chamou atenção de quem mora em volta antes de chamar atenção da polícia.

O caso segue em averiguação. Denúncias sobre venda ou fornecimento de bebida alcoólica a menores podem ser feitas pelo 190, pelo Conselho Tutelar ou pelo Ministério Público, e a responsabilidade recai sobre quem disponibiliza a bebida, ainda que sem cobrar por ela.

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