A aparência jovem e o tom de voz do caminhoneiro Gabriel Allan Rodrigues, de 20 anos, continuam a lhe render situações inusitadas e contratempos burocráticos.
O motorista, que recentemente viralizou na internet após ser parado pela Polícia Militar sob a suspeita de que uma criança estivesse ao volante de um caminhão, já enfrentava barreiras em seu cotidiano bem antes da abordagem policial ganhar repercussão nacional.
Bloqueio por “segurança infantil” nas redes sociais
Nas redes sociais, a fisionomia do rapaz acabou acionando os alertas de segurança das plataformas digitais. Em um desabafo publicado no dia 9 de agosto, Gabriel revelou que teve o canal recém-criado no YouTube suspenso.
A empresa enviou uma notificação enquadrando suas publicações nas diretrizes de “segurança infantil”, sob a justificativa de que o site não permite “conteúdo que mostra menores fazendo atividades perigosas com risco de ferimentos físicos”.
O motorista criticou a limitação do sistema, que não ofereceu caminhos simples para que ele provasse sua maioridade e a legalidade de seu trabalho.
“Faz uns três dias mais ou menos que eu comecei a postar vídeo do meu dia a dia no YouTube e o meu canal foi proibido de postar vídeo porque, aparentemente, ele acha que eu sou menor de idade e o que eu faço é prática perigosa”, relatou Gabriel na publicação. “Ele não me deu nenhuma opção para tirar uma foto, alguma coisa para comprovar que está enganado. Tirar foto do documento, alguma coisa do tipo. Eu sou motorista de caminhão e comecei a fazer uns vídeos da minha rotina. Eu já sou habilitado. Se eu tenho habilitação de caminhão é porque eu não sou uma criança”, pontuou.
Desconfiança e teste prático no mercado de trabalho
Além dos entraves no mundo virtual, o preconceito e a desconfiança também afetaram a trajetória profissional do jovem no meio offline. Ao se candidatar a uma vaga de motorista em uma transportadora na cidade de Jaraguá do Sul, em Santa Catarina, Gabriel enfrentou o ceticismo do setor de recursos humanos.
O recrutador da empresa chegou a acreditar que o contato se tratava de um trote assim que viu a foto de perfil do candidato. A contratação só foi formalizada depois que o jovem provou sua capacidade técnica na prática, sendo submetido e aprovado em rigorosos testes de direção de veículos pesados.















