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Eleições 2026

Augusto Cury “desidrata” Flávio Bolsonaro e faz Lula liderar com 37%, diz pesquisa Quaest da Globo

Escritor do Avante saltou de 2% para 10% em menos de três semanas, enquanto o senador do PL caiu de 31% para 29%; levantamento ouviu 2.004 pessoas entre 30 de agosto e 1º de setembro

Augusto Cury “desidrata” Flávio Bolsonaro e faz Lula liderar com 37%, diz pesquisa Quaest da Globo
Foto: Reprodução
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A pesquisa Quaest divulgada nesta quarta-feira (2) mostra Lula (PT) na liderança da corrida presidencial com 37% das intenções de voto, oito pontos à frente do senador Flávio Bolsonaro (PL), que marca 29%. A grande novidade do levantamento é o escritor Augusto Cury (Avante), que saltou de 2% para 10% em menos de três semanas e se consolidou como terceira força na disputa — crescimento que aconteceu, em boa parte, às custas do candidato do PL. A pesquisa ouviu 2.004 pessoas entre 30 de agosto e 1º de setembro, com margem de erro de dois pontos percentuais.

A comparação com a rodada anterior da Quaest, divulgada em 14 de agosto, escancara o movimento. Naquele levantamento, Lula tinha 38%, Flávio Bolsonaro marcava 31% e Cury aparecia com apenas 2%. De lá pra cá, o senador perdeu dois pontos, o petista oscilou um para baixo e o escritor multiplicou por cinco a própria intenção de voto, abrindo a diferença entre os dois líderes de sete para oito pontos.

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O levantamento testou dois cenários de primeiro turno. No principal, sem Pablo Marçal (DC), Lula tem 37%, Flávio Bolsonaro 29% e Cury 10%. Na simulação que inclui Marçal — que registrou candidatura mesmo inelegível, com a Justiça Eleitoral ainda por decidir se ele pode concorrer —, Lula mantém os 37%, Flávio sobe para 30% e Cury segue com os mesmos 10%.

Atrás do trio de frente, o cenário é de pulverização. Renan Santos (Missão) aparece com 3%, enquanto Romeu Zema (Novo), Ronaldo Caiado (PSD) e Samara Martins (UP) marcam 1% cada. Clariana Barão (DC), Wilson Grassi (Democrata), Edmilson Costa (PCB), Rui Costa Pimenta (PCO) e Hertz Dias (PSTU) não pontuaram. Os indecisos somam 11%, e 7% declararam voto em branco, nulo ou disseram que não vão votar.

O desempenho de Cury é o dado que mexe com a corrida. O escritor de 67 anos, natural de Colina, no interior de São Paulo, vinha patinando na casa de 1% a 2% nas pesquisas até o fim de agosto e, em questão de dias, saltou para os dois dígitos. Na pesquisa BTG/Nexus divulgada na segunda-feira (31), ele registrou 11% e assumiu a terceira colocação, nove pontos acima do levantamento anterior do mesmo instituto, ultrapassando Caiado e Zema. Na terça-feira (1º), o Real Time Big Data também confirmou o movimento, com o candidato do Avante marcando 10% no cenário estimulado de primeiro turno.

A escalada nas pesquisas acompanha uma explosão do candidato no ambiente digital. Segundo levantamento da Vox Radar, Cury foi o presidenciável que mais ganhou seguidores no Instagram após o primeiro debate entre os candidatos, realizado em 22 de agosto: a base dele cresceu 19,4%, passando de cerca de 8,3 milhões para 9,9 milhões de seguidores, e o volume de buscas pelo nome dele no Google foi 900% maior na semana seguinte ao encontro. Desde então, o perfil já ultrapassou a marca de 10 milhões.

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O próprio candidato atribuiu a alta à mobilização espontânea de eleitores. “Eles têm estrutura. Nós temos gente”, comemorou Cury nas redes sociais, citando vídeos produzidos por eleitores, comentários e memes como exemplos do movimento que estaria ampliando o alcance da campanha.

O crescimento, porém, também gerou desconfiança. Segundo a coluna Igor Gadelha, do Metrópoles, grupos políticos adversários estudam acionar o TSE para pedir apuração do avanço do candidato no Instagram, sob suspeita de que o aumento de mais de 2 milhões de seguidores possa não ter ocorrido de maneira orgânica.

A Quaest reconheceu o novo peso do escritor na disputa. Esta é a primeira pesquisa eleitoral das Eleições 2026 a incluir um cenário de segundo turno com Augusto Cury entre as opções apresentadas aos entrevistados — até então, os institutos simulavam a segunda etapa apenas com Flávio Bolsonaro, Lula, Caiado, Zema e Renan Santos. Na rodada de 14 de agosto, Lula e Flávio estavam em empate técnico no segundo turno, com 43% contra 40%.

Flávio Bolsonaro disputa a Presidência como herdeiro político do pai. O ex-presidente Jair Bolsonaro, que cumpre pena de 27 anos e 3 meses pela tentativa de golpe de Estado e está inelegível até 2030, ungiu o filho mais velho como candidato do PL em dezembro do ano passado, e a escolha foi confirmada pelo presidente da legenda, Valdemar Costa Neto. Lula, por sua vez, busca o quarto mandato.

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A pesquisa foi encomendada pela Editora Globo e pela Globo Comunicação e está registrada no TSE sob o número BR-07065/2026. As 2.004 entrevistas foram feitas presencialmente com brasileiros de 16 anos ou mais, com nível de confiança de 95%. O primeiro turno das Eleições 2026 está marcado para 4 de outubro.

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