O Hospital Veterinário Santa Vida enviou ao Jornal Razão a nota oficial de esclarecimento reproduzida abaixo na íntegra, assinada pelo advogado Fabrício Reichert (OAB/SC 21.770), em 15 de setembro de 2026.
NOTA OFICIAL DE ESCLARECIMENTO
HOSPITAL VETERINÁRIO SANTA VIDA
O Hospital Veterinário Santa Vida lamenta profundamente a morte do Rufus. Quem trabalha todos os dias para salvar vidas sabe o que é perder uma, e sabe que nenhuma família deveria passar por essa dor. É precisamente por respeito a essa dor, e à verdade, que esta nota precisa ser publicada: a reportagem veiculada por este jornal foi produzida e publicada sem que o hospital fosse procurado, sem pedido de posicionamento e sem que nenhum dos profissionais envolvidos fosse ouvido.
Ao contrário do que foi veiculado, não se tratava de um caso simples. No fim de junho, o paciente foi atendido e constatou-se a necessidade de avaliação por médico especialista, realizada no primeiro dia de julho, quando foram solicitados exames complementares, naquele momento não autorizados pelo tutor. Dois dias depois, o tutor contatou o hospital para agendá-los, e os exames foram realizados na data marcada. No dia oito de julho, o paciente deu entrada em situação de emergência e foi imediatamente encaminhado à UTI, onde permaneceu sob suporte intensivo, incluindo ventilação mecânica para que conseguisse respirar, em quadro reconhecidamente gravíssimo, de conhecimento da família. Com a melhora do quadro, foi autorizado o procedimento cirúrgico, de alta complexidade e alto risco, realizado dois dias depois. O procedimento, previsto para o início da noite, teve seu horário ajustado, como ocorre em rotinas hospitalares que priorizam pacientes críticos, sem qualquer alteração no desfecho do caso: o paciente permaneceu sob cuidado intensivo ininterrupto, com equipe presente, até o momento da cirurgia. Próximo ao fim do procedimento, o paciente apresentou parada cardiorrespiratória. Todas as manobras de reanimação foram realizadas, sem sucesso.
A família foi imediatamente chamada, e o ocorrido foi comunicado e explicado. Nesse momento, o tutor exaltou-se, desferiu socos na mesa e passou a proferir gritos e ameaças, afirmando que iria atrás de cada um dos envolvidos e exigindo os nomes de todos os profissionais. A médica veterinária presente sentiu-se ameaçada, precisou se abrigar em outra área do hospital e afastar-se de suas atividades, recebendo acompanhamento após o episódio. Pela primeira vez em sua história, o hospital precisou acionar a Polícia Militar, e os fatos geraram Boletins de Ocorrência, estão registrados pelas câmeras de segurança e já foram entregues ao Poder Judiciário, a quem cabe sua valoração. Compreendemos, com toda a humanidade possível, que receber a notícia da morte de um ser tão amado é devastador. Mas a dor não anula o direito de profissionais de saúde trabalharem em segurança.
Ainda assim, o atendimento à família foi integral e está documentado. O caso foi acompanhado pela Ouvidoria do hospital desde o primeiro contato. Três dias após o falecimento, o prontuário completo foi entregue, com todos os relatórios, exames e termos de consentimento assinados. Todos os questionamentos formalizados foram respondidos, um a um, por escrito. A devolução de valores referentes a serviços não utilizados foi comunicada por iniciativa do próprio hospital, antes de qualquer ação judicial. A reunião presencial solicitada foi a única tratativa não realizada, precisamente em razão das ameaças e exigências descritas acima. Diante delas, o hospital conduziu todas as tratativas por escrito, de forma documentada, respondendo a tudo.
O caso encontra-se judicializado, e o próprio hospital requereu a realização de perícia técnica, por não ter nada a temer da apuração completa e isenta dos fatos. A divulgação de acusações caluniosas e desprovidas de amparo técnico compromete gravemente a reputação de uma instituição idônea e de profissionais que dedicam suas vidas, dias, noites e madrugadas, aos animais desta região. Contra essas acusações, assim como contra as ameaças explícitas de violência dirigidas a nossos profissionais nos comentários da própria matéria, serão adotadas todas as medidas legais cabíveis.
Às milhares de famílias que confiam seus animais ao Santa Vida há tantos anos: seguimos aqui, com o mesmo compromisso de sempre. Cuidar é a nossa razão de existir, inclusive nos desfechos que nos doem junto com vocês. Porque quem dedica a vida a salvar vidas não desiste delas. Nem nos dias mais difíceis.
Por força do artigo quarto da Lei número 13.188, de 2015, requer-se a publicação deste texto de resposta na íntegra, no mesmo espaço, página, dia da semana e com o mesmo destaque conferido à matéria jornalística originária, de modo a garantir à sociedade o acesso à informação fidedigna e imparcial.


Fabrício Reichert
OAB/SC 21.770















