“Ele não era só um cachorro, era como um filho.” É assim que Tiago descreve Rufus, o bulldog inglês que a família buscou em 10 de setembro de 2021 e que morreu no dia 10 de julho, internado no Hospital Santa Vida. Dois meses depois, ele diz que ainda não teve as respostas que pediu.
Segundo o tutor, Rufus vinha apresentando engasgos desde o fim de junho. Ele conta que levou o animal ao hospital, que foi pedida uma bateria de exames e que chegou a ligar para a ouvidoria da unidade cobrando celeridade nos resultados, para que o cão fosse liberado para a cirurgia. A gravação dessa ligação, afirma, é um dos itens que ele pede que o hospital forneça.
No dia 8, a esposa dele levou Rufus para o primeiro exame, que avaliaria a garganta. O animal não voltou para casa: foi encaminhado direto para a UTI. No dia 9, passou por uma traqueostomia e recebeu um traqueotubo para respirar melhor. “Eu não pude me despedir dele”, diz Tiago, que estava trabalhando quando o cão saiu de casa.
A cirurgia estava marcada para acontecer entre 18h e 19h do dia 10, mas, conforme o relato do tutor, só começou às 21h por atraso da anestesista. O procedimento teria terminado antes das 22h. A família, no entanto, afirma que só foi avisada e chamada ao hospital perto da meia-noite. De acordo com Tiago, a veterinária que os recebeu informou que o traqueotubo entupiu e que Rufus evoluiu para uma parada cardiorrespiratória.

Foi nesse momento, diz ele, que a situação escalou. Tiago admite ter socado uma mesa ao receber a notícia e cobrar explicações sobre a conduta durante o procedimento. Em seguida, afirma, o hospital acionou a polícia para retirá-lo do local. “Tudo que eu queria era resposta”, diz. Ele relata que, ao descer, encontrou policiais com arma em punho à sua espera.
A família sustenta que foi impedida de ver o corpo do cão naquela noite e que só conseguiu se despedir no dia seguinte, quando a empresa de cremação foi buscar o animal. Ainda segundo Tiago, o atestado de óbito e o prontuário atualizado não foram entregues na hora. O prontuário, afirma, chegou sete dias depois.

O tutor diz também ter tido acesso a conversas internas entre profissionais da unidade, nas quais seria tratado como “louco”, “maluco” e “doido”. “Um profissional que trabalha com vidas se referia ao pai de um cachorro por louco”, afirma. Ele conta que voltou ao hospital para pedir uma reunião presencial com todos os envolvidos, que a ouvidoria solicitou suas dúvidas por e-mail e que, em vez de marcar o encontro, respondeu por escrito e encerrou o atendimento de forma unilateral. O contrato de Rufus, segundo ele, segue pago e ativo.
Tiago afirma que há um processo em andamento e pede que as pessoas analisem o vídeo e os boletins de ocorrência do caso antes de formar opinião, e que pesquisem sobre os locais antes de levar seus animais. “Já não chega perder o animalzinho e ainda passar por toda essa situação”, diz. A reportagem mantém o espaço aberto para a manifestação do Hospital Santa Vida e dos profissionais citados.















