O programa Bora Acordar recolheu cerca de 4 mil facas das ruas de São José, na Grande Florianópolis, durante as ações de abordagem a pessoas em situação de rua. O número é apresentado pelo vice-prefeito do município, Michel Schlemper (PL), criador da iniciativa e candidato a deputado estadual.
A retirada desses objetos é uma das frentes do programa. A lógica é simples: tirar de circulação facas e outras peças cortantes que possam ser usadas em ameaças, agressões e crimes nos pontos onde há concentração de pessoas em situação de rua, como calçadas, portas de estabelecimentos comerciais e praças.
Para Schlemper, o volume acumulado escancara um cenário que o poder público vinha tratando como paisagem.
“Estamos falando de 4 mil facas que estavam nas ruas. Não dá para tratar isso como algo normal. Uma faca na mão de um criminoso fantasiado de morador de rua é ameaça para comerciantes, moradores e para quem passa pelo local. Segurança pública também é prevenção”, afirma.
O Bora Acordar parte de uma premissa direta, segundo o vice-prefeito: o poder público precisa ir até onde o problema está, fazer a abordagem no lugar e oferecer encaminhamento, em vez de esperar que a pessoa procure a rede de assistência por conta própria. A atuação combina abordagem, orientação e direcionamento para os serviços sociais do município.
O programa nasceu de uma queixa recorrente de quem vive e trabalha nas áreas centrais: a sensação de insegurança diante de ocupações permanentes em calçadas e portas de comércio, muitas vezes acompanhadas de abordagens agressivas. A resposta desenhada por Schlemper tenta atuar nos dois lados dessa equação ao mesmo tempo.
“O Bora Acordar não é sobre fingir que o problema não existe. É sobre enfrentar. Tem que acolher quem precisa de ajuda, mas também tem que garantir ordem e segurança para quem mora, trabalha e circula pela cidade”, diz.
É justamente esse desenho que deu repercussão ao programa em São José. Ao propor uma atuação mais direta, a iniciativa colocou no centro do debate municipal uma discussão que costuma ficar dividida entre duas áreas que raramente conversam: a assistência social, que acolhe, e a segurança pública, que fiscaliza.
Schlemper avalia que a experiência acumulada no município pode servir de referência para outras cidades catarinenses que convivem com o mesmo cenário nos centros urbanos, e cobra que o problema deixe de ser apenas deslocado de um bairro para outro.
“Se em São José conseguimos chegar a esse resultado, é porque existe uma forma diferente de enfrentar esse problema. Não podemos simplesmente empurrar a situação de um lugar para outro. Precisamos agir”, afirma.
Para o criador do programa, as 4 mil facas medem o tamanho do desafio e reforçam a necessidade de políticas permanentes, que unam segurança, assistência e fiscalização em vez de ações pontuais que se esgotam em uma operação.
“Quatro mil facas não são quatro mil números. São quatro mil situações de risco que deixaram de estar nas ruas”, conclui.























