Thor Cugnier Guenther, de 21 anos, trabalha há dois anos como guia no parque de dinossauros de Balneário Camboriú e já publicou seis livros. Diagnosticado com autismo, o jovem transformou seu hiperfoco em dinossauros em profissão e carreira literária, ganhando destaque nas redes sociais.
A contratação aconteceu após paleontólogos que atuam no parque conhecerem o repertório de Thor sobre o tema. Segundo o jovem, os profissionais indicaram seu nome ao proprietário do espaço, que ofereceu a vaga. “Quando o chefe soube da minha existência, graças à minha assessora de imprensa, também conhecida como a minha mãe, e os paleontólogos viram como eu sabia muito de dinos, me ofereceram a proposta de emprego”, contou.
Thor admitiu que sentiu medo no início. Temia ser ignorado pelos visitantes ou não ser levado a sério. Dois anos depois, o cenário é o oposto. O trabalho no parque começou a ganhar repercussão de forma espontânea, quando o jovem passou a gravar vídeos relatando suas experiências como guia, com tom bem-humorado e linguagem própria. O conteúdo viralizou e passou a ser visto como uma forma de mostrar as possibilidades de inclusão de pessoas autistas no mercado de trabalho. “A gente pensou: esse é um canal pras pessoas entenderem essa cabeça de funcionamento e estimular os empresários a abrirem suas portas”, explicou a mãe do jovem, Claudia Cugnier Guenther.

Antes de trabalhar no parque, Thor já escrevia desde a época da escola. Seu primeiro trabalho, o livro infantil “Bebê Dragão”, chegou a ser apresentado no programa Encontro, da TV Globo. Ao longo dos anos, publicou seis obras, produz animações para o YouTube e o Instagram com personagens e roteiros próprios, sempre voltados à comédia. Também chegou a ter uma loja onde transformava seus desenhos em estampas de camisetas e canecas. Seus hiperfocos, além dos dinossauros, incluem animais selvagens, mitologia grega e obras clássicas de literatura.
Em abril, mês de conscientização sobre o autismo, Thor usou suas redes para deixar uma reflexão. “Esse não é o momento de comemorar com balões e festas, porque pra isso ainda falta muito. É o momento da gente refletir sobre as pessoas invisíveis, as pessoas autistas, neurodivergentes”, disse. O jovem pediu que professores busquem compreender as necessidades de alunos neurodivergentes e que colegas incluam pessoas autistas em atividades do dia a dia, como ir à praia, a um restaurante ou ao cinema.


