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Investidores da Ufit cobram retorno de 2% ao mês previsto em contrato e vão à Justiça em Santa Catarina

Contratos obtidos pela reportagem garantem retorno mínimo de 24% ao ano a sócios-investidores de unidades da Ufit. Dois investidores afirmam que os pagamentos pararam, que os prazos mudaram sem consulta e que houve pressão para o caso não vir a público. Em nota, a Ufit diz que cumpre os contratos.

Investidores da Ufit cobram retorno de 2% ao mês previsto em contrato e vão à Justiça em Santa Catarina
Foto: Reprodução
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Sócios-investidores de unidades da rede de academias Ufit em Santa Catarina afirmam não estar recebendo o retorno garantido em contrato e recorreram à Justiça. Os relatos são de Emillyn Stefany de Souza Lima, sócia das unidades de Tijucas e do Pagani, na Palhoça, e de Paulo Cesar Coelho, sócio da unidade de Tijucas.

O Jornal Razão teve acesso a três contratos assinados em fevereiro e março de 2025, que somam R$ 425 mil em aportes. São instrumentos de opção de subscrição de participação societária firmados por João Pedro Morais, apontado nos documentos como detentor da marca U Fit Academia, e pelos investidores.

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O que os contratos preveem

A cláusula quinta dos três documentos, intitulada “garantia de retorno do investimento”, assegura ao investidor faturamento mensal líquido médio de, no mínimo, 2% sobre o valor aplicado, pago trimestralmente sob a forma de distribuição de lucros. O texto fixa retorno anual não inferior a 24% e estabelece os trimestres de pagamento conforme o calendário fiscal do lucro presumido.

Nos contratos de Emillyn e de Paulo, a mesma cláusula prevê que a Ufit complementa a diferença caso o resultado fique abaixo dos 24% e que o excedente é repassado integralmente ao investidor se ficar acima. Essa garantia, porém, vale apenas até que o investidor recupere o valor total aportado, ponto que Emillyn afirma não ter sido informado na venda. Os documentos também asseguram livre acesso aos registros financeiros e contábeis das unidades.

A administração cabe isoladamente ao sócio majoritário, e a gestão fica a cargo da empresa Administrativo Fitness Ltda, que recebe taxa de 12% sobre o faturamento bruto mensal. Há ainda cláusulas de confidencialidade e não concorrência por cinco anos após a saída do quadro societário e multa de 20% sobre o valor investido em caso de descumprimento.

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O contrato de Emillyn, de 13 de fevereiro de 2025, prevê 2,5% das quotas da unidade Ufit Tijucas – Praça, na Rua Lauro Müller, por R$ 75 mil. O de Paulo, de 28 de março, prevê 5% da mesma unidade, por R$ 150 mil. O terceiro, assinado por Tainara Costa da Silva em 4 de fevereiro, prevê 5% da unidade Jardim Atlântico, em Florianópolis, por R$ 200 mil. Em nota, a Ufit confirma que Emillyn aplicou R$ 100 mil em uma unidade e R$ 75 mil em outra, totalizando os R$ 175 mil citados por ela.

O relato de Emillyn

Emillyn conta que chegou ao investimento por um anúncio patrocinado da própria rede e que a vendedora lhe apresentou o retorno de 2% ao mês como garantido e vitalício. Segundo ela, o percentual só foi atingido nos primeiros 30 dias, e apenas porque a empresa antecipou recebíveis de cartão de alunos que haviam parcelado pacotes anuais, lançando o valor como lucro dos investidores. Depois vieram os cancelamentos de matrícula e o resultado nunca mais se sustentou.

Ela afirma que os pagamentos trimestrais foram feitos por um período mesmo sem o resultado correspondente e depois foram interrompidos, com a informação de que só ocorreriam quando cada unidade completasse um ano. A do Pagani completou o prazo e foi paga. A de Tijucas completou um ano em 5 de julho e, segundo ela, o pagamento deveria ter sido feito em agosto, o que não aconteceu. Em seguida, diz, foi informada de um novo prazo, de um ano e três meses, sem consulta aos sócios. O contrato não prevê carência: fixa pagamento trimestral a partir da abertura da unidade.

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A investidora afirma que pediu balanço patrimonial, DREs e prazos de pagamento e não obteve resposta, apesar da cláusula que garante acesso aos registros contábeis. Diz também que recebeu notificação do Serasa apontando duas restrições em seu nome, referentes a contas de telefonia de julho e agosto das unidades de Tijucas e do Pagani, cujas saídas, segundo ela, constavam na DRE apresentada aos sócios.

A negociação das cotas

Emillyn afirma que, depois de começar a publicar o caso nas redes sociais, foi procurada para negociar a venda de suas cotas com duas condições: apagar tudo o que havia publicado e não conceder entrevista ao Jornal Razão. Ela diz que apagou as publicações e que, a partir daí, passou a ser cobrada a entregar os nomes de pessoas que, segundo a empresa, estariam pagando R$ 10 mil a ela para produzir a reportagem. Afirma que gravou as ligações.

Segundo a investidora, foi oferecido R$ 120 mil, enquanto o total reconhecido por ela seria de R$ 142 mil. Ela relata que o contrato de compra e venda enviado previa multa de R$ 100 mil caso voltasse a citar o nome da rede, exigia a entrega em sete dias de prints, documentos e áudios de outros sócios que a haviam procurado e ainda a obrigava a publicar uma retratação. Diz que se recusou a assinar e que as conversas foram encerradas.

“A minha intenção não é prejudicar ninguém. É para que ninguém mais compre cota da Ufit e não passe pelo que eu estou passando”, afirma.

O relato de Paulo

Paulo Cesar Coelho conta que teve uma reunião com o proprietário no escritório da empresa, onde foi apresentado o desempenho de uma unidade em Morretes, em Itapema, com retorno próximo de 3% a 5%. A ideia, segundo ele, era deixar as cotas como reserva para os filhos gêmeos, recém-nascidos na época.

Conforme Paulo, o primeiro mês teve retorno vindo da antecipação de valores. No mês seguinte o depósito foi menor, e a soma do trimestre não correspondia ao prometido. Depois disso os resultados passaram a ser negativos e os pagamentos cessaram. Ao completar um ano de operação da unidade, ele afirma ter cobrado o pagamento e ouvido que só ocorreria em um ano e três meses, prazo que também venceu sem depósito.

A família entrou com ação judicial, que tramita sob o número 5017218-87.2026.8.24.0005. Paulo afirma que, por meio do processo, teve acesso a documentação da empresa e cita, entre os pontos apurados, retiradas de valores acima do permitido. “É pegar o dinheiro, amassar e jogar no lixo”, resume.

Emillyn afirma que há um grupo com mais de 17 sócios insatisfeitos, cada um com suas reclamações e documentos. Paulo também diz ter contato com outros investidores em situação semelhante.

O que diz a Ufit

Em nota de esclarecimento enviada por escrito ao Jornal Razão, a Ufit afirma que os contratos estabelecem as condições dos investimentos, incluindo a previsão de retorno mínimo de 2% ao mês e os mecanismos de ressarcimento. Segundo a empresa, na unidade em que foi feito o maior investimento a garantia já foi cumprida, e na segunda o procedimento seguirá os prazos previstos em contrato.

A nota afirma que o desempenho financeiro das unidades pode variar de um mês para outro, como em qualquer atividade empresarial, e que a investidora contou com a proteção do retorno mínimo, condição que continua sendo observada. Sobre a falta de resposta, a Ufit diz que não houve intenção de bloquear o contato e atribui o desencontro a uma mudança recente no número de telefone da direção, com o número anterior passando à diretoria de operações. A empresa afirma manter um profissional responsável pelo relacionamento com investidores, que procurou a investidora e prestou esclarecimentos.

Quanto à venda da participação, a rede diz que qualquer negociação deve seguir as regras do contrato e que não pode realizar unilateralmente uma operação que dependa de condições contratuais ou de terceiros. A Ufit lamenta que questões internas tenham sido levadas às redes sociais antes do esgotamento dos canais de diálogo, afirma que os documentos estão preservados e reafirma que tem cumprido os compromissos assumidos. Por fim, declara que não fará comentários sobre questões pessoais nem responderá a ataques dessa natureza.

A nota trata apenas da situação de Emillyn. Não menciona o caso de Paulo, a ação judicial, as restrições no Serasa nem a cláusula de multa descrita na proposta de compra das cotas. A reportagem segue à disposição para novas manifestações.

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