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Dona de “banquinha” desabafa após pessoas levarem produtos sem pagar pela segunda vez em SC

Vídeo da proprietária do Pegue e Pague Direto da Roça, em Alfredo Wagner, na Grande Florianópolis, viralizou com apelo a quem levou a mercadoria: “pense nas minhas crianças”

Dona de “banquinha” desabafa após pessoas levarem produtos sem pagar pela segunda vez em SC
Foto: Reprodução
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A dona de um pegue e pague na comunidade de Santa Bárbara, no interior de Alfredo Wagner, na Grande Florianópolis, gravou um vídeo para contar que, pela segunda vez, alguém levou produtos da banca sem deixar o pagamento. O desabafo, publicado no perfil do Pegue e Pague Direto da Roça, viralizou nos últimos dias, foi republicado por páginas regionais e reuniu mensagens de apoio de todo o estado.

O negócio funciona no modelo tradicional das colônias catarinenses: os produtos da roça ficam expostos em uma banca sem vendedor, com os preços à vista, e o próprio cliente escolhe o que quer levar e deixa o pagamento por conta própria. Não há ninguém conferindo. O sistema depende inteiramente da honestidade de quem passa.

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“Pessoal, hoje eu vim aqui falar algo com vocês que não é fácil pra gente”, começa a proprietária, que aparece sozinha diante da câmera, com uma parede de madeira ao fundo. “O Pegue e Pague nasceu da honestidade e da confiança. Não são apenas produtos. É o esforço, a dedicação e o trabalho de uma família.”

Segundo calote

Ela conta que já é a segunda vez que a família descobre mercadoria retirada sem pagamento. “Infelizmente, pela segunda vez, levaram um produto sem pagar”, diz. Ela não detalha qual foi o produto nem o valor, mas descreve o que cada item da banca representa para quem produz. “Pra quem pega, pode ser pouca coisa, mas pra quem trabalha todos os dias, tudo tem valor de muitas horas de trabalho e de dedicação, de tempo de estar com os nossos filhos, de estar fazendo um lazer. Às vezes a gente deixa até de sair de casa.”

A proprietária diz que não pretende julgar ninguém e recorre à Bíblia para deixar um recado a quem levou os produtos. “Eu não venho aqui julgar ninguém, mas vou deixar uma coisa pra consciência de vocês. Tudo que o homem semear, isso também ele colherá. Gálatas 6:7.” Na sequência, explica por que a família manteve o modelo mesmo depois do primeiro calote: “Escolhemos trabalhar com confiança porque acreditamos na honestidade das pessoas.”

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O apelo mais direto vem logo depois, dirigido a quem cometeu o ato. “Se você fez isso e está vendo esse vídeo, se quiser devolver os produtos ou até pagar por eles, fique à vontade. E se não fizer, eu só te peço que, antes de fazer de novo, você pense nas minhas crianças.”

Ela explica que os dois filhos acompanham a rotina do negócio desde o começo. “Eu tenho dois filhos e eles estão sempre junto com a gente, trazendo as coisas aqui, vendo a gente trabalhar, vendo a gente se dedicar. É o ganha-pão da nossa família. A gente precisa disso pra sobreviver.”

Em outro trecho, a proprietária resume o que está em jogo. “Por trás do Pegue e Pague tem muito mais do que só o Pegue e Pague. Tem muito trabalho, muito esforço, muito suor e muitos sonhos. E dois filhos esperando em casa.” Ela também agradece a quem paga certinho e ajuda a divulgar a banca: “Vocês estão nos ajudando a continuar acreditando que fazer o bem vale a pena.”

No fim do vídeo, ela pede que as pessoas curtam, comentem e compartilhem, algo que, segundo ela, nunca tinha pedido antes, para que o recado chegue a mais gente. E avisa que a família não vai ficar parada: “As providências cabíveis já serão tomadas.” Ela não diz quais medidas serão adotadas nem se o caso foi registrado na polícia.

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Repercussão

A repercussão veio rápido. Nos comentários, uma seguidora se ofereceu para pagar do próprio bolso o prejuízo e pediu que a proprietária informasse o valor levado. Outros sugeriram a instalação de câmeras no local, com o argumento de que cliente honesto não se incomoda em ser filmado. Uma moradora da região relatou ter passado por situação parecida e disse que também teve pertences levados. Donos de outros negócios do tipo self-service escreveram que enfrentam o mesmo problema.

O pegue e pague é uma tradição das áreas rurais de Santa Catarina, sobretudo nas regiões de colonização europeia, onde famílias vendem verduras, ovos e outros produtos da propriedade na beira da estrada sem precisar de alguém no balcão. O modelo reduz custo e permite ao agricultor seguir na lavoura enquanto a banca vende sozinha, mas fica exposto exatamente ao que aconteceu em Alfredo Wagner: basta uma pessoa desonesta para o prejuízo cair inteiro sobre quem produziu.

O vídeo segue no ar no perfil do negócio e a proprietária não fala em fechar a banca nem em abandonar o sistema de confiança. Até agora, a família não informou se alguém procurou o pegue e pague para devolver ou pagar os produtos levados.

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