Uma menina foi flagrada pelo pai, em Santa Catarina, no meio de um comício na cozinha de casa. Com uma toalha branca atravessada no peito, no lugar da faixa presidencial, ela encostou na parede, levou à boca um objeto fazendo as vezes de microfone e, descalça, abriu a campanha. Na frente dela, um menino de celular em punho cuidava da cobertura.
O plano de governo tem uma franqueza que marqueteiro nenhum aprovaria. A candidata promete tirar o dinheiro do povo, “dos pobres, dos ricos e dos aposentados”. O destino do recurso também já está definido: “Dinheiro vai tudo pro governo, os pobres que vão se lascar”.
Depois vem a política alimentar: “Agora vão comer picanha vegana”. Alguém estranha: “Picanha vegana?”. A resposta sai em uma palavra: “Abóbora”.
A piada é mais velha que boa parte do eleitorado dela. Na campanha de 2022, Lula prometeu que o brasileiro voltaria a comer picanha. Em março de 2023, já presidente, relançou no Recife o Programa de Aquisição de Alimentos e disse que ninguém passaria fome no país: “Vai comer abóbora, melancia, melão”. No vídeo de divulgação, ele aparece segurando uma abóbora. A oposição não precisou de mais nada. O senador Sergio Moro resumiu em “prometeu picanha e entregou abóbora”, e Flávio Bolsonaro também entrou na brincadeira. O “vegana” é contribuição da candidata.
No fim do discurso, ela se declara do povo. A gravação acaba quando uma voz pergunta o que os dois estão fazendo ali.
O pai publicou o vídeo e escreveu na tela que descobriu “dois candidatos em casa” e que “o povo já está acreditando”. Também quis saber em quem o público votaria. Na legenda, o número 22, o do PL, e uma observação: “O problema não é a promessa… é que eu já vi esse discurso antes”. O vídeo foi repostado por uma página de Navegantes e Penha, no Litoral Norte catarinense.
Em ano de eleição, é a única chapa do país em que nenhum dos integrantes tem idade pra votar em si mesmo.















