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Eleições 2026

Zé Trovão é chamado de “camisa 10 do Lula” após colocar Flávio em saia justa, mas Mendonça rejeita ação

Deputado catarinense do PL foi ao TSE contra o aumento do Bolsa Família, contrariou a campanha do próprio partido e virou peça de propaganda do PT. Horas depois, o ministro André Mendonça rejeitou o pedido por entender que ele não tem legitimidade para esse tipo de ação.

Montagem com Flávio Bolsonaro, Zé Trovão, Lula e André Mendonça, com cartão do Bolsa Família em primeiro plano
Foto: Reprodução
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O deputado federal Zé Trovão (PL-SC) passou a quinta-feira (17) apanhando da própria direita. Ele apresentou ao Tribunal Superior Eleitoral uma ação para suspender o reajuste de 15,04% do Bolsa Família, anunciado por Lula a 17 dias do primeiro turno, e acabou chamado nas redes de “camisa 10 do Lula”. No começo da noite, o ministro André Mendonça, sorteado relator do caso, rejeitou a ação. O ministro apontou que o deputado não tem legitimidade para ingressar com esse tipo de pedido na Justiça Eleitoral.

A decisão encerra a ação sem que a discussão sobre a legalidade do aumento tenha sido julgada. O estrago político, porém, já estava feito: durante toda a tarde, o pedido de um deputado do PL para segurar o dinheiro do Bolsa Família foi o assunto da campanha.

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O reajuste foi formalizado por decreto assinado por Lula em Brasília. O piso do programa sai de R$ 600 para R$ 691 e o benefício médio passa de R$ 675 para R$ 777, com o primeiro turno marcado para 4 de outubro. O primeiro pagamento com o valor novo começa em 19 de outubro, depois do primeiro turno e antes do segundo. O programa alcança 19,29 milhões de famílias, e o governo calcula o custo em R$ 5,8 bilhões ainda em 2026 e R$ 22 bilhões em 2027.

Na representação, Zé Trovão, que é candidato à reeleição, pedia em caráter liminar que o TSE suspendesse apenas o aumento e mantivesse os valores anteriores até o julgamento ou até o fim do processo eleitoral. Pedia também multa e, se o tribunal visse gravidade suficiente para comprometer a igualdade entre os candidatos, a cassação do registro ou do diploma de Lula. O argumento central era o artigo 73 da Lei das Eleições, que proíbe a distribuição gratuita de benefícios pela administração pública em ano eleitoral.

O deputado tentou afastar a leitura de que queria mexer no programa. “Não estamos questionando o Bolsa Família”, afirmou ao divulgar a ação. Os advogados repetiram na petição que o alvo era só o acréscimo anunciado durante a campanha, e não os pagamentos já existentes.

O problema é que a campanha de Flávio Bolsonaro, candidato do PL à Presidência, já tinha feito essa conta e chegado a outra conclusão. A equipe do senador avaliou recorrer ao TSE, mas desistiu por receio de prejudicar o desempenho dele entre os eleitores de menor renda. Integrantes da campanha tratam o reajuste como uma “casca de banana”: atacar o aumento em si abriria espaço para Lula apresentar o adversário como contrário a mais dinheiro para famílias pobres. Horas antes, em Vitória da Conquista, na Bahia, Flávio tinha chamado a medida de “ilegal” e de “ato de desespero”, mas fez questão de dizer que o Bolsa Família será mantido se for eleito.

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O PT não esperou o tribunal pra explorar a brecha. No perfil oficial do partido, a ação virou peça de campanha no mesmo dia: “O partido da família Bolsonaro ataca de novo o Bolsa Família”, diz a publicação, acompanhada de um vídeo de Lula com a tarja “Deputado do PL tenta impedir reajuste do Bolsa Família”. Perfis de apoio ao presidente foram além e espalharam artes com a frase “Partido de Flávio Bolsonaro entra na Justiça contra o aumento do Bolsa Família”, embora a ação tenha sido apresentada individualmente pelo deputado, sem participação da campanha. O secretário de Comunicação do PT, Éden Valadares, disse que a campanha de Flávio quer “a volta da fila do osso”.

Foi daí que veio o apelido. Influenciadores e perfis bolsonaristas chamaram Zé Trovão de “jumento”, pediram que ele não seja reeleito e disseram que ele caiu numa armadilha montada pelo governo. O ex-vereador de São Paulo Fernando Holiday, filiado ao PL, ironizou o colega de partido: “Imaginem: o aumento suspenso em todo país pelo Ministro indicado de Bolsonaro a pedido de um deputado do partido de Flávio Bolsonaro”, escreveu, antes de fechar com um “Um jênio”, grafado assim mesmo.

O sorteio também tinha deixado Mendonça em posição delicada. Indicado ao Supremo Tribunal Federal por Jair Bolsonaro, em 2021, ele é vice-presidente do TSE desde maio de 2026. Integrantes da campanha de Lula diziam que, se o ministro decidisse sobre o tema antes das eleições, seria acusado de beneficiar um dos lados. Se suspendesse o reajuste, o PT ganharia o discurso de que a direita tirou R$ 91 de quase 20 milhões de famílias. Se negasse no mérito, o aumento que Flávio chamou de ilegal sairia do tribunal com o aval de um ministro que o bolsonarismo vê como aliado. Ao rejeitar a ação por falta de legitimidade do autor, Mendonça não fez nem uma coisa nem outra.

O governo sustenta que o reajuste está dentro da lei. A Advocacia-Geral da União argumenta que o programa já estava em execução antes de 2026, que não houve ampliação do número de beneficiários e que não há ganho real acima da inflação. Pelos cálculos oficiais, o INPC acumulado desde o início do programa até agosto foi de 15,04%. O histórico também pesa contra a oposição: em agosto de 2022, ano em que Jair Bolsonaro disputava a reeleição, o então Auxílio Brasil subiu de R$ 400 para R$ 600.

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A rejeição no TSE não encerra o assunto. O Ministério Público junto ao Tribunal de Contas da União pediu que a Corte suspenda o reajuste, em representação assinada pelo procurador Lucas Furtado, que aponta impacto orçamentário imediato sem indicação de dotação prévia. No Congresso, a expectativa é que a reação da oposição fique com o coordenador da campanha de Flávio, o senador Rogério Marinho (PL-RN), com foco no momento escolhido pelo governo, e não no valor pago às famílias. Os pagamentos reajustados seguem previstos para 19 de outubro.

Especial Eleições 2026 em SCCandidatos com dados do TSE, sabatinas, pesquisas e calendário — cobertura completa
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