Santa Catarina entra nesta segunda-feira (21) com 155 municípios sob alerta vermelho do Inmet (Instituto Nacional de Meteorologia), o nível mais alto da escala do órgão, por causa de uma frente fria que empurra temporais severos sobre o estado. O aviso de grande perigo vale das 0h às 23h59 e prevê chuva acima de 60 milímetros por hora, ou mais de 100 milímetros em um único dia, ventos que passam de 100 km/h e queda de granizo.
O mesmo alerta alcança municípios do Paraná e do Rio Grande do Sul. Segundo o Inmet, as condições previstas trazem grande risco de danos em edificações, interrupção no fornecimento de energia elétrica, estragos em plantações, queda de árvores, alagamentos e transtornos no transporte rodoviário.
A Defesa Civil de Santa Catarina desenhou o mapa do risco por faixas. O Extremo Oeste e o Oeste aparecem em vermelho, com risco muito alto para temporais severos, granizo, vendavais, destelhamentos, enxurradas e danos na rede elétrica. Em laranja, com risco alto, ficam o Meio-Oeste, o Planalto Sul, o Planalto Norte, a Grande Florianópolis, todo o Vale do Itajaí e o Litoral Norte. O Litoral Sul está em risco moderado.
Na lista do Inmet estão cidades de peso em praticamente todo o interior e no sul catarinense: Chapecó, São Miguel do Oeste, Xanxerê, Xaxim, Concórdia, Joaçaba, Campos Novos, Lages, São Joaquim, Urubici, Criciúma, Tubarão, Içara, Forquilhinha, Araranguá, Laguna, Orleans, Urussanga, Sombrio e Praia Grande, entre outras. O Extremo Oeste concentra a faixa mais exposta, com municípios como Dionísio Cerqueira, Guarujá do Sul, Palma Sola, Anchieta, Maravilha e Pinhalzinho.
A origem do temporal está fora do estado. O Inmet aponta a passagem de um ciclone extratropical pela costa da Argentina entre domingo (20) e segunda-feira (21), que ajuda a organizar a frente fria avançando sobre o Sul do Brasil. Áreas de baixa pressão no interior da América do Sul, entre o norte argentino e o Paraguai, sustentam a instabilidade, e o fortalecimento do jato de baixos níveis na dianteira da frente é o que intensifica o vento.
O avanço pelo estado acontece em etapas. As primeiras instabilidades se formam no Litoral Sul e no Planalto Sul e caminham para a Grande Florianópolis e o Vale do Itajaí entre o fim da manhã e o início da tarde. No Grande Oeste, as primeiras tempestades se armam entre o fim da manhã e o começo da tarde. No Litoral Norte e no Planalto Norte, o sistema ganha força mais perto da noite.
O acumulado é o outro ponto de atenção. A previsão de chuva do Inmet até o fim da noite de segunda mostra uma faixa entre Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul com volumes que chegam a 150 milímetros. É água demais em pouco tempo para cidades que já passaram o fim de semana debaixo de chuva, o que eleva o risco de enxurrada em terreno encharcado e de deslizamento em encosta.
A Conexão Geoclima projetou tempestades se desenvolvendo rapidamente sobre o Centro-Norte gaúcho entre a tarde e a noite de domingo, com os temporais avançando depois para o Leste do Rio Grande do Sul e para o Centro-Leste catarinense. O portal aponta potencial para chuva volumosa em curto período, fortes rajadas e granizo, e registra que, de forma extremamente localizada, não é possível descartar algum fenômeno tornádico, caso células mais organizadas encontrem condições favoráveis à rotação.
Na prática, o pacote de riscos é o que costuma aparecer nas ocorrências de vendaval em Santa Catarina: telhado arrancado, árvore e poste no chão, bairro sem luz, rua alagada e lavoura castigada pelo granizo às vésperas da colheita. No Oeste, onde o risco é muito alto, a Defesa Civil pede atenção redobrada para transtornos graves.
O episódio vem logo na sequência de outro. Dias atrás, a passagem de um ciclone extratropical já tinha colocado 226 cidades catarinenses em alerta laranja de perigo, com previsão de temporais e ventos acima de 100 km/h. Segundo a Epagri/Ciram, este deve ser o último ciclone extratropical do inverno de 2026.
A orientação da Defesa Civil vale para todas as regiões. Durante os temporais, buscar abrigo seguro e ficar longe de janelas, árvores, placas e postes de energia. Em caso de chuva intensa, jamais atravessar rua alagada ou ponte submersa. O Inmet recomenda ainda desligar aparelhos elétricos e o quadro geral de energia e guardar documentos em sacos plásticos onde há risco de enxurrada. Ocorrências devem ser informadas pelo 199, da Defesa Civil, ou pelo 193, do Corpo de Bombeiros.
O alerta vermelho do Inmet perde a validade às 23h59 de segunda-feira, mas a Defesa Civil atualiza os avisos conforme a frente fria se desloca, e novas faixas de risco podem ser emitidas ao longo do dia. A primavera começa oficialmente na terça-feira (22).















