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Eleições 2026

Amin defende impeachment de Moraes e Décio rebate: “o crime não pode ser tratado dessa forma”

Durante o debate do Grupo ND com os candidatos ao Senado por Santa Catarina, Esperidião Amin (PP) defendeu o afastamento de Alexandre de Moraes e Décio Lima (PT) rebateu dizendo que a apuração não pode ter alvo único, citando André Mendonça, Kassio Nunes Marques e Flávio Bolsonaro.

Esperidiao Amin e Decio Lima durante o debate dos candidatos ao Senado por Santa Catarina
Reproducao/Record News
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O candidato ao Senado Esperidião Amin (PP) defendeu o afastamento do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, durante o debate entre os candidatos ao Senado por Santa Catarina promovido pelo Grupo ND neste domingo (20), transmitido ao vivo pela Record News e pelo ND Mais, com mediação da jornalista Tatiana Corrêa. A resposta veio depois de uma pergunta de Décio Lima (PT), que cobrou uma posição sobre as denúncias envolvendo ministros da Corte e emendou o nome do senador Flávio Bolsonaro no mesmo bloco.

Décio Lima sustentou que as denúncias em curso não se limitam a um único ministro e citou os recursos pedidos ao ex-dono do Banco Master, Daniel Vorcaro. Segundo o petista, o senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência da República, diz “com desfaçatez” que os R$ 134 milhões ligados ao escândalo do Master eram “apenas uma relação privada”.

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O senador confirmou publicamente ter buscado financiamento com Vorcaro para o filme sobre o pai, mas afirmou que se tratava de patrocínio privado, sem relação com a investigação da Polícia Federal. Conforme o material apurado pela PF, o pedido foi de cerca de R$ 134 milhões, dos quais ao menos R$ 61 milhões teriam sido liberados.

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Amin teve dois minutos para responder e começou dizendo que agradecia a oportunidade de tratar do assunto. Para ele, diluir o caso em muitos alvos é justamente a forma de garantir que nada aconteça. “A melhor maneira de não fazer acontecer nada é nós misturarmos tudo”, afirmou.

O progressista disse que o que está na pauta é um relatório específico, com mensagens enviadas por Vorcaro, a quem chamou de “rei da bandidagem financeira do Brasil”, ao ministro. Amin sustentou que a movimentação para ampliar a lista de investigados, incluindo integrantes do Superior Tribunal de Justiça, outros ministros do Supremo e parlamentares, tem o objetivo de travar a apuração.

Ele citou a sessão de terça-feira (15) no Supremo como o momento em que, na avaliação dele, a disputa ficou exposta. “Eu me orgulho muito de estar enfrentando este homem que usou a caneta para fazer maldades”, disse, antes de delimitar o que defende. “Olha bem, não é condená-lo, é investigá-lo.” E concluiu: “Senhor Alexandre de Moraes tem que ser afastado.”

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Amin mencionou ainda o pedido de vista do ministro Flávio Dino após já ter votado, movimento que, segundo ele, comprometeu inclusive o governo federal.

O documento citado no debate é a Petição 16.662, que reúne um relatório de 218 páginas produzido pela Polícia Federal a partir do celular de Vorcaro, apreendido na operação Compliance Zero. O material foi pedido pelo ministro André Mendonça para identificar uma possível rede de influência e monitoramento, foi entregue pela PF em 27 de agosto e teve o sigilo derrubado por Mendonça em 1º de setembro.

Em manifestação apresentada em 14 de setembro, Moraes afirmou que a investigação foi determinada de forma ilegal, não traz indício de crime e representa uma tentativa de incriminá-lo falsamente. O ministro sustentou que das 52 notas extraídas do celular de Vorcaro, 47 sequer foram localizadas em conversas de aplicativo, e que 90,4% do conjunto seria inferência.

Na réplica de 30 segundos, Décio Lima rejeitou o recorte feito pelo adversário. “O crime não pode ser tratado dessa forma, escolher apenas um alvo”, afirmou. Em seguida, marcou a própria posição sobre o ministro: “Aliás, o Alexandre de Moraes, que eu defendo aqui o afastamento dele e a punição dele, foi nomeado pelo governo Temer.” O petista citou André Mendonça, o ministro Kassio Nunes Marques e Flávio Bolsonaro, e concluiu que “as imagens mostram tudo”.

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Na tréplica, Amin voltou ao tema da apuração dentro da própria Corte. “STF, convenhamos, não poder investigar é um deboche”, disse, avaliando que o problema será corrigido pelo próprio tribunal, que estaria sendo “implodido de dentro para fora”.

Foi no fim do mesmo bloco que Amin fez o anúncio de maior alcance nacional da sua participação no debate: disse que, se eleito, vai disputar o comando da Casa. “Eu vou ser candidato a presidente do Senado para acabar com aquela frase maldita de que nem com 80 assinaturas eu faço impeachment. Não vai ser assim.”

O julgamento no Supremo segue suspenso. Na sessão de 15 de setembro, o plenário analisava questão de ordem sobre reunir as petições relacionadas a Moraes e a Mendonça quando Dino pediu vista, com o placar provisório empatado em 4 a 4. Gilmar Mendes, Dino, Cristiano Zanin e Moraes votaram pela reunião dos processos; Fachin, Mendonça, Luiz Fux e Cármen Lúcia, contra. Kassio Nunes Marques declarou impedimento e Dias Toffoli, suspeição por foro íntimo.

Além de Amin e Décio Lima, participaram do debate Afrânio Boppré (PSOL), Antídio Lunelli (MDB) e Jeferson Rocha (PRD). Carlos Bolsonaro (PL) e Carol De Toni (PL) foram convidados e não compareceram. Santa Catarina elege dois senadores em 4 de outubro.

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