Chegou ao fim, nesta quarta-feira (10), o julgamento de Anderson Burigo, condenado a 48 anos e 6 meses de prisão pelo assassinato de Maria Gabriela Nunes, de 14 anos, em Itajaí. A sentença incluiu o crime de feminicídio e demais agravantes.
O crime
O caso aconteceu em 12 de janeiro de 2025, no bairro Brilhante, em Itajaí, Litoral Norte de Santa Catarina.
Maria Gabriela foi encontrada morta com múltiplas perfurações de faca às margens do Rio Itajaí-Açu, no bairro São Domingos, em Navegantes.
Após o crime, Anderson, então com 23 anos, teria tentado ocultar o corpo no Rio Itajaí-Mirim, que se encontra com o Rio Itajaí-Açu. A distância entre o local do homicídio e o ponto onde o corpo foi localizado é de aproximadamente 38 quilômetros.
Prisão após fuga para área de mata
De acordo com o delegado Péricles, assim que o corpo da vítima foi encontrado, as investigações apontaram que Anderson havia fugido para uma área de mata, informação confirmada por vizinhos.
Ele retornou para um abrigo próximo à casa dos pais, mas, ao ser expedido o mandado de prisão temporária, já estava de volta à residência familiar, onde foi localizado e preso.
O delegado destacou que Anderson contou com apoio de algumas pessoas da comunidade, mas a revolta geral dificultou sua movimentação, levando-o a se esconder até ser capturado.
Comportamento frio e contradições nos depoimentos
Durante os depoimentos, o suspeito manteve a tranquilidade, sem demonstrar arrependimento, mesmo após o desaparecimento da adolescente.
Inicialmente, ele afirmou que teria deixado a vítima em casa por volta das 21h45, mas familiares e vizinhos contestaram essa versão.
Um detalhe importante é que o carro de Anderson, conhecido pelo barulho característico do escapamento, não foi ouvido na região no horário mencionado por ele, o que reforçou as contradições.
Perícia no veículo e vestígios biológicos
A Polícia Científica realizou perícia detalhada no veículo para buscar vestígios biológicos.
A perícia no corpo revelou múltiplas perfurações, especialmente no pescoço, sugerindo um ataque intenso e deliberado, característico de crimes passionais.
Relacionamento marcado por controle e agressões
Segundo a mãe de Maria Gabriela, a adolescente queria terminar o relacionamento devido ao comportamento possessivo de Anderson.
Durante o interrogatório, o próprio suspeito admitiu ser ciumento e controlador, e reconheceu episódios de agressão e hostilidade contra amigos da vítima.
Arma do crime e descarte do corpo
A faca utilizada no crime ainda não foi localizada. A suspeita é de que tenha sido descartada junto ao corpo no Rio Itajaí-Mirim, próximo ao local do homicídio.
Mesmo diante das evidências, Anderson negou o assassinato. As investigações avaliaram imagens, depoimentos e informações que indicam contradições em seu relato.
Condenação
Após oito meses de investigação e julgamento, Anderson Burigo foi condenado a 48 anos e 6 meses de prisão em regime fechado.
























