O que você faria se descobrisse que a garotinha “traumatizada” e “indefesa” que você acolheu dentro da sua própria casa, alimentou na mamadeira e tratou como filha era, na verdade, uma estelionatária de 38 anos com uma extensa ficha criminal por todo o país?
Esse é o pesadelo real vivido por uma família de fé em Pirabeiraba, distrito de Joinville. A farsa inacreditável da mulher que se passava por uma menina de 12 anos finalmente chega ao seu acerto de contas definitivo: o julgamento já tem data marcada para a próxima quarta-feira (19).
Remédio de R$ 1.000, chupeta e mounjaro
A investigada, Amanda Oliveira, não economizou esforços para criar um cenário de terror e comoção. Ao bater na porta de uma igreja em Joinville sob o nome falso de “Gabrielle”, ela apresentou uma história de cortar o coração: alegou ter fugido de um cativeiro no Pará, onde teria sido vítima de abusos inimagináveis.
Para explicar por que seu corpo não parecia o de uma criança, Amanda criou a mentira perfeita.

Ela afirmou que, enquanto esteve em uma casa de prostituição, foi forçada a tomar altíssimas doses de hormônios para que seu corpo parecesse o de uma adulta.
Sensibilizada até as lágrimas, a família acolhedora abriu as portas de casa e o próprio coração. Durante 14 longos meses, Amanda viveu como uma garotinha de 12 anos:
- Rotina Infantil: Dormia abraçada a cobertores de bebê, pedia mamadeira e usava chupeta diariamente.
- Festa de Aniversário: A família chegou a organizar e pagar uma festa completa de 12 anos para a “menina”, com direito a parabéns e presentes infantis.
- Tratamentos Pagos: Acreditando que a “garota” sofria de obesidade infantil, os protetores gastaram fortunas em roupas e tratamentos médicos, incluindo doses do caríssimo medicamento Mounjaro.
O alerta que destruiu o teatrinho
A farsa parecia perfeita até que a desconfiança de um parente distante acendeu o sinal vermelho. Ao investigar por conta própria, o familiar descobriu a aterradora verdade e alertou a família: a pequena “Gabrielle” não existia. Quem estava sob o teto deles era uma mulher feita, prestes a completar 40 anos, fingindo comportamentos infantilizados para arrancar dinheiro e abrigo.
A investigação conduzida pelo delegado Rodrigo Gusso revelou que Joinville foi apenas mais um palco para os teatros macabros de Amanda. A golpista é uma verdadeira serial do estelionato infantil, com antecedentes no Distrito Federal, São Paulo, Paraná, Rio de Janeiro, Goiás, Minas Gerais e Rio Grande do Sul.

No Paraná, a crueldade da golpista atingiu níveis ainda mais absurdos. Fingiu ser uma menina de 13 anos em estágio terminal de câncer no sangue. Entrava em grupos de oração no WhatsApp para pedir orações e, em seguida, pedir Pix emergenciais para “exames e remédios”. E pelo menos 12 pessoas caíram no golpe e enviaram economias para a criminosa.
Julgamento marcado
Na próxima quarta-feira (19), a “menina Gabrielle” dará lugar definitivo à ré Amanda Oliveira no tribunal, onde ela finalmente responderá por cada mentira, cada golpe e por ter usado a fé e a bondade das pessoas como arma.
























