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EXCLUSIVO: Justiça de SC manda soltar mulher que enganou família em Joinville fingindo ser criança de 12 anos

A Vara de Execuções Penais de Joinville concedeu a progressão de regime e expediu o alvará de soltura de Amanda Maria Souza de Oliveira, de 38 anos, nesta quinta-feira (10). Ela deixa o presídio com tornozeleira eletrônica, após 100 dias presa, e cumpre o resto da pena fora da unidade prisional.

EXCLUSIVO: Justiça de SC manda soltar mulher que enganou família em Joinville fingindo ser criança de 12 anos
Foto: Reprodução
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A Justiça de Santa Catarina determinou a soltura de Amanda Maria Souza de Oliveira, de 38 anos, a mulher que viveu 14 meses fingindo ser uma criança de 12 anos dentro da casa de uma família de Joinville, no Norte do estado. A Vara de Execuções Penais da comarca concedeu a progressão de regime nesta quinta-feira (10) e expediu o alvará de soltura. Ela estava presa desde 2 de junho, ou seja, havia 100 dias.

Junto com o alvará, a Justiça expediu o mandado de monitoramento eletrônico e o mandado de medidas diversas da prisão, e registrou o cadastro de prisão domiciliar. Na prática, Amanda deixa o Presídio Feminino de Joinville e passa a cumprir o restante da pena fora da unidade prisional, com tornozeleira eletrônica. Os documentos foram remetidos ao presídio e à Unidade de Monitoramento Eletrônico para cumprimento imediato.

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A decisão foi tomada depois de o processo de execução reunir o atestado de permanência e conduta carcerária, a avaliação técnica da apenada e as manifestações do Ministério Público de Santa Catarina, por meio da 16ª Promotoria de Justiça de Joinville. O processo de execução da pena não corre sob segredo de justiça.

Condenada em agosto a 1 ano, 10 meses e 28 dias

Em 20 de agosto, a 1ª Vara Criminal de Joinville condenou Amanda a 1 ano, 10 meses e 28 dias de prisão, em regime inicial semiaberto, pelos crimes de estelionato e falsa identidade. A sentença também negou a ela o direito de recorrer em liberdade. Aquele processo, o da ação penal, tramita sob segredo de justiça.

Como a pena já havia sido fixada em regime semiaberto, o passo seguinte era a adequação do cumprimento. É esse ajuste que a Vara de Execuções Penais resolveu agora, ao autorizar que ela deixe o presídio sob monitoramento eletrônico.

Mamadeira, chupeta e uma festa de 12 anos

A farsa que levou Amanda à prisão durou cerca de 14 meses no distrito de Pirabeiraba, em Joinville. A aproximação com o casal que a acolheu começou por intermédio de um pastor. Ela se apresentou primeiro como uma jovem de 18 anos que procurava trabalho em padaria. Pouco depois, já dentro da casa, passou a dizer que tinha apenas 11 anos e que era vítima de abusos graves cometidos pelo padrasto. Sensibilizado, o casal a acolheu de vez, como filha.

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Para sustentar o personagem no dia a dia, usava mamadeira, chupeta e um pano para dormir que chamava de “cheirinho”. Afinava a voz, simulava crises de choro e birras e dizia ter medo do escuro. Para explicar o corpo de mulher adulta, alegava ser autista e afirmava que teria sido submetida à aplicação forçada de hormônios na infância.

A família pagou comida, moradia, uma festa de aniversário de “12 anos” e até o tratamento com Mounjaro, medicamento injetável de alto custo usado contra obesidade. Segundo o delegado responsável pela investigação, ela não subtraía dinheiro em espécie diretamente, mesmo tendo acesso a valores guardados na residência. O golpe era outro: garantir abrigo e sustento. Nas palavras do delegado, ela conseguiu “sequestrar emocionalmente a família”.

A farsa caiu depois que uma parente do casal, que nunca acreditou na história, pesquisou na internet e encontrou registros de golpes idênticos aplicados em outros estados, sempre com o personagem da criança autista. A família procurou a 6ª Delegacia de Polícia de Joinville, e a prisão em flagrante ocorreu em 2 de junho, com confissão. No dia seguinte, a Justiça converteu a prisão em preventiva e autorizou o exame de sanidade mental pedido pela defesa. Um vídeo divulgado dias depois mostrou a voz infantilizada que ela usava para convencer as vítimas.

O mesmo roteiro em sete estados

Natural de Fortaleza, Amanda acumula passagens pelo mesmo tipo de golpe em São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Goiás, Ceará e Paraná. O roteiro se repete: aproximação por igrejas evangélicas e projetos sociais, relato de abuso e abandono, comportamento infantilizado e, no fim, pedidos de abrigo, sustento ou dinheiro. Para sustentar as versões, chegou a apresentar documentos falsos e a registrar boletins de ocorrência.

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Em 2023, em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense, apresentou-se como “Maria Eduarda”, a “Duda”, e dizia ser vítima de uma rede de prostituição e de rituais de bruxaria. Para dar credibilidade à história, inseriu agulhas no próprio corpo. Exames de raio-X identificaram mais de cem agulhas espalhadas. Presa na ocasião, foi solta no dia seguinte, em audiência de custódia.

Em Colombo, na Região Metropolitana de Curitiba, usou o nome “Emily” e dizia ter 13 anos e câncer terminal para receber Pix de um grupo de oração. Ao menos 12 pessoas enviaram dinheiro. Uma das fiéis chegou a tatuar o nome falso no pulso e precisou remover a tatuagem depois que a farsa foi descoberta. A investigação paranaense foi reaberta justamente após a prisão em Santa Catarina.

Com o alvará expedido, é a segunda vez que Amanda deixa a prisão depois de um caso de repercussão nacional. Desta vez, sai condenada e com o restante da pena a cumprir sob monitoramento eletrônico.

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