O Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) denunciou por feminicídio Vitor Hugo Vieira de Jesus, de 28 anos, acusado de assassinar a namorada, Nilséia Aparecida de Carvalho da Luz, de 55 anos. O crime brutal ocorreu no último dia 27 de junho, no bairro Potecas, em São José, na Grande Florianópolis. A novidade do caso marca a formalização da acusação criminal na Justiça pela 12ª Promotoria de Justiça, que também solicitou que o acusado seja submetido ao julgamento pelo Tribunal do Júri.
Quando o MP formaliza a denúncia, significa que as investigações foram concluídas com indícios suficientes de autoria. O processo tramita em sigilo e o Tribunal de Justiça de Santa Catarina (TJSC) avalia a aceitação da denúncia para tornar o suspeito réu.
O terror nos corredores
Na noite do crime, o agressor chegou ao condomínio visivelmente alterado. Segundo a moradora e gestora comercial Alessandra Hofmann, relatos no local apontavam que o homem “estava muito alcoolizado”. Vitor Hugo arrombou a porta de entrada do edifício, pegou um extintor de incêndio no térreo, subiu até o segundo andar e usou o equipamento para estourar a porta do apartamento onde Nilséia morava.
A violência extrema gerou pânico imediato entre os vizinhos. Áudios e mensagens trocadas no grupo do condomínio registraram o desespero em tempo real. A primeira mensagem foi enviada às 21h22:
“Alguém consegue ligar pra polícia? O rapaz arrombou e está estourando a porta”. Enquanto o som estarrecedor ecoava pelos corredores, os moradores se orientavam a permanecer trancados dentro de suas casas enquanto acionavam as forças de segurança.

Brutalidade dentro do apartamento
Ao invadir o imóvel, Vitor Hugo deu início a uma sequência ininterrupta de agressões. Conforme narra a denúncia do Ministério Público, o acusado agrediu a vítima de “forma reiterada e extremamente violenta, com diversos socos na cabeça, no rosto e no corpo, além de golpear repetidamente a cabeça dela contra a parede e o chão”.

Quando o socorro finalmente chegou, Nilséia foi encontrada inconsciente e com graves ferimentos por todo o rosto, cercada por sinais de destruição por todo o apartamento. Ela chegou a receber os primeiros atendimentos médicos e foi levada às pressas ao hospital, mas não resistiu à gravidade das lesões.

Homenagens à vítima
Nilséia trabalhava em uma cafeteria no Beiramar Shopping, em Florianópolis. Em nota oficial, o estabelecimento lamentou profundamente o feminicídio de sua colaboradora, destacando que ela deixa “a sua dedicação, seu carinho e sua presença marcados na memória de todos que tiveram o privilégio de conhecê-la”.
O caso passa agora para a fase de análise judicial, onde o magistrado decidirá sobre a aceitação da denúncia e o encaminhamento do réu ao Júri Popular.




























