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Quase 2 anos após o crime, companheiro denunciado por matar advogada com corda e ocultar corpo vai a júri em SC

Caso de Karize Ana Fagundes Lemos, de 33 anos, morta em setembro de 2024 na própria casa, chega ao Tribunal do Júri em Santa Catarina com acusações de feminicídio e ocultação de cadáver.

Quase 2 anos após o crime, companheiro denunciado por matar advogada com corda e ocultar corpo vai a júri em SC
Foto: Reprodução
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A tranquilidade de Caçador, município do Meio-Oeste catarinense, foi profundamente abalada em 29 de setembro de 2024, quando a advogada Karize Ana Fagundes Lemos, então com 33 anos, teve a vida ceifada dentro de sua própria casa.

Quase dois anos após o brutal assassinato que chocou o estado, o principal suspeito sentará no banco dos réus. O Tribunal do Júri está marcado para ter início às 7h30 desta quinta-feira (10), no salão do Júri do Fórum da comarca, em um julgamento decisivo para determinar a responsabilidade penal sobre o homicídio altamente qualificado e a posterior ocultação do cadáver.

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A trama criminosa começou a vir à tona ainda no final daquela noite de domingo. Passava pouco das 22h quando o ambiente pacato da cidade deu lugar a um cenário de apreensão. Em um primeiro momento, mensagens enigmáticas disparadas em um grupo de WhatsApp chamaram a atenção de amigos do suspeito: sem dar detalhes do horror que acabara de cometer, ele enviou um texto curto admitindo apenas que havia “feito merda”. No entanto, a incerteza durou pouco. Em seguida, em uma ligação direta, o próprio acusado confessou ter tirado a vida da companheira.

A cena do crime e a tentativa de limpeza

Assustados com a confissão explícita, dois jovens procuraram imediatamente um posto da Polícia Militar para reportar a denúncia. Diante do relato urgente, uma guarnição deslocou-se com rapidez até o endereço de Karize. Ao chegarem ao imóvel, os policiais depararam-se com uma cena intrigante: a casa estava inteiramente iluminada e de portas abertas, contudo, nenhum dos moradores se encontrava no local.

Ao realizarem a varredura nos cômodos, os agentes identificaram marcas de sangue espalhadas pelo chão da garagem e fortes vestígios no interior da residência de que alguém tentara apressadamente lavar e remover os rastros do crime. A perícia técnica realizada no imóvel e nas provas recolhidas confirmou posteriormente a crueldade do ataque: Karize havia sido assassinada por asfixia, sendo enforcada com uma corda de sisal, sem que tivesse qualquer oportunidade de reação ou defesa perante o agressor.

Desova do corpo e semanas de angústia

Com a vítima já sem vida, o homem colocou o corpo no porta-malas de um veículo e deixou a residência, dando início a uma complexa estratégia para dificultar o trabalho policial e ocultar o assassinato. O cadáver foi transportado por centenas de quilômetros até ser abandonado em uma área isolada e de mata fechada no município de Palmas, no interior do Paraná.

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A remoção do corpo deu início a semanas de intensa agonia e dor para familiares, colegas de profissão e amigos. Enquanto as forças policiais mobilizavam equipes de investigação e utilizavam dados de geolocalização e perícia digital para refazer o trajeto do suspeito, a família de Karize enfrentava uma dolorosa incerteza. Os restos mortais da advogada só foram finalmente localizados e confirmados semanas após o assassinato, permitindo o encerramento da busca angustiante.

O Ministério Público de Santa Catarina enfatizou em sua manifestação oficial que as consequências da tragédia extrapolam a perda individual: “Uma violência que não atingiu apenas uma mulher, mas uma rede inteira de afetos, sonhos e histórias que jamais poderão ser recuperados.”

A fuga interceptada no Paraná

Enquanto o corpo permanecia oculto, o agressor empreendeu uma rápida fuga em direção ao Mato Grosso do Sul, com a clara intenção de alcançar a fronteira e refugiar-se no Paraguai. Porém, o plano de evasão durou poucas horas.

Na manhã do dia seguinte, 30 de setembro de 2024, forças policiais interceptaram o suspeito na cidade de Guaíra (PR), localizada a quase 700 quilômetros de Caçador. No momento da abordagem, ele ainda trazia consigo pertences pessoais da vítima.

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As quatro qualificadoras do Ministério Público

A denúncia elaborada pelo Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) sustentou acusações severas contra o réu. Além do crime conexo de ocultação de cadáver, o homem responderá por homicídio qualificado por quatro circunstâncias agravantes:

  • Feminicídio: crime praticado contra a mulher por razões da condição do sexo feminino, em contexto claro de violência doméstica e familiar;
  • Motivo torpe: motivação torpe e vil que impulsionou a conduta criminosa;
  • Asfixia: meio cruel utilizado para ceifar a vida da vítima, caracterizado pelo enforcamento com corda de sisal;
  • Recurso que dificultou a defesa: ataque perpetrado de forma súbita, impossibilitando qualquer meio de reação por parte da advogada.

Esquema de segurança e regras

A expectativa em torno do julgamento mobilizou a estrutura do Poder Judiciário em Caçador. Por se tratar de um caso de expressiva repercussão social e devido à limitação física do Salão do Júri no Fórum da comarca, o Juízo da Vara Criminal determinou normas estritas para o acesso ao plenário.

Uma parcela importante dos assentos disponíveis foi reservada exclusivamente para os familiares da vítima e do acusado. As vagas restantes serão preenchidas pelo público em geral mediante o fornecimento de senhas distribuídas por ordem de chegada no local. Os profissionais da imprensa que farão a cobertura jornalística do júri realizaram credenciamento prévio obrigatório até as 15h de quarta-feira (9). A entrada no prédio contará com inspeção por detectores de metais para garantir a ordem e a segurança dos trabalhos.

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