O caso da morte de Débora Dambros, jovem de 24 anos que chocou Santa Catarina, segue com desdobramentos decisivos nos tribunais. Inicialmente tratado como um trágico acidente de trânsito em 21 de julho, quando o carro da família foi encontrado submerso no Rio Barra Grande, em São Carlos, o crime teve uma reviravolta dez dias depois.
A Polícia Civil desmantelou a farsa sustentada pelo marido da vítima, Welton André Dambros, de 30 anos, que acabou confessando ter asfixiado Débora até a morte dentro da casa do casal, em Xaxim, na presença dos dois filhos pequenos. Com o auxílio do próprio pai, de 53 anos, Welton atirou o automóvel no rio com o corpo da jovem para simular um acidente. Ambos foram presos e indiciados por feminicídio e ocultação de cadáver.

Superada a fase inicial das investigações policiais, o foco da família materna da vítima agora se volta integralmente à proteção e à garantia do futuro das duas crianças: Helena Vitória Dambros, de 9 anos, e André Henrique Dambros que completa 3 anos. Ambas estão sob a guarda provisória da avó materna, enquanto a defesa ingressa com uma série de medidas judiciais nas esferas de família, sucessões e criminal.
Ação de indignidade para barrar o réu do inventário
Entre os procedimentos cíveis mais importantes adotados pela defesa está a tentativa de impedir que o acusado se beneficie da herança da esposa. A advogada da família materna, Dra. Karen Rebelato, detalha a estratégia adotada no processo de inventário e apuração do patrimônio do casal.
“Foi ajuizada uma ação judicial de indignidade contra o Welton, para impedir que ele receba eventual herança. Ela não é uma ação muito comum e muito falada, né? Mas essa ação judicial é justamente nesses casos, quando o companheiro, o cônjuge, no caso deles eram casados em comunhão parcial de bens, é o causador da morte da autora da herança. Então é entrado com essa ação de indignidade para que ele seja excluído do inventário e os bens sejam repassados aos outros herdeiros, que no caso seriam o André e a Helena.”

Além de mapear contas bancárias, empresas e bens do casal no inventário, a defesa também solicitou benefícios previdenciários junto ao INSS, como a pensão por morte e o auxílio-reclusão, além de fixação de pensão alimentícia para viabilizar o sustento diário dos irmãos no novo lar.
Investigação de possível fraude em transferência de veículo
Outra preocupação da família é a integridade do patrimônio destinado às crianças. Recentemente, a defesa identificou uma movimentação atípica envolvendo um dos veículos da família, o que motivou um pedido urgente de intervenção judicial.
“Foi solicitado o bloqueio e a busca e apreensão de uma caminhonete Amarok. Essa caminhonete foi transferida após o falecimento da Débora e quando o Welton já estava preso. Então, a gente já não sabe como é que foi que aconteceu isso. Estamos investigando uma possível fraude e isso é bem recente, ainda neste mês de setembro.”

Paralelamente às questões patrimoniais, a advogada informou que busca autorização do juízo para retirar da antiga residência os pertences pessoais, roupas, brinquedos, móveis e documentos das crianças. Segundo a defensora, embora sejam itens essenciais para o conforto dos menores, cada etapa exige cautela e autorização expressa do magistrado responsável.
Provas criminais e o cuidado com a proteção dos menores
Na esfera criminal, o processo avança com a produção antecipada de provas para fundamentar a acusação de feminicídio. Um dos momentos mais sensíveis foi o depoimento especial de Helena, colhido sob técnicas de escuta protegida para preservar a integridade psicológica da criança de 9 anos.
“Na esfera criminal também já foram adotadas todas as medidas pelo feminicídio, incluindo várias produções de prova antecipada. Uma delas foi o depoimento especial da Helena, de 8 anos, que agora no dia 2 fez 9 anos. Somente a Helena foi ouvida. Eu acompanhei o depoimento dela, a avó materna também esteve presente no local. Então, com toda a proteção, acompanhamento, tudo adequado para a idade dela.”

Diante do volume de processos em andamento e da repercussão do caso, a defesa reforça a necessidade de agir com cautela e respeitar o tempo das decisões judiciais, evitando a exposição desnecessária dos fatos para preservar o bem-estar dos órfãos.
“São várias ações judiciais e vários procedimentos em andamento. Cada um tem um prazo e uma etapa própria, por isso é necessário ter calma e aguardar o trabalho da justiça. A gente precisa acreditar na justiça e manter a esperança, sempre colocando a Helena e o André em primeiro lugar. Eles perderam a mãe e merecem toda a proteção, cuidado e respeito por todos. A família vai seguir lutando para preservar os direitos, o patrimônio e o futuro das crianças.”















