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“Parece neve!”: forte chuva de granizo toma ruas e engrossa balanço de 68 cidades atingidas em SC

Pedras de gelo cobriram ruas, calçadas e terrenos de Mafra e da vizinha Rio Negro no fim da tarde desta terça-feira, enquanto a Defesa Civil contabiliza ocorrências em 68 municípios catarinenses desde 28 de agosto.

“Parece neve!”: forte chuva de granizo toma ruas e engrossa balanço de 68 cidades atingidas em SC
Foto: Reprodução
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Uma forte chuva de granizo cobriu ruas, calçadas e terrenos de Mafra, no Planalto Norte de Santa Catarina, e da vizinha Rio Negro, no Paraná, no fim da tarde desta terça-feira (1º). Em poucos minutos, o volume de pedras de gelo deixou a paisagem completamente branca em vários pontos das duas cidades, num cenário que lembrou neve.

As imagens registradas por moradores mostram carros seguindo em fila reduzida sobre o asfalto tomado pelo gelo, que ia sendo empurrado para as laterais pela passagem dos veículos. Em terrenos e gramados, o granizo formou camadas espessas que encobriram a vegetação por completo.

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A Defesa Civil orienta que motoristas redobrem a atenção, porque o acúmulo de granizo deixa as pistas extremamente escorregadias. A recomendação é evitar dirigir enquanto houver pedras nas vias e, se possível, aguardar o derretimento antes de sair. Quem tiver danos ou precisar de auxílio pode acionar a Defesa Civil de Mafra pelo (47) 99258-9112, a Defesa Civil de Rio Negro pelo (47) 99171-1778 e o Corpo de Bombeiros pelo 193.

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O granizo caiu no mesmo dia em que a região já vivia sob alerta pela subida do rio. O nível do rio Negro ultrapassou os 6 metros às 10h desta terça-feira, chegando a 6,087 metros, depois de subir cerca de 3,20 metros em 24 horas. A vazão aumentou 133% no mesmo período e alcançou 280 metros cúbicos por segundo. As equipes das duas cidades monitoram o nível e as áreas de risco, especialmente as regiões sujeitas a alagamentos.

Na segunda-feira (31), a água já havia invadido residências em Mafra e em Canoinhas, e provocado pontos de alagamento em Porto União, inclusive em uma escola. Os registros feitos por moradores mostram o volume acumulado nas ruas do Planalto Norte.

Santa Catarina soma 68 cidades atingidas

O episódio se encaixa em uma sequência de temporais que castiga Santa Catarina desde a última sexta-feira. Entre 28 de agosto e 1º de setembro, a Defesa Civil estadual contabilizou ocorrências em 68 municípios, distribuídos por 18 regionais, provocadas por chuva intensa, queda de granizo e ventos fortes. Nove cidades decretaram Situação de Emergência.

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Mais de 4 mil residências registraram algum tipo de dano no estado. Florianópolis é a cidade mais afetada, com 2.650 imóveis atingidos depois de o granizo cair primeiro no Norte da Ilha e, na noite de domingo, também na região central. Em Biguaçu, os danos chegam a cerca de 900 residências.

No Oeste e no Extremo-Oeste, onde o granizo foi mais destrutivo, Ipuaçu soma 210 residências atingidas, São José do Cedro aproximadamente 200, Bom Jesus 81, Entre Rios 80, Princesa 58 e Quilombo 32. Só Entre Rios pediu 5.040 telhas e cumeeiras, enquanto São José do Cedro solicitou 6.850 telhas, além de 500 colchões e 500 kits de acomodação.

Para atender as famílias, a Defesa Civil de Santa Catarina mobilizou cerca de 43,8 mil itens de assistência humanitária, entre telhas, cumeeiras, lonas, colchões e kits de acomodação. Equipes estaduais seguem em campo nos municípios que decretaram emergência.

No Vale do Itajaí, os rios ainda respondem à chuva dos dias anteriores. O Itajaí-Açu ultrapassou a primeira cota de alagamento em Blumenau na manhã desta terça, chegou a 7,57 metros às 9h e começou a recuar em seguida, sem atingir o pico de 7,70 metros que estava previsto para as 13h. Em Rio do Sul, o mesmo rio subiu quase três metros em poucas horas e entrou em estado de emergência. Em Ascurra, marcou 10,13 metros por volta das 6h.

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Só em Blumenau, o acumulado de chuva entre 30 de agosto e esta terça-feira chegou a uma média de 123,2 milímetros, com os maiores volumes nos bairros Coripós e Itoupavazinha. A Defesa Civil do município registrou 47 deslizamentos de terra no período, que se tornaram a principal preocupação depois que a chuva deu trégua e o solo ficou encharcado.

O que esperar nos próximos dias

A previsão da Defesa Civil estadual indica que a frente fria se afasta e abre espaço para o retorno gradual do tempo seco, embora a formação de um ciclone extratropical próximo à costa ainda mantenha variação de nuvens, chuvas rápidas e trovoadas isoladas. O vento sul se intensifica na metade leste do estado, com rajadas entre 50 e 70 km/h. Na quinta-feira (3), uma massa de ar seco e frio deve estabilizar o tempo em todas as regiões.

O alívio, porém, tem prazo curto. Entre sexta-feira (4) e sábado (5), o avanço de uma nova frente fria favorece o retorno das instabilidades, com pancadas de chuva e temporais isolados em várias regiões, especialmente nas áreas próximas à divisa com o Paraná, a mesma faixa onde ficam Mafra e Rio Negro. A Defesa Civil segue monitorando as condições e mantém os canais 199 e 193 para atendimento de ocorrências.

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