O laudo pericial concluiu que o advogado Rodrigo Pantaleão, de 53 anos, morreu por causas naturais. O resultado foi divulgado na segunda-feira (31), pouco mais de dois meses depois de o defensor ser encontrado sem vida dentro da própria casa, no bairro Itacorubi, em Florianópolis, em 25 de junho. A perícia descartou morte violenta.
Mesmo com a conclusão do exame, o caso não está encerrado. A Polícia Civil ainda precisa colher depoimentos pendentes antes de fechar o inquérito. Até agora, nenhum elemento aponta participação de terceiros na morte do advogado.
O corpo foi localizado depois que vizinhos estranharam a ausência do morador e sentiram um forte odor vindo do imóvel, na Rua Maria Alexandre Machado. A entrada foi dificultada porque a casa era guardada por cães de grande porte, e os animais acabaram recolhidos pela Diretoria de Bem-Estar Animal da Prefeitura de Florianópolis. Quando as equipes conseguiram acessar a residência, o advogado já estava morto havia dias. A Delegacia de Homicídios da Capital informou, na ocasião, que não havia sinais de arrombamento nem lesões aparentes no corpo.
ASSISTA AO VÍDEO
A audiência que colocou o advogado no centro do país
O nome de Rodrigo Pantaleão passou a circular pelo país um mês antes. Em 28 de maio, durante uma audiência virtual de instrução e julgamento na 3ª Vara Criminal da Comarca da Capital, ele chegou à fase de alegações finais e, em vez de defender o homem que representava, apoiou a acusação.
A defesa corrobora com as afirmações exaladas pela promotoria de Justiça. Nada mais, excelência
No vídeo que viralizou, o advogado aparece mexendo no celular durante toda a manifestação do promotor Raul Rogério Rabello e só volta a olhar para a câmera quando é chamado pela magistrada.
A juíza Carolina Ranzolin Nerbass interrompeu o ato. Ela registrou que não poderia aceitar aquelas alegações finais porque o réu ficaria sem defesa técnica efetiva, e o considerou indefeso. Na sequência, deu prazo de três dias para que o acusado constituísse um novo defensor, sob pena de nomeação de um dativo.
Ele assumiu o caso depois que a advogada anterior virou foragida
Como Pantaleão chegou àquele processo é outro capítulo. O Jornal Razão apurou com exclusividade, em 7 de junho, que ele foi constituído pelo réu depois que a advogada anterior, Gabriela Vieira Serafin, se tornou foragida da Justiça catarinense. Ela virou alvo de uma operação da Polícia Civil e responde por tráfico de drogas, com mandado de prisão em aberto.
Exclusivo: como o advogado assumiu o caso após a defensora anterior virar foragida. Clique para ler.
O cliente é um homem de 36 anos, preso em fevereiro no bairro Sambaqui, abordado com 30 porções de cocaína e uma munição. Ele responde por tráfico de drogas, resistência à abordagem policial e porte de arma de fogo com numeração suprimida, e segue preso em Florianópolis.
Depois do episódio, o réu não constituiu novo advogado dentro do prazo e a Justiça nomeou um defensor dativo, que pediu a absolvição e, alternativamente, a desclassificação do tráfico para posse de droga para consumo próprio. Mais tarde, outro advogado assumiu o caso e requereu a anulação da fase final do processo, sob o argumento de que a atuação anterior havia sido insuficiente. O pedido não foi acolhido, e o réu acabou condenado.
OAB-SC cobrou apuração rigorosa
A Ordem dos Advogados do Brasil em Santa Catarina já havia instaurado, em 8 de junho, procedimento para apurar infração ética de Pantaleão pela conduta na audiência. Com a morte, a seccional passou a cobrar celeridade da polícia. O presidente Juliano Mandelli afirmou, em nota, que a entidade esperava uma apuração “célere, rigorosa e transparente”, especialmente para esclarecer se o caso tinha alguma relação com o exercício da advocacia.
Leia também: OAB/SC acompanha a investigação da morte do advogado. Clique para ler.
A divulgação do laudo reacendeu a discussão nas redes sociais, onde parte do público colocou em dúvida a conclusão da perícia, alimentada pela coincidência entre a viralização do vídeo e a descoberta da morte. Morte natural, no vocabulário pericial, é a que decorre de causas internas do próprio organismo, como doença ou falência de órgãos, sem participação de fator externo.
Enquanto as oitivas não terminam, o inquérito continua formalmente aberto na Delegacia de Homicídios da Capital. A conclusão definitiva só será registrada depois que os últimos depoimentos forem colhidos.














