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Deputado que pediu prisão de Lulinha, Alfredo Gaspar é escolhido como vice de Flávio Bolsonaro

Relator da CPMI do INSS, o deputado Alfredo Gaspar (PL-AL) foi anunciado nesta quarta-feira (5) como candidato a vice de Flávio Bolsonaro. A escolha vem dias depois de o STF autorizar três inquéritos contra Lulinha, cuja prisão preventiva Gaspar havia pedido no relatório da comissão.

Deputado que pediu prisão de Lulinha, Alfredo Gaspar é escolhido como vice de Flávio Bolsonaro
Foto: Reprodução
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O nome guardado até o último minuto pelo comando do PL não era o que o mundo político esperava ouvir. Enquanto os bastidores davam como certo o senador Rogério Marinho, Flávio Bolsonaro (PL) subiu ao microfone nesta quarta-feira (5) e anunciou o deputado federal Alfredo Gaspar (PL-AL), o relator da CPMI do INSS que pediu a prisão preventiva do filho mais velho do presidente Lula, como candidato a vice-presidente na sua chapa.

A escolha sela uma chapa pura, sem legendas aliadas, num quadro de isolamento político do partido. Na véspera, terça-feira (4), Republicanos, União Brasil e Podemos confirmaram neutralidade na disputa presidencial, derrubando a hipótese que vinha sendo trabalhada nos bastidores: entregar a vaga de vice a um nome indicado por outra sigla como moeda de apoio formal.

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Na coletiva de imprensa, Flávio ancorou a escolha na biografia do deputado e no episódio que projetou o nome dele nacionalmente.

É uma pessoa que eu aprendi a admirar, todos vocês aqui aprenderam a admirar pela coragem, honestidade, pela sua história em frente à segurança pública. Alguém que já foi promotor de Justiça, chefe de ministério público do seu estado. Alguém que enfrentou e defendeu os nossos aposentados na CPMI do INSS. Alguém que pediu a prisão do Lulinha porque tinha culpa no cartório. E alguém que representa o Nordeste de fato.

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Capa do vídeo do YouTube

Até o último momento, Rogério Marinho era o principal cotado, mas trabalhou pessoalmente para encontrar outra solução dentro do próprio partido. A campanha também buscava uma mulher para o posto, como forma de reduzir a resistência dessa fatia do eleitorado ao presidenciável. O evento chegou a reunir nomes que circularam na conta, como a senadora Tereza Cristina (PP) e a ex-presidente da Caixa Daniella Marques (Republicanos), que fizeram pronunciamentos curtos em defesa da candidatura antes do anúncio. No fim, a legenda ficou com o relator da CPMI.

Do Ministério Público ao Congresso

Alfredo Gaspar de Mendonça Neto tem 55 anos, é advogado e construiu a carreira no Ministério Público antes de entrar na política. Natural de Maceió, ingressou no MP de Alagoas em 1996, passou por diferentes promotorias e chegou a procurador-geral de Justiça do estado entre 2017 e 2020. Também presidiu o Grupo Nacional de Combate às Organizações Criminosas, entidade que reúne Ministérios Públicos de todo o país, e comandou a Secretaria de Segurança Pública de Alagoas durante o governo Renan Filho.

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A estreia nas urnas veio em 2020, na disputa pela Prefeitura de Maceió pelo MDB. Foi o mais votado no primeiro turno e acabou derrotado no segundo por JHC. Dois anos depois, deixou o MDB após divergências com o grupo político liderado pela família Calheiros e migrou para o União Brasil. Em 2022, elegeu-se deputado federal com mais de 102 mil votos, entre os mais votados do estado e líder da votação na capital alagoana.

Em 2026, aceitou o convite de Flávio Bolsonaro e se filiou ao PL, assumindo o comando da legenda em Alagoas e a articulação do partido no estado. A aproximação, que já vinha sendo lida como preparação para o projeto presidencial do senador, terminou confirmada com o lugar na chapa ao Palácio do Planalto.

O relatório que pediu a prisão de Lulinha

O que projetou Gaspar para fora de Alagoas, porém, foi a relatoria da CPMI do INSS. O parecer final que ele assinou tem 4.340 páginas, está dividido em nove núcleos de investigação e recomenda o indiciamento de 216 pessoas, entre empresários, intermediários, servidores, entidades e políticos. No documento, o relator pediu o indiciamento de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, por tráfico de influência, lavagem ou ocultação de bens, organização criminosa e participação em corrupção passiva, além da prisão preventiva.

A justificativa do pedido de prisão foi a viagem do empresário à Espanha no momento da deflagração da Operação Sem Desconto, da Polícia Federal. “A saída do país no momento preciso da deflagração da operação ostensiva, associada ao conjunto probatório descrito, configura fundado receio de que o indiciado busque subtrair-se à incidência da lei penal, preenchendo o pressuposto para a decretação da custódia cautelar”, escreveu Gaspar no parecer.

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As recomendações foram barradas pela base governista, e uma CPMI não tem poder para indiciar ninguém: pode apenas encaminhar sugestões a órgãos como a Procuradoria-Geral da República. A comissão também não conseguiu avançar em frentes que envolviam supostas mesadas e viagens que teriam sido custeadas pelo empresário Antônio Carlos Camilo Antunes, o Careca do INSS, apontado como um dos operadores do esquema de descontos indevidos.

Três inquéritos em menos de uma semana

O que a CPMI não conseguiu entregar acabou avançando por outro caminho, e justamente nos dias que antecederam o anúncio da chapa. Em menos de uma semana, o Supremo Tribunal Federal autorizou três inquéritos da Polícia Federal contra Lulinha, todos por suspeita de tráfico de influência. Os indícios nasceram das quebras de sigilo da Operação Sem Desconto, que apura o esquema bilionário de descontos não autorizados em aposentadorias e pensões do INSS.

No dia 30 de julho, o ministro André Mendonça liberou o primeiro, para apurar a suposta atuação do empresário junto ao Ministério da Saúde no processo de autorização para comercialização de cannabis medicinal, em benefício de uma empresa ligada ao Careca do INSS. No dia seguinte, Mendonça autorizou o segundo, sobre suposto favorecimento a um empresário do setor de tecnologia que buscava contratos com a Dataprev, estatal responsável pela maior base de dados sociais do país.

O terceiro veio na terça-feira (4), assinado pelo ministro Flávio Dino, indicado ao Supremo pelo próprio Lula e sorteado relator dos novos casos. A investigação apura se Lulinha usou o nome do pai para viabilizar negócios da 3Structure IT, empresa de tecnologia que mantém R$ 55,7 milhões em contratos com o governo federal. Na mesma decisão, Dino autorizou uma quarta apuração, dessa vez sobre o vazamento de informações sigilosas dos próprios inquéritos.

A defesa de Lulinha, a cargo do advogado Marco Aurélio de Carvalho, afirma que recebeu as decisões com tranquilidade e sustenta que o empresário é alvo de perseguição pelo fato de ser filho do presidente da República. As apurações estão em fase inicial e não representam acusação formal nem condenação.

Foi nesse ambiente que o agora candidato a vice voltou a cobrar o caso publicamente. Gaspar afirmou nas redes sociais que a disputa entre André Mendonça e a cúpula da Polícia Federal pelo acesso a documentos da investigação teria como objetivo blindar o filho do presidente. “O objetivo é claro, tentam proteger o Lulinha, indiciado no meu relatório por envolvimento no esquema”, escreveu. Em vídeo, completou: “Ministro André Mendonça, siga em frente. Tem mais gente poderosa que precisa pegar a cadeia. O Brasil confia no senhor”.

Com a chapa fechada, o PL entra na disputa presidencial sem coligação nacional e terá de sustentar a campanha apoiado nos palanques estaduais que conseguir montar. Gaspar integra a oposição ao governo Lula e chega ao posto com o perfil que o partido quer vender no confronto eleitoral: segurança pública, Ministério Público e o pedido de prisão do filho do presidente.

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