A defesa de Jair Bolsonaro (PL) pediu ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorização para o ex-presidente receber os senadores Rogério Marinho (PL-RN) e Tereza Cristina (PP-MS). Os dois são os nomes da direita na disputa pela presidência do Senado, marcada para 1º de fevereiro de 2027.
Bolsonaro cumpre em prisão domiciliar, em Brasília, a pena de 27 anos e 3 meses pela trama golpista, e as visitas dependem do aval de Moraes. Conforme o pedido, os encontros seriam de preferência às terças, quartas e quintas-feiras. A defesa não informou o assunto das conversas. Até a publicação desta reportagem, não havia decisão do ministro.
O pedido chega um dia depois de o PL lançar Marinho candidato, numa reunião da bancada em Brasília, nesta quarta-feira (4). Tereza Cristina, que também quer o cargo, não foi ao lançamento e mantém a candidatura. A senadora quer ser a primeira mulher a presidir o Senado.
Os dois foram ministros do governo Bolsonaro: Marinho no Desenvolvimento Regional e Tereza na Agricultura. Na quinta-feira passada (29), a defesa já tinha pedido a Moraes uma visita só de Marinho, entre os dias 3 e 5 de novembro. O pedido novo põe Tereza Cristina na lista.
A direita tenta chegar a fevereiro com um nome só, para não dividir os votos contra o atual presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União-AP). Em nota, Tereza negou racha: “Não há divisão”. Segundo a senadora, o combinado com Marinho é avaliar mais adiante quem estará em melhores condições de vencer. Marinho disse na quarta que os dois estão do mesmo lado e vão convergir “no momento oportuno”.
Com o pedido, Bolsonaro, mesmo preso em casa, se coloca no meio dessa escolha. Ao chamar os dois candidatos de uma vez, o ex-presidente volta ao centro da articulação da direita para a principal disputa do Congresso no começo de 2027.
A cobrança por unidade também veio de Santa Catarina. Na reunião do PL, a deputada federal Caroline de Toni (PL), eleita senadora pelo estado em outubro, pediu que a direita deixe de lado as vaidades. “Se a direita não se unir, deixar de lado as vaidades pessoais nesse momento grave da nossa história, nós não ficaremos aqui pra contar história”, disse.
Alcolumbre tenta a reeleição com o apoio do governo Lula, de partidos do centrão e do PP nacional, o partido de Tereza Cristina. O PL terá a maior bancada da Casa a partir de fevereiro, com 29 senadores, e conta com os três do Novo. A votação é secreta, e o candidato precisa de 41 dos 81 votos para vencer.
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