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Líder na campanha de Lula critica Janja e dispara: “Qual é a prioridade: aparecer ou eleger o marido?”

Coordenadora da campanha no Tocantins, a ex-senadora Kátia Abreu pediu "menos Janja, mais Alckmin" em reunião do PT e foi aplaudida; a primeira-dama respondeu que não vai recuar

Líder na campanha de Lula critica Janja e dispara: "Qual é a prioridade: aparecer ou eleger o marido?"
Foto: Reprodução
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A ex-senadora e ex-ministra Kátia Abreu, filiada ao PT desde abril e coordenadora da campanha de Luiz Inácio Lula da Silva no Tocantins, partiu para cima da primeira-dama Janja da Silva e questionou o papel dela na reta final da disputa. “Está causando simpatia? Está gerando voto? Nós estamos percebendo que não, e isso está na boca de todo mundo. Neste momento, não está causando simpatia. Nesta hora, qual é a prioridade: aparecer ou eleger o marido? Para mim, é eleger o Lula”, afirmou em entrevista ao jornal O Globo publicada nesta quinta-feira (8).

A crítica começou dentro de casa. Na terça-feira (6), em Brasília, a cúpula do PT se reuniu com Lula para avaliar o resultado do primeiro turno, em que Flávio Bolsonaro (PL) terminou à frente com 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% do presidente. Diante de cerca de cem pessoas, Kátia Abreu fez a fala mais aplaudida do encontro, segundo relatos de participantes publicados pelo jornal O Globo.

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Antes de falar da primeira-dama, a ex-senadora avisou que só entraria no assunto por ser mulher. Em seguida, classificou como um erro Janja cantar a música gospel “Tapete Vermelho” nos comícios do primeiro turno. A primeira-dama não é evangélica, e dirigentes do partido avaliam que o gesto afasta esse eleitor em vez de atraí-lo.

Kátia Abreu também mirou o comando nacional da campanha, que chamou de “paulistas sem voto”, e defendeu mais espaço para o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB), que na avaliação dela conversa melhor com o eleitor de centro, com empresários e com o mercado. Fechou a intervenção com o pedido que virou o mote do encontro: “Menos Janja, mais Alckmin”.

Em entrevista à GloboNews, a ex-senadora repetiu o ponto. “A primeira-dama está ocupando um espaço maior do que o vice-presidente. E não querendo desmerecê-la. Ao contrário, querendo enaltecer o vice-presidente Alckmin”, disse. E foi além: “Se alguém está exorbitando negativamente num processo eleitoral, ele precisa ser chamado, né?”.

Ao jornal O Globo, Kátia Abreu negou que a crítica seja pessoal ou de gênero e disse que se trata de estratégia eleitoral. “Não se trata de implicância com ela, se trata de uma implicância com o excesso dela que não está gerando coisas positivas”, afirmou.

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Janja não deixou barato. Depois da reunião, mandou uma mensagem de texto à ex-senadora dizendo que não vai aparecer menos na campanha, por decisão do “meu marido”, ainda segundo o O Globo. Perguntada sobre a mensagem, Kátia Abreu desconversou: “Eu não quero que isso vire uma fofoquinha. Daqui a pouco sai que eu falei da mensagem, a mensagem disse isso, eu respondi aquilo. Esquece isso”.

Na quarta-feira (7), o gabinete da primeira-dama divulgou nota em tom de recado. “Independente do que falem, Janja seguirá na campanha. Sua participação é legítima e sempre respaldada pelo presidente Lula. O objetivo de todos os envolvidos é um só: reeleger o presidente”, diz o texto, conforme o jornal O Tempo.

O incômodo com o protagonismo de Janja não é só de Kátia Abreu. A primeira-dama discursou em todos os comícios do primeiro turno, e integrantes do PT afirmam que ela participou da definição da agenda de Lula. Em um ato na Bahia, chamou o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) de “piá de bosta”. No domingo, Nikolas foi o deputado federal mais votado do país, com 3,1 milhões de votos, e aliados de Lula avaliam que Janja só deu palanque à oposição.

O presidente do PT e coordenador-geral da campanha, Edinho Silva, não comprou a briga com a primeira-dama, mas concordou que Alckmin deve estar mais perto da campanha no segundo turno porque “ajuda a ampliar diálogos com setores da sociedade”. A comunicação também deve mudar para destacar a diferença entre os projetos dos dois candidatos.

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Kátia Abreu é nome de peso no agronegócio. Presidiu a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), foi ministra da Agricultura no governo Dilma Rousseff e já passou por DEM, PP, MDB e PDT, partido pelo qual foi candidata a vice na chapa de Ciro Gomes em 2018. Chegou ao PT neste ano.

Lula e Flávio Bolsonaro voltam às urnas no segundo turno, marcado para 25 de outubro.

Fontes: entrevista de Kátia Abreu ao jornal O Globo, reproduzida por O Antagonista e jornal O Tempo.

© Jornal Razão. Reprodução permitida com crédito e link para a matéria original: jornalrazao.com/politica/katia-abreu-critica-janja-aparecer-ou-eleger-o-marido

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