Apoiadores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foram às ruas de Itajaí neste sábado (10) e responderam no grito ao prefeito Robison Coelho (PL). “Aqui não tem vagabundo, não”, repetiu o grupo em coro, um dia depois de o prefeito arrancar cartazes contra o senador Flávio Bolsonaro (PL) colados em uma praça e chamar os autores de “turma de vagabundo”.
A carapuça serviu. No vídeo de sexta-feira (9), Robison não deu nome a ninguém: falou de quem cola cartaz em área pública e pediu ao eleitor de direita que não deixasse “essa petezada” se criar na cidade. No dia seguinte, as bandeiras do PT estavam na rua e o recado tinha endereço certo.
Em um vídeo gravado no meio do ato, um manifestante aparece cercado de bandeiras e pergunta: “Prefeito Robison, essa galera toda é vagabunda?”. Mais adiante, ele manda outro recado: “Tô esperando teu telefonema”. O grupo também puxou o coro “recua, fascista, recua”.
O cartaz que foi parar no lixo
Um dos papéis que o prefeito arrancou na sexta-feira convocava justamente para um ato neste sábado. Com uma estrela vermelha e a frase “Você que é progressista. Só perdemos quando não lutamos”, o cartaz marcava a concentração para o dia 10, às 15h, com saída do IFSC de Itajaí até o Centreventos.

Outro cartaz trazia o nome de Flávio Bolsonaro e a frase “Governo do pai: Brasil no mapa da fome”. Robison tirou os papéis um a um e jogou tudo em um contêiner. “Essa turma de vagabundo aqui, ó, pro lixo”, disse, no vídeo que ele mesmo publicou nas redes sociais.
“Sujando, deteriorando a cidade”
O argumento do prefeito é a limpeza da cidade. “Tem uma lei aqui em Itajaí que penaliza esse tipo de vagabundo, que faz esse tipo de coisa aqui sujando, deteriorando a cidade”, afirmou, ao avisar que a prefeitura vai procurar identificar quem colou os cartazes. Ele não citou qual é a lei nem o valor da multa.
Robison também tratou os autores como minoria. “O Flávio fez a grande maioria dos votos aqui em Itajaí”, disse. E deixou um pedido ao eleitor do senador: “Quando cê ver esse tipo de coisa colada em poste, cê arranque isso aí”.
Colar cartaz em praça, de fato, é proibido. A Lei das Eleições (9.504/1997) veda propaganda em bens públicos e de uso comum, como postes, praças e equipamentos urbanos, com multa de R$ 2 mil a R$ 8 mil. A mesma lei proíbe material anônimo: todo impresso de campanha precisa trazer o CNPJ ou CPF de quem fez e de quem contratou. Nas imagens divulgadas por Robison, não é possível ver quem assina os cartazes.
Moradores saem em defesa do prefeito
Nas redes, o vídeo dividiu opiniões, mas Robison ganhou o apoio de moradores que querem a cidade limpa. “Ninguém impede de votar, mas sujar a cidade não é permitido pra ninguém”, escreveu um deles no perfil do Jornal Razão. “Deveria dar multa pra quem está fazendo essa imundície na cidade”, comentou outro. Um terceiro resumiu: “Lei é lei, nenhum dos dois partidos pode colar cartazes”.
Houve também quem apoiasse a retirada dos cartazes e criticasse o tom. “A cidade deve ser mantida limpa, sim. Mas discordo totalmente do prefeito chamar quem pensa diferente de ‘vagabundo'”, escreveu um eleitor que disse ter votado em Flávio Bolsonaro.
Atos por Lula se espalham em SC
O ato de Itajaí se soma a outras mobilizações de apoio a Lula em Santa Catarina nesta semana, como a de estudantes da Unesc, em Criciúma, e a da UFSC, em Florianópolis. No estado, o presidente ficou bem atrás no primeiro turno: Flávio Bolsonaro fez 66,7% dos votos válidos, contra 25% de Lula. No país, o senador terminou com 47,03%, contra 45,16%.
O segundo turno está marcado para 25 de outubro.
© Jornal Razão. Reprodução permitida com crédito e link para a matéria original: jornalrazao.com/politica/petistas-itajai-ato-rebatem-prefeito-robison-coelho-aqui-nao-tem-vagabundo























