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Eleições 2026

Petistas contestam versão da PMSC e acusam truculência em ocorrência com candidata presa

Aliados de Fernanda Klitzke, segunda suplente de Décio Lima, dizem que a reunião da militância em Jaraguá do Sul foi interrompida por uma reclamação de som e que a candidata levou tiros de borracha, chutes e um mata-leão sem ter desacatado ninguém. Chapa fala em "violência política" e acionou o TRE.

Petistas contestam versão da PMSC e acusam truculência em ocorrência com candidata presa
Foto: Reprodução
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O campo do PT em Santa Catarina rejeita a versão da Polícia Militar sobre a prisão de Fernanda Klitzke, segunda suplente na chapa de Décio Lima ao Senado, em Jaraguá do Sul, na noite de sábado (12). Para a candidata, sua equipe e os cabeças da chapa, o que aconteceu foi truculência policial numa ocorrência banal de som alto, filmada do início ao fim, e não a resistência à prisão registrada pelos policiais.

Segundo Décio Lima (PT), ex-prefeito de Blumenau e candidato ao Senado, o grupo estava numa reunião da militância quando a PM chegou depois de chamados de moradores. Em vídeo publicado no TikTok, ele classificou o episódio como “violência política” e cobrou explicações das autoridades estaduais. A equipe da candidata sustenta que Fernanda foi atingida durante a ação e conduzida sob custódia dos policiais.

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Quem gravou a ocorrência, em registros que somam quase 30 minutos, afirma que a candidata não desacatou os policiais. As imagens que circulam mostram Fernanda sendo atingida por disparos de munição de borracha, recebendo chutes de um policial e sendo imobilizada com um golpe de mata-leão antes de ser colocada na viatura. Em uma das cenas, ela aparece caída no chão, na calçada, com dois policiais em cima.

Capa do vídeo do YouTube

O vídeo gravado no momento da confusão registra o grupo negando qualquer agressão. “Ninguém aqui agrediu ninguém, não. É mentira o que você está falando”, diz uma das pessoas. Outra grita repetidas vezes “Vocês estão prendendo uma candidata ao Senado de Santa Catarina!” e “É abuso de poder, meu filho”. O grupo também acusa os policiais de agirem por motivação política e diz que a atuação “não era serviço de polícia”.

Gelson Merisio (PSB), candidato a governador e cabeça da chapa em que Fernanda é suplente, disse ter ligado para o presidente do Tribunal Regional Eleitoral de Santa Catarina, desembargador Carlos Roberto Silva, para cobrar apuração urgente do que chamou de “agressão covarde”. Segundo ele, os vídeos mostram Fernanda “sendo vítima de uma violência inexplicável por parte de policiais militares”.

“Ver um agente do Estado disparar balas de borracha e chutar uma mulher caída no chão, que pedia calma e não oferecia qualquer risco, é revoltante”, escreveu Merisio, que soube do caso ao chegar a Florianópolis vindo de compromisso de campanha em Chapecó. Ele afirmou que a chapa tem “denunciado diariamente o aumento da violência contra as mulheres e do extremismo” no estado e que Fernanda “merece, como mulher, como representante política e como cidadã, o máximo respeito das nossas instituições”. “Fernanda, você não está sozinha”, concluiu.

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O deputado estadual Marquito (PSOL), candidato à reeleição pelo mesmo bloco, chamou o caso de “absurdo” e afirmou que a candidata foi agredida pela PM “com chutes, spray de pimenta e bala de borracha”. “Em uma eleição marcada pela denúncia da violência contra as mulheres, é revoltante. Exigimos apuração e responsabilização”, escreveu. Para ele, “uma ocorrência de som alto terminou com uma candidata agredida e presa pela PM, em plena campanha em que a gente denuncia a violência contra a mulher em Santa Catarina”.

Na delegacia, a candidata foi acompanhada por vários advogados que se identificaram como integrantes da OAB. Segundo o próprio registro da PM, os advogados questionaram reiteradamente a atuação dos policiais e afirmaram que a guarnição não estava fazendo o serviço policial corretamente. A candidata, formada em Direito, sustentou na delegacia que a equipe não agia como os policiais de Jaraguá do Sul e do 14º Batalhão costumam agir.

Fernanda Klitzke é empresária de Jaraguá do Sul, ex-chefe de gabinete da Prefeitura e ex-assessora na Câmara de Vereadores. Integra como segunda suplente a chapa do Campo Democrático, coligação que reúne PT, PCdoB, PV, PSB, PDT, PSOL e Rede e que tem Merisio para governador, Ângela Albino (PDT) para vice e Décio Lima e Afrânio Boppré (PSOL) para o Senado. A chapa foi montada a pedido do presidente Lula, que vê Santa Catarina como o cenário mais difícil para a esquerda no país.

O peso político é o centro da reação. Aliados apontam que a prisão de uma integrante de chapa majoritária, a três semanas da eleição, numa ocorrência que começou com reclamação de som, exige explicação do comando da PM e do governo do estado. Até agora, o comando da corporação não se manifestou publicamente sobre as imagens.

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A Polícia Militar registrou a ocorrência como desacato, desobediência e resistência e diz que a candidata segurou uma policial, avançou contra a guarnição e tentou tomar uma espingarda. Essa versão está detalhada na reportagem do Jornal Razão sobre a moradora que chamou a PM por causa do filho autista.

Fernanda Klitzke e as outras duas pessoas presas ficaram à disposição da Polícia Civil. A chapa aguarda resposta do TRE e o caso deve passar pela corregedoria da PM, com os vídeos como principal prova das duas partes.

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