O deputado federal André Janones criticou o presidente Lula por ter assinado a proibição das bets no fim do primeiro turno, no momento em que o boato de que Flávio Bolsonaro (PL) acabaria com Nossa Senhora Aparecida como padroeira do Brasil dominava as redes sociais. A fala foi feita em uma live no YouTube na noite desta quinta-feira (8).
“O país inteiro comentando do Flávio, da possibilidade que foi ventilada de desarquivar um projeto de lei e que talvez o Flávio poderia mudar a padroeira do Brasil pra não ser mais Aparecida. Pois é, aí a hora que o negócio tava bem quente, o Lula vai e assina a proibição das bets. Ele matou o outro assunto. Podia ter esperado só pro dia seguinte”, disse Janones.
Para o deputado, a campanha precisa seguir uma “onda” de cada vez nas redes. “Quando tem uma onda, você tem que seguir aquela onda. Não dá pra ter duas ondas ao mesmo tempo”, afirmou. O exemplo foi usado para defender o “comando único” que ele quer impor ao grupo “Exército do Lula”: um assunto por dia, repetido por todos os participantes, mesmo que outras notícias boas para o governo fiquem de fora.
O boato citado por Janones foi desmentido. Flávio Bolsonaro negou qualquer projeto para mudar o título de Nossa Senhora Aparecida. O projeto de lei resgatado nas redes é de 2007, de autoria de outro deputado, e foi arquivado pela Câmara em 2008. Em 25 de setembro, o ministro André Mendonça, do TSE, classificou o conteúdo como “notoriamente inverídico” e mandou remover publicações. A ordem foi derrubada depois por Flávio Dino, do STF.

Mesmo assim, o tema seguiu na campanha de Lula. Em comício em Belém, no dia 28 de setembro, o presidente afirmou que, “enquanto eu for presidente da República, ninguém vai avacalhar com Nossa Senhora Aparecida”, sem citar Flávio. No mesmo ato, ele recebeu e ergueu uma imagem de Nossa Senhora de Nazaré, padroeira do Pará.
Janones tem histórico com a divulgação de informações falsas. Na campanha de 2022, o TSE mandou apagar publicações dele, entre elas posts sobre o piso salarial da enfermagem, que, segundo o tribunal, traziam “afirmações inverídicas e manipuladas”, e posts que ligavam Bolsonaro a Roberto Jefferson. Na ocasião, Alexandre de Moraes fixou multa de R$ 100 mil para cada nova publicação sobre o assunto. Em 2023, no livro “Janonismo cultural”, o próprio deputado contou ter criado boatos durante aquela campanha.
Nesta quarta-feira (7), segundo a coluna Grande Angular, do portal Metrópoles, em reportagem publicada no mesmo dia, o advogado Jeffrey Chiquini, eleito deputado federal pelo Novo do Paraná, apresentou uma notícia-crime à Procuradoria-Geral da República contra Janones e o deputado Lindbergh Farias (PT). A peça acusa Janones de usar o perfil no Instagram e canais de WhatsApp, entre eles o “Exército do Lula”, para divulgar que Flávio acabaria com o Bolsa Família e o salário mínimo. Chiquini pede a investigação por divulgação de fato sabidamente inverídico e difamação eleitoral. Até a publicação desta reportagem, não havia decisão da PGR sobre o pedido, e Janones não tinha se manifestado sobre ele.
O segundo turno da eleição presidencial entre Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) será no dia 25 de outubro.
Fonte: coluna Grande Angular, do portal Metrópoles.
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