No começo do ano, 5.305 pedidos de mamografia bilateral de rastreamento estavam represados na fila da rede municipal de Florianópolis. Em julho, sobraram 538, e todas as pacientes que continuam na espera já têm data marcada para o exame, conforme a indicação médica.
A queda de quase 90% em sete meses aparece no balanço da Prefeitura sobre a atenção especializada e tem efeito direto sobre o diagnóstico precoce do câncer de mama, o tumor mais comum entre as mulheres brasileiras segundo o Ministério da Saúde.
O movimento não parou no exame preventivo. A mamografia diagnóstica, pedida quando já existe uma alteração a investigar, passou de 225 pacientes na espera para apenas uma. A mamografia com compressão e magnificação, usada para detalhar achados suspeitos, teve a fila totalmente eliminada.
A diferença entre os tipos de exame ajuda a medir o gargalo desfeito. O rastreamento é a porta de entrada, feito em mulher sem sintoma nenhum, justamente para encontrar o tumor antes que ele apareça. Os outros dois vêm depois, quando alguma coisa já chamou atenção e o tempo de resposta passa a contar contra a paciente.

Pela orientação em vigor do Ministério da Saúde, o rastreamento populacional no SUS é indicado a mulheres de 50 a 74 anos, a cada dois anos. Desde a atualização da diretriz nacional, mulheres de 40 a 49 anos também passaram a ter acesso ao exame mesmo sem sinais ou sintomas, mediante decisão compartilhada com o profissional de saúde.
A redução da espera faz parte de uma estratégia mais ampla para diminuir o tempo de espera por exames especializados na capital. Atualmente, a rede municipal realiza cerca de 200 mil exames por mês, resultado do reforço da estrutura própria somado à contratação complementar de serviços junto à rede privada.
“O diagnóstico precoce salva vidas. Por isso investimos para ampliar a oferta de exames e garantir que as pessoas tenham acesso ao atendimento no momento certo. Reduzir essas filas significa oferecer mais qualidade de vida, mais segurança e mais agilidade para quem depende do SUS”, afirma o prefeito Topázio Neto.
Novo mamógrafo na Policlínica
O principal fator apontado pela Prefeitura para a queda foi a entrada em operação de um novo mamógrafo na rede municipal no início deste ano, na Policlínica do Centro. O equipamento ampliou a capacidade de atendimento e passou a segurar dentro da estrutura pública uma demanda que antes dependia mais de serviços externos.
“Os números mostram que estamos transformando a capacidade de atendimento da saúde em Florianópolis. Investimos em novos equipamentos, ampliamos a oferta de exames e reorganizamos os fluxos da rede. O resultado é uma redução expressiva das filas, especialmente na mamografia, um exame fundamental para o diagnóstico precoce do câncer de mama e para salvar vidas”, afirma o secretário de Saúde, Almir Gentil.
A compra do equipamento veio acompanhada de parcerias com clínicas credenciadas, que absorvem parte da demanda, e da reorganização dos fluxos internos da rede, para que o pedido médico não fique parado entre uma etapa e outra do agendamento.
O que vem pela frente
O município aponta ainda o futuro Multihospital de Florianópolis como próximo passo para expandir a capacidade da atenção especializada. A estrutura deve absorver parte dos procedimentos que hoje dependem de contratação complementar.
Por enquanto, as filas dos três exames ligados ao diagnóstico do câncer de mama seguem com marcação garantida para quem está na espera. A Prefeitura mantém a combinação de rede própria, equipamentos novos e serviços credenciados como fórmula para segurar o tempo de espera nos demais exames especializados.






































