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Hospital contraria prefeitura de Camboriú e afasta pediatra e equipe de enfermagem após morte de bebê

Em entrevista ao Jornal Razão, o diretor técnico do HCC, Alexandre Tolentino, negou uso de “medicamentos de adulto” no bebê de 45 dias e disse desconhecer a informação da Secretaria de Saúde de que o prontuário registra dose acima da prescrita. Conselhos profissionais vão analisar o caso.

Hospital contraria prefeitura de Camboriú e afasta pediatra e equipe de enfermagem após morte de bebê
Foto: Reprodução
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O diretor técnico do Hospital Cirúrgico Camboriú (HCC), médico Alexandre Tolentino, negou que um bebê de 45 dias tenha recebido “medicamentos de adulto” durante o atendimento realizado na quarta-feira (12). Em entrevista ao Jornal Razão, ele afirmou que os fármacos utilizados fazem parte do protocolo pediátrico da unidade, mas evitou concluir se a quantidade administrada foi superior à prescrita.

A manifestação ocorre após a morte da criança, que foi inicialmente atendida no HCC por uma reação alérgica e depois transferida ao Hospital Pequeno Anjo, em Itajaí. O relato completo da mãe e os detalhes do atendimento foram publicados pelo Jornal Razão.

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Segundo Tolentino, o bebê passou pela classificação de risco e foi atendido imediatamente pelo pediatra plantonista. A avaliação inicial teria indicado um provável choque anafilático, possivelmente relacionado à proteína do leite presente na fórmula utilizada pela família.

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“A criança veio ao atendimento, foi devidamente triada na classificação de risco do que é preconizado pelo Estado e atendida de forma imediata pelo médico pediatra plantonista. Diante de um quadro clínico de um provável choque anafilático, uma alergia provavelmente alimentar devido à proteína do leite que a família estava utilizando, o médico avaliou e, dentro do protocolo institucional, usou a medicação preconizada pela Sociedade Brasileira de Pediatria.”

Alexandre Tolentino, diretor técnico do HCC

Diretor nega medicamento “de adulto”

Questionado diretamente pelo Jornal Razão se, em algum momento, foram aplicados medicamentos destinados a adultos, Tolentino negou.

“Em hipótese alguma. Reitero que a medicação é amplamente usada dentro da pediatria e faz parte do protocolo de atendimento à criança em choque anafilático ou reação alérgica grave.”

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Alexandre Tolentino

A declaração do diretor trata do tipo de medicamento, e não encerra a discussão sobre a quantidade efetivamente administrada. A Secretaria Municipal de Saúde de Camboriú informou oficialmente que os registros do próprio prontuário apontam a administração de quantidade de medicamentos superior àquela prescrita.

Apesar da informação já divulgada pelo Município, Tolentino afirmou que ainda considera precoce fazer uma avaliação definitiva sobre a dose aplicada. Segundo ele, essa análise deve ser realizada pelos conselhos profissionais e demais órgãos competentes a partir do prontuário.

“Eu acho que, neste momento, a gente não é capaz de julgar a dosagem. Não cabe a nós, como médicos, e a mim, como diretor técnico, fazer o julgamento precoce da dosagem aplicada na criança. Cabe aos órgãos competentes, ao Conselho Regional de Medicina, ao Conselho Regional de Enfermagem e aos demais órgãos solicitar o prontuário e fazer a devida avaliação.”

Alexandre Tolentino

Ao ser lembrado de que a própria Prefeitura já havia confirmado o registro de quantidade superior à prescrição, o diretor disse ainda não ter conhecimento dessa informação e manteve a posição de aguardar a apuração.

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“Eu ainda não tenho conhecimento disso. Reitero e ratifico que acho precoce afirmar a questão da dosagem da medicação e deixo essa conclusão para ser feita pelos órgãos competentes após a análise do prontuário.”

Alexandre Tolentino

Profissionais foram afastados cautelarmente

Tolentino confirmou que o médico responsável pelo atendimento foi afastado de forma cautelar. Segundo ele, a instituição também determinou o afastamento preventivo da equipe envolvida e abriu procedimentos internos para investigar o caso.

“Imediatamente, a par da situação, eu, como diretor técnico, afastei o profissional médico de forma cautelar. A instituição também afastou toda a equipe de forma cautelar. Abrimos sindicância interna e processo administrativo para que sejam feitas a investigação e a apuração dos fatos, a leitura do prontuário, a revisão dos protocolos institucionais e o encaminhamento aos órgãos competentes.”

Alexandre Tolentino

A Associação Hospitalar do Brasil (AHBR), responsável pelo gerenciamento e pela operação do HCC, já havia informado o afastamento cautelar da técnica de enfermagem e do médico pediatra diretamente envolvidos. A entidade também comunicou o Conselho Regional de Enfermagem de Santa Catarina (Coren-SC) e o Conselho Regional de Medicina de Santa Catarina (CRM-SC).

O afastamento é preventivo e, conforme a instituição, não representa reconhecimento antecipado de culpa. A apuração interna deverá analisar a prescrição médica, o preparo e a administração dos medicamentos, a reação apresentada pela criança, as medidas adotadas pela equipe e as condições da transferência para Itajaí.

Causa da morte ainda não foi definida

O Município informou que o bebê chegou ao HCC com alterações clínicas relevantes, incluindo saturação de oxigênio de 78%. Depois da administração dos medicamentos e do agravamento do quadro, a criança recebeu suporte e foi transferida pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) ao Hospital Pequeno Anjo.

Embora o prontuário registre quantidade superior à prescrita, ainda não existe conclusão técnica que estabeleça uma relação direta entre a intercorrência e o óbito. A definição dependerá da análise integral dos documentos, da evolução clínica e dos atendimentos realizados nas duas unidades.

A família registrou boletins de ocorrência e cobra respostas. Em depoimento ao Jornal Razão, a mãe denunciou descaso e abandono após a morte do filho. O HCC afirma que entregará os documentos aos órgãos responsáveis e que adotará as providências cabíveis após a conclusão das investigações.

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