A Polícia Militar foi acionada na madrugada deste domingo (7) em Itapema para atender uma ocorrência de estupro de vulnerável envolvendo uma menina de 12 anos. A guarnição se deslocou até a unidade de saúde onde a criança estava sendo atendida, acompanhada da mãe.
O caso chegou à polícia por um caminho indireto. Não foi a denúncia do abuso que gerou o chamado, mas o que aconteceu com a menina depois de ela ter contado o que sofreu — e depois de a própria família reagir a essa revelação.
Segundo o relato da mãe aos policiais, a filha havia contado, semanas antes, que foi abusada sexualmente por um parente mais velho durante uma visita a familiares fora de Santa Catarina, em julho. A mãe afirmou ainda que não teria sido a primeira vez: a menina já teria passado por situação semelhante com a mesma pessoa em outro momento.
A revelação abriu uma crise dentro da família. De acordo com a mesma versão apresentada à guarnição, a acusação passou a ser assunto entre os parentes e gerou um conflito aberto entre eles.
Foi então que a menina foi confrontada. A mãe relatou aos policiais que a filha ficou bastante abalada ao ser questionada por uma parente próxima, que afirmou que estaria acontecendo uma grande confusão familiar por causa da acusação. Diante disso, segundo o relato, a criança passou a se sentir culpada pelo que estava acontecendo em casa.
Ainda naquele dia, a menina atentou contra a própria vida com medicamentos. A mãe a levou imediatamente à unidade de saúde, onde ela recebeu atendimento. A equipe médica de plantão informou aos militares que não havia risco clínico e que a criança estava medicada e estável. Se você ou alguém que você conhece precisa de ajuda, o Centro de Valorização da Vida atende 24 horas pelo telefone 188 e pelo chat em cvv.org.br.
O episódio expõe um padrão conhecido por quem trabalha com proteção à infância: em casos de violência sexual intrafamiliar, a criança que revela o abuso frequentemente passa a ser tratada como a causa do problema. A pressão para que ela recue, se cale ou se retrate costuma vir de dentro da própria família, e não do agressor.
Ainda durante a ocorrência, o Conselho Tutelar foi comunicado. O conselheiro de plantão avaliou que não era necessário o deslocamento imediato da equipe, uma vez que a menina estava sob os cuidados da mãe e já havia recebido atendimento, mas colocou o órgão à disposição caso fosse preciso.
A guarnição lavrou o boletim de ocorrência e orientou a família sobre os procedimentos legais cabíveis. Como o crime relatado teria ocorrido em outro estado, a apuração tende a tramitar fora de Santa Catarina.
Nenhum nome é divulgado. A legislação brasileira determina sigilo absoluto sobre a identidade de crianças e adolescentes vítimas de violência sexual, e a exposição de qualquer dado que permita identificá-las configura nova violação de direitos.
Casos de suspeita de abuso sexual contra crianças e adolescentes podem ser denunciados de forma anônima pelo Disque 100, disponível 24 horas, ou diretamente em qualquer delegacia e no Conselho Tutelar do município.
Quem estiver enfrentando sofrimento emocional pode buscar apoio gratuito e sigiloso no Centro de Valorização da Vida, pelo telefone 188, disponível 24 horas por dia, ou pelo chat no site cvv.org.br.















